Memória e Futuro: A Volta de Jango à Faculdade de Direito da UFRGS e a Atualidade das Reformas de Base

Memória e Futuro: A Volta de Jango à Faculdade de Direito da UFRGS e a Atualidade das Reformas de Base

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Memória e Futuro: A Volta de Jango à Faculdade de Direito da UFRGS e a Atualidade das Reformas de Base

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O Salão Nobre da Faculdade de Direito da UFRGS foi palco, nesta quinta-feira, de um daqueles raros momentos em que a história se reencontra consigo mesma para corrigir lacunas e apontar caminhos para o futuro. O descerramento do retrato do ex-presidente João Goulart, o Jango, na galeria de ex-alunos ilustres da instituição, transcendeu o protocolo acadêmico. Foi um ato político de reparação histórica, memória e, acima de tudo, de reafirmação das lutas populares.

A cerimônia contou com uma forte e emocionante presença familiar. Estavam lá a viúva de Jango, Maria Tereza Goulart, sua filha Denise Goulart — que expressou com sensibilidade o sentimento da família no ato —, e os netos Christopher Goulart e João Goulart. A atmosfera no Salão Nobre era de reencontro: o reencontro de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul com um de seus filhos mais perseguidos pelo arbítrio da ditadura militar, mas cujo legado permanece intocado.

O Simbolismo: Jango e Getúlio Lado a Lado

A fixação da foto de João Goulart carrega um simbolismo geográfico e político profundo dentro da universidade. Agora, o retrato de Jango repousa ao lado do de Getúlio Vargas, outro líder fundamental do trabalhismo brasileiro que também se formou nas fileiras daquela faculdade.

Ver Vargas e Goulart lado a lado na Faculdade de Direito da UFRGS não é apenas registrar que dois presidentes da República saíram dali. É materializar a linha de continuidade do projeto nacional-desenvolvimentista, da proteção aos trabalhadores e da soberania nacional. Se Getúlio consolidou as leis trabalhistas, foi Jango quem tentou aprofundá-las e democratizar a estrutura social do país por meio das históricas Reformas de Base.

O Resgate das Reformas e a Luta Atual

Entre os pronunciamentos que marcaram o evento, a fala do jovem presidente do Centro Acadêmico André da Rocha (CAAR) capturou com precisão o espírito do momento. Longe de ser um discurso voltado apenas para o passado, a manifestação do líder estudantil conectou a biografia de Jango com as urgências do Brasil contemporâneo.

Ao resgatar o papel histórico do ex-presidente, o presidente do CAAR pontuou que as Reformas de Base — como a Reforma Agrária, a reforma urbana e a tributária — permanecem inconclusas. São bandeiras de mais de seis décadas que ainda exigem muita memória, organização e luta contundente para saírem definitivamente do papel.

Mais do que isso, o estudante trouxe o pensamento de Jango para o debate econômico e social mais quente da atualidade: a redução da jornada de trabalho. Em um momento em que o debate sobre a escala de trabalho e a qualidade de vida do trabalhador ganha as ruas, e o presidente Lula defende a redução da jornada para 40 horas semanais, a lembrança do trabalhismo de Jango mostra-se mais viva do que nunca. A luta pela redução do tempo de trabalho é a evolução natural dos direitos que Jango defendeu até o seu último dia no governo.

Manter a Chama Acesa

O evento na UFRGS deixa uma lição clara: a história não se apaga com golpes, exílios ou silenciamentos forçados. Quando a fotografia de João Goulart assume seu lugar de direito na academia, a universidade pública cumpre o seu papel de salvaguarda da memória democrática.

Para quem esteve presente, o sentimento não foi apenas de nostalgia, mas de renovação de compromisso. Olhar para os retratos de Getúlio e Jango na parede da Faculdade de Direito é lembrar de onde viemos para saber exatamente para onde devemos marchar. As reformas que Jango propôs continuam na ordem do dia. E a luta continua.

4 Gerações Presentes: A 1ª Dama Tereza Goulart, A Filha Denise Goulart,
os netos João Goulart Filho, Christopher Goulart e a Bisneta Valentina
Representaram a Família do Jango (Foto: Luiz Müller Blog)

Este blogueiro também se fez presente na Homenagem a um dos ícones do Trabalhismo no Brasil.

 

 

Ao meu Avô João Goulart, em dia de lembrar o Golpe civil/militar que o depôs (Por Christopher Goulart)

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capa do Livro de Christopher Goulart que será lançado ainda este ano

Teu nome, João Belchior Marques Goulart, mas todos te conheciam como Jango.
De minha parte, sempre procurei honrar teu nome, da melhor forma que me foi ensinado: sendo autêntico.
Tenho plena ciência que você foi um homem à frente de seu tempo, não somente em razão de sua coragem política de buscar colocar em prática uma nação brasileira que até hoje nunca aconteceu.
Você esteve na vanguarda, pois teu valor humanitário é algo tão imponente, que se perpetua de forma tão contundente, que até hoje deixa as pessoas admiradas e até mesmo incrédulas.
Foste muito brilhante.
Eu, sempre tive muito orgulho de dizer que sou teu neto, apesar de que, confesso, não é fácil esse papel.
Mas sim, posso garantir, meu avô, que sempre joguei o jogo com as cartas abertas, o que pode ter me prejudicado em alguns momentos.
Não consegui entender muito bem o jogo do cinismo, da hipocrisia, e dos covardes.
E é por isso que eu te amo. Porque você me ensinou a ser diferente da mediocridade, me ensinou a me distanciar das águas enlameadas, e se por ventura cair nelas, nadar sempre com a dignidade de ser quem eu sou. Com defeitos, com acertos, mas sempre com intensidade e sem medo.
Hoje novamente estarei lembrando teu nome, teu valor incomparável, tua grandeza. Para isso, você sempre poderá contar comigo.
Porque através de meu pai, teu amado filho João Vicente, aprendi que não importa o tamanho da vitória ou da derrota, mas sim a categoria de nos reinventarmos sempre que necessário.
E se hoje posso me reinventar, pode ter certeza que é em razão do teu legado, da tua obra, e do quanto você foi querido por multidões.
Teu nome esta escrito para sempre na História do Brasil.

E é com orgulho, que registo o quanto você foi gigante.
Estou e estarei sempre contigo.