MANCHETES DOS JORNAIS DE DOMINGO – 26/07/2026
RESUMO DE DOMINGO – 26/07/2026
Edição de Chico Bruno
MANCHETES DOS JORNAIS DE DOMINGO – 26/07/2026
O GLOBO – Flávio é lançado candidato, ataca PT e promete ‘subir a rampa’ com Bolsonaro
FOLHA DE S.PAULO – Economia perde fôlego, e governo Lula aciona estímulos pré-eleitorais
O ESTADO DE S.PAULO – 7 caminhos para municiar o Estado contra o crime
Valor Econômico – Não circula hoje
Correio Braziliense – Brasil nega vistos a enviados de Trump em missão eleitoral
Destaques de primeiras páginas, fatos e bastidores mais importantes do dia
PROMESSA de subir rampa com o pai - Milei, vídeos de Michelle e Netanyahu e IA de Jair Bolsonaro foram imagens que marcaram, ontem, o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, em São Paulo. Sem vice definido e sem chancela de partidos do Centrão — o governador Tarcísio Freitas (Republicanos) e o prefeito paulistano, Ricardo Nunes (MDB), estiveram presentes, mas são apoios pessoais —, Flávio criticou o governo Lula e prometeu manter o legado do pai, que está preso, mas, segundo o parlamentar, “é o maior líder da direita que o Brasil já teve”. Figura mais ilustre do evento, o presidente da Argentina, Javier Milei, atacou o Supremo brasileiro. Antes da convenção, o líder do país vizinho foi recebido com tapete azul por Tarcísio. Único irmão presente foi Jair Renan. Flávio afirmou que Jair Bolsonaro subirá a rampa do Planalto com ele em 2027, caso eleito.
ECONOMIA diminui o ritmo - A economia brasileira dá sinais de desaceleração no segundo trimestre após o crescimento de 1,1% do PIB (Produto Interno Bruto) dos três meses iniciais de 2026, dizem analistas. Para eles, o pacote de estímulos do governo Lula (PT) antes das eleições de outubro não deve impedir a perda de ritmo ao longo do ano, mas tende a atenuar esse movimento. Levantamento publicado pela Folha no início de julho indicou que as medidas de estímulo do governo mobilizavam mais de R$ 180 bilhões neste ano. O pacote inclui linhas de crédito com juros mais baixos do que os de mercado, renúncias fiscais e subvenções. "Essas medidas amortecem a desaceleração, mas não vão gerar um ímpeto surpreendente para a atividade econômica", afirma o economista Rodolpho Sartori, que prevê avanço de 0,5% para o PIB do segundo trimestre. Analistas apontam a política monetária para perda de ritmo.
COMBATE ao crime organizado - O terceiro encontro do Brasil Adiante, projeto do Estadão para apresentar propostas concretas para os principais problemas do País, discutiu nesta quinta-feira, 23, soluções sobre como enfrentar o crime organizado e reduzir a violência no Brasil. O crime organizado avança no Brasil com uma vantagem que nenhuma força policial, hoje, parece capaz de conter: a agilidade. Foi essa a síntese do terceiro encontro do Brasil Adiante, iniciativa do Estadão que reúne especialistas para transformar diagnósticos conhecidos em propostas concretas a serem entregues, em novembro, a quem vencer a eleição presidencial. Nesta rodada, dedicada à segurança pública, o promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo (MPSP), resumiu o problema com precisão: “O crime organizado não está mais preparado que o Estado. Só é mais ágil, mais rápido que o Estado ao enxergar as lacunas, os setores de opacidade, de falta de fiscalização e de regulamentação legal”.
BEDELHO dos EUA - Os diplomatas norte-americanos Riley M. Barnes e Samuel Samson, do Departamento de Estado para a Democracia, tiveram a entrada no Brasil barrada pelo Ministério das Relações Exteriores. Os dois funcionários dos Estados Unidos pediram oficialmente os vistos com a justificativa de “discutir a liberdade de expressão durante as eleições brasileiras”. A solicitação ocorreu na semana em que o agora candidato à Presidência Flávio Bolsonaro esteve reunido com diplomatas e externou preocupação com a segurança das urnas eletrônicas. Fontes ouvidas pelo Correio afirmam que essas declarações pesaram para o veto à viagem de Barnes e Samson. Sem citar esse fato, o presidente Lula afirmou ontem, em São Paulo, que “quem tentar interferir nas eleições em outubro vai apanhar muito”.
LULA lança Haddad para SP - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou que o Brasil não aceitará qualquer tentativa de interferência externa nas eleições presidenciais deste ano. O discurso foi, ontem, para mais de 3 mil pessoas na convenção estadual do Partido dos Trabalhadores, em Campinas (SP), evento que oficializou a candidatura de Fernando Haddad ao Governo de São Paulo. Praticamente no mesmo momento, na capital paulista, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal rival do petista nas pesquisas, lançou a candidatura para a Presidência com a presença do líder argentino Javier Milei. Ainda ontem, o Itamaraty negou visto de dois oficiais do governo dos Estados Uni dos que pretendiam vir ao país para questionar o sistema eleitoral brasileiro. A convenção de ontem foi realizada na Arena Concórdia, em uma estratégia para aproximar a campanha do PT no interior paulista, onde o partido historicamente enfrenta maior resistência. O ex-governador Márcio França (PSB) será o vice de Haddad na chapa.
ITAMARATY veta missão dos EUA - O Ministério de Relações Exteriores (Itamaraty) negou os vistos para o subsecretário do Departamento de Estado para a Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, Riley M. Barnes, e seu assistente Samuel Samson, ambos vinculados ao governo dos Estados Unidos, que viriam ao Brasil para discutir liberdade de expressão durante as eleições. O pedido ocorreu no mesmo período em que o candidato do PL à Presidência da, Flávio Bolsonaro, questionou a segurança e a credibilidade das urnas eletrônicas. O Itamaraty recebeu os pedidos de liberação para os vistos em 20 de julho. O Correio apurou que a manifestação de Flávio acendeu a luz de alerta, levando ao veto aos representantes norte-americanos. Até o fechamento desta edição, a Embaixada dos EUA não havia emitido nota nem comunicado sobre a negativa. Interlocutores do Itamaraty afirmam que a chegada dos funcionários para discutir liberdade de expressão durante as eleições de outubro coincidiu com a sequência do episódio recente de questionamento do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro durante encontro com diplomatas estrangeiros.
ATO de proteção à soberania - Especialista consultada pelo Correio destacou que a decisão do Itamaraty de negar os vistos diplomáticos aos funcionários do Departamento de Estado americano representa um exercício direto de soberania nacional e uma medida preventiva diante do cenário de polarização eleitoral. Priscila Caneparo, pós-doutora em direito internacional e professora da Uni versidade Federal do Paraná e da Washington & Lincoln University, disse que sob o aspecto estritamente técnico do direito internacional e da Convenção de Viena, o ato do governo brasileiro não viola protocolos ou normas. A professora reiterou que o reconhecimento dessas autoridades para a missão. “A concessão do visto é um ato discricionário do Estado que depende do exercício da soberania. Nenhum Estado está obrigado a conceder o visto para um cidadão de outro Estado que requer, para seu ingresso, esse requisito da existência do visto”, explicou a professora.
EMBAIXADA procura TSE - O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou ter sido procurado pela Embaixada dos Esta dos Unidos para tratar sobre a visita de integrantes do governo americano, mas não foi informa do sobre o assunto. A reunião não chegou a ser agendada, segundo a assessoria, em razão do recesso do Judiciário. Porém, estão confirmadas as presenças de observadores estrangeiros nas eleições em outubro. Já aceitaram participar representantes da Organização dos Estados Americanos (OEA), da União Europeia, do Parlasul, do Carter Center, da Uniore e do RO JAE-CPLP. Todos vão compor a Missão de Observadores Eleitorais (MOEs). Foram convidados também, integrantes da União Africana e, da Liga Árabe também.
BATALHA das urnas - A decisão do Ministério de Relações Exteriores (Itamaraty), de não conceder vistos a dois observadores do Departamento de Estado dos Estados Unidos às eleições deste ano no Brasil, vem depois de uma série de movimentos para desacreditar as urnas eletrônicas, antes mesmo do pleito. O primeiro deles foi uma reunião na semana passada em que o candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro, criticou as urnas e ainda mencionou, sem qualquer base na verdade, que as urnas brasileiras vêm de uma empresa envolvida em fraudes na eleição venezuelana. A fala de Flávio foi desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que havia se pronunciado a respeito em 2020. O ex-policial e ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, dois dias depois, foi na mesma toada. A suspeita das autoridades brasileiras é a de que os dois enviados do governo Trump viriam ao Brasil justamente para, junto às declarações de Eduardo e Flávio, preparar terreno para, em caso de derrota de Flávio, questionar a integridade das urnas.
VALE lembrar - No site da Casa Branca, o modelo de identificação dos eleitores feito no Brasil, por biometria, é inclusive citado como exemplo para evitar que quem não é cidadão brasileiro possa votar. Apesar disso, entre os integrantes do TSE, muita gente acredita que outras tentativas de desacreditar as eleições vão aparecer. Especialmente, se Flávio derreter nas pesquisas de intenção de voto. Até aqui, porém, Flávio tem superado todas as crises com resiliência. Conseguiu chegar ao final de julho como o candidato oficial quando muitos duvidavam. Agora, começa a próxima batalha.
INCOMODOU... - Esquecido pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, no discurso de abertura da convenção nacional da legenda, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, tem causado certo desconforto no partido de Flávio Bolsonaro. É que, nas últimas semanas, Tarcísio se reaproximou do presidente do PSD, Gilberto Kassab. Muitos bolsonaristas acreditam que o governador fará campanha em carreira-solo e só abraçará a campanha de Flávio quando o candidato estiver em São Paulo.
...E dividiu - Kassab colocou em suas redes uma foto ao lado de Caiado e outra ao lado de Tarcísio, o que incomodou o PL. Oficializado hoje candidato a vice-presidente na chapa de Ronaldo Caiado (PSD) ao Planalto, Kassab ainda aproveitou para dizer com todas as letras que apoia Tarcísio sem exigir nada em troca. Ou seja, se o governador não aparecer na convenção de hoje, está tudo certo.
POR falar em Caiado... - Ronaldo Caiado adotou o tom certo nessa primeira etapa da campanha: Agora, é duelar mais com Flávio Bolsonaro do que com Lula para tentar ultrapassar o filho de Bolsonaro no eleitorado de direita e de centro. E, assim, num segundo turno, ir para o mano a mano contra o petista.
... O desafio está posto - A avaliação de muitos aliados do candidato do PSD é a de que, o candidato de centro-direita que conseguir se aproximar de Flávio até meados de setembro chega ao segundo turno no lugar de Zero Um.
OLHO no chapéu I - Nos bastidores do Planalto, há uma brincadeira relacionando o chapéu do presidente Lula ao seu humor. Quando o presidente usa o adereço de cor clara, é porque ele está no modo “paz e amor”. Quando escolhe o chapéu preto, é porque está irritado com algo — inclusive, os dois momentos mais “agressivos” de Lula foram justamente com o chapéu preto.
OLHO no chapéu II - No início de julho, o presidente estava de chapéu preto, quando fez um gesto obsceno ao rebater o argumento de que “pobre não gosta de coisa boa”. E ontem, Lula usava o mesmo acessório quando comentou o envio de dois funcionários do governo dos Estados Unidos para o Brasil para falar da credibilidade das urnas. “Quem quiser de fora vir se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo: vão apanhar muito aqui nas eleições”, disse.
ENQUANTO isso no Pacaembu... - O presidente da Argentina, Javier Milei, discursou por tanto tempo, que as autoridades no palco não conseguiram ficar quietas, nem prestar atenção total. Lá pela metade, alguns já estavam fazendo selfies com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ou distraídos em conversas paralelas e videochamadas.
Os políticos registraram - Candidata ao Senado por Santa Catarina, Carol de Toni fez questão de comparecer à convenção nacional do PL, enquanto Carlos Bolsonaro, o outro candidato da chapa, mandou um vídeo e não foi até São Paulo abraçar o irmão. As lágrimas de Flávio deixaram a impressão de que brigas antigas de família pesaram na decisão de não comparecer, mas o vídeo indicou uma aproximação entre eles.
USO de IA causa controvérsia - Advogados constitucionalistas e de direito público afirmam que o debate está lançado com o uso inédito de inteligência artificial (IA) para simular a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a convenção do Partido Liberal (PL) realizada ontem, no Mercado Pago Hall, em São Paulo. A tecnologia empregada buscou driblar as restrições impostas pela prisão domiciliar humanitária, permitindo que ele declarasse apoio oficial à candidatura do filho Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Especialista em direito público, a advogada Lívia Medeiros ressalta que o uso de IA, por si só, não é proibido pela legislação eleitoral, mas a avaliação é bem mais ampla. “A eventual exibição de um vídeo criado por inteligência artificial reproduzindo a imagem e a voz de Jair Bolsonaro durante uma convenção partidária pode, em tese, configurar irregularidade eleitoral, mas a resposta depende da análise do contexto e das circunstâncias do caso concreto.” Porém, no âmbito criminal e constitucional, o episódio acrescenta novas camadas de risco para o próprio ex-presidente.
GESTÃO à distância - O escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), localizado em sua residência em Brasília, atua discretamente nos tribunais e é gerenciado à distância por Letícia Caetano dos Reis. Recentemente, emitiu uma nota de R$ 500 mil para uma empresa ligada ao Banco Master. Flávio, que também advoga no STF e STJ, enfrenta investigações sobre suas atividades e mantém sigilo sobre sua lista de clientes.
JANJA muda postura - Janja da Silva, primeira-dama do Brasil, está mudando sua abordagem em relação aos evangélicos, buscando aproximação com o grupo após resistência em 2022. Ela planeja uma reunião significativa em São Paulo, mas enfrenta desafios devido ao seu apoio a um projeto de lei contra a misoginia, que gera resistência entre evangélicos. Essa nova postura visa melhorar a imagem de Lula entre essa parcela do eleitorado.
MICHELLE aproveitou ocasião - Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama, gravou um vídeo de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mencionando-o uma única vez enquanto destacava o PL Mulher e a importância do voto feminino. A gravação foi exibida na convenção do PL, onde Flávio oficializou sua candidatura. Michelle explicou sua ausência no evento por estar cuidando de Jair Bolsonaro e apelou às "mulheres de bem" para influenciar nas eleições, enfatizando uma "guerra espiritual".
LÍDER não foi a convenção - O senador Cleitinho Azevedo, líder nas pesquisas para o governo de Minas Gerais, não compareceu à convenção dos Republicanos, mantendo a indefinição sobre sua candidatura. A ausência ocorre uma semana após a morte de seu irmão. A incerteza paralisa negociações com outros partidos de direita, como o PL, que cogita lançar Flávio Roscoe ou Vittorio Medioli. Marcelo Aro também é considerado como possível candidato.
CONFIRMADO: Anthony Garotinho ao governo do Rio - O ex-governador Anthony Garotinho foi confirmado como candidato ao governo do Rio pelo partido Republicanos, após ter sua inelegibilidade suspensa pelo STF. Em convenção realizada na Tijuca, Garotinho anunciou o coronel Venâncio Moura como vice e defendeu combater três organizações criminosas no estado. A decisão do STF ocorre após suspender a condenação relacionada à Operação Chequinho, permitindo que Garotinho participe das eleições. Os ex-prefeitos Marcelo Crivella, do Rio, e Waguinho, de Belford Roxo, tiveram a candidatura ao Senado homologada na manhã deste sábado durante a convenção, realizada na Tijuca, Zona Norte do Rio.
SÓ faz crescer - O eleitorado feminino no Brasil cresceu e se tornou crucial na corrida presidencial, com 9,1 milhões de mulheres a mais que homens aptas a votar, segundo dados do TSE. Essa maioria feminina tende a favorecer Lula, que possui boa aceitação entre as mulheres, enquanto candidatos como Flávio Bolsonaro buscam conquistar esse segmento. Desde 2018, as diferenças de voto entre os gêneros se acentuaram, em parte devido ao discurso moral de Bolsonaro, que provocou rejeição entre as mulheres. Nas últimas eleições, o PT tem se beneficiado do voto feminino, crucial para a vitória de Lula em 2022. Em resposta, Flávio Bolsonaro tem tentado envolver mais sua esposa na campanha e pediu desculpas públicas à madrasta, Michelle Bolsonaro, em busca de reconciliação e apoio.


