Manchetes dos jornais de domingo -17/08/2025
Resumo de domingo -17/08/2025
Edição de Chico Bruno
Manchetes dos jornais de domingo -17/08/2025
O GLOBO – Vencimento de 1,5 mil patentes vai deflagrar nova onda de genéricos
CORREIO BRAZILIENSE – “Ambiente de guerra tem tudo para atrapalhar CPI”
O ESTADO DE S.PAULO – Estadão mergulha nas redes e acha pedófilos em conteúdo de crianças
FOLHA DE S.PAULO – Economia fechada trava o crescimento e estrangula a renda dos brasileiros
Destaques de primeiras páginas e fatos mais importantes
Genéricos - A indústria farmacêutica nacional se prepara para explorar o fim de patentes de pelo menos 1,5 mil produtos nos próximos cinco anos, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina (Abifina). A entidade não tem uma estimativa exata de qual é o mercado potencial a partir de 2030, mas o presidente-executivo Andrey Freitas acredita que o horizonte seja de “centenas de milhões de reais”. “Essa é uma estimativa conservadora e não considera o desenvolvimento de várias cadeias relacionadas, como de embalagens e infraestrutura de fábricas, que nem temos como quantificar”, afirma. A maior parte dos medicamentos é destinada ao combate ao câncer e, atualmente, alguns deles estão na faixa de R$ 342,7 mil a R$ 726 mil mensais em custo por paciente. A lista de produtos que deixarão de ter exclusividade em breve é extensa e inclui, além dos chamados antineoplásicos, produtos de baixo tíquete médio, como analgésicos, anti-inflamatórios e antibióticos. De acordo com a entidade, são ao todo 186 indicações terapêuticas.
CPMI na tela - Para o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, a comissão do Congresso que investigará as fraudes contra aposentados não trará ganhos para a sociedade, porque dificilmente descobrirá algo além do que já foi apurado pela Polícia Federal e a CGU. “Estou preocupado com o cenário político, que possa contaminar a CPMI, mas estou animado do ponto de vista de que temos uma boa história para contar, favorável ao governo”, enfatizou ao Correio. Queiroz informou que 1,650 milhão de aposentados já foram ressarcidos. Ele também disse que a chegada de 500 médicos peritos ajudará a reduzir a fila do INSS.
Pedofilia – A denúncia do influenciador Felca sobre “adultização” de crianças nas redes sociais revelou o perigo por trás da fórmula secreta de distribuição de conteúdo pelo algoritmo das plataformas. Para entender mais sobre esse mecanismo, o Estadão criou três perfis fictícios no Instagram e TikTok. As contas e as interações foram observadas por quatro dias em períodos de 30 minutos ou mais. Bastaram dez minutos para encontrar mensagens com códigos e comentários maliciosos. Procurados Instagram e TikTok não detalharam os critérios dos algoritmos, mas disseram possuir políticas rígidas para remover conteúdos impróprios.
Protecionismo - O Brasil impõe há décadas barreiras intransponíveis para o seu desenvolvimento e aumento do bem-estar da população por ser uma das economias mais fechadas do mundo. De fora das grandes cadeias produtivas globais e com participação irrisória pouco superior a 1% no comércio mundial, o isolacionismo brasileiro freia o crescimento e estrangula a produtividade e a renda. Desde a década de 1980, o Brasil vive na chamada "armadilha do baixo crescimento". O aumento médio do PIB, que beirou 7,5% entre 1950 e 1980, despencou para cerca de 2,5% a partir de 1981. O fator crucial para a estagnação é a baixa produtividade. Por hora trabalhada, a produtividade cresceu em média apenas 0,5% ao ano entre 1981 e 2023. Enquanto a agropecuária registrou avanço robusto de 6% ao ano, a indústria teve desempenho negativo, com queda média de 0,3% ao ano (-0,9% na indústria de transformação). O setor de serviços, que representa 70% das horas trabalhadas, ficou praticamente estagnado. Sem uma aceleração da produtividade, a melhoria do padrão de vida da população brasileira não ocorrerá, afirmam especialistas.
Alckmin apela por agilidade - O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, pediu, ontem, celeridade para aprovação, pelo Congresso Nacional, do pacote de medidas criado para socorrer exportadores afetados pela taxação de 50% sobre produtos que entram nos Estados Unidos. Ele afirmou que o pacote de medidas anunciado pelo governo federal para apoiar os exportadores que foram prejudicados pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos não trará impacto fiscal. Segundo ele, trata-se de uma antecipação de valores que já pertencem às empresas. “O que estamos fazendo é antecipando algo que vai ser devolvido; recursos que não pertencem ao governo”, disse Alckmin. O pacote de ajuda foi formalizado por meio da medida provisória (MP) do Plano Brasil Soberano, enviada ao Congresso na última quarta-feira. O texto prevê cerca de R$ 30 bilhões em apoio às empresas brasileiras prejudicadas pela sobretaxa de 50% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. Além da MP, o governo encaminhou um projeto de lei complementar que precisa de aval parlamentar.
Zema é candidato - O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), disse, no lançamento da sua pré-candidatura à Presidência da República, ontem, que entra na disputa pelo Palácio do Planalto com o objetivo de livrar o Brasil do “Lulismo, dos parasitas e das facções criminosas”. A fala do governador mineiro deve guiar o tom da campanha eleitoral. Com slogan “O Brasil primeiro” e o discurso de “PT nunca mais”, o governador mineiro disse que está confiante para as eleições de 2026. “Vamos chegar a Brasília para varrer o PT do mapa, para acabar com os abusos de Alexandre de Moraes. Vamos chegar a Brasília para liberar o Brasil. O lulismo está afundando o Brasil e está na hora de virar a página”, disse o governador em evento com apoiadores e políticos do Novo. O discurso de combate às facções criminosas e o reforço da segurança pública também esteve presente na fala do governador mineiro. Zema disse que o Brasil vive “sob a tirania das facções” e que será preciso mobilizar todas as forças de segurança para enfrentar o crime organizado.
Bolsonaro sai de casa para fazer exames - Pela primeira vez fora de casa após decreto de prisão domiciliar, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) passou por uma bateria de exames ontem no Hospital DF Star, em Brasília. A saída foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na última terça-feira, depois de um pedido da defesa do ex-presidente. “A solicitação decorre do seguimento de tratamento de medicamentos em curso, da necessidade de reavaliação dos sintomas de refluxo e soluços refratários, bem como da verificação das condições atuais de saúde”, argumentou a de fesa em despacho enviado ao STF. Bolsonaro chegou às 9h e foi recebido por um grupo de apoiadores, que entoou cantos religiosos, orações e palavras de incentivo. Alguns exibiam bandeiras do Brasil e, outros, dos Estados Unidos. A previsão inicial era de que Bolsonaro permanecesse no hospital por cerca de oito horas. O ex-presidente fez diversos exames, como coleta de sangue e urina, endoscopia digestiva, tomografia de tórax, abdome e pelve, além de ecocardiograma e ultrassonografia de carótidas, próstata e vias urinárias. Segundo boletim médico divulgado no início da tarde, os exames evidenciaram “imagem residual de duas infecções pulmonares recentes relacionadas a episódios de broncoaspiração (quando alimentos, líquidos, saliva ou vômito são aspirados pelas vias aéreas)”. A nota, assinada pela equipe médica do ex-presidente, também detalhou a continuidade de quadros de esofagite e gastrite.
Falta força - O término das mais recentes sessões do Senado Federal sem votar as indicações para as agências reguladoras foi visto como um sintoma da fraqueza do governo no Congresso. O quórum foi diminuindo e quem ajudou o governo foi o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que encerrou a sessão antes que houvesse uma derrota. A presença de Alcolumbre na presidência é considerada fator importante por interlocutores. Ele pode ajudar o Executivo, mas não tem ferramentas para garantir a aprovação de nomes de interesse do governo federal. São 17 nomes para as agências reguladoras e outras instâncias que vão passar pelo crivo do Senado. Se o governo não tiver força, vai ser difícil conseguir aprovar todos.
Deu certo - A missão do agronegócio ao Japão volta para o Brasil com mais um mercado aberto à carne brasileira, em especial, a proveniente dos estados do Sul. Agora, é só acertar a parte burocrática dos contratos.
Melhor aguardar - Com a eleição de 2026 ainda meio embaçada diante da ausência de um nome forte para concorrer à direita e ao centro, os partidos só adotarão uma posição mais incisiva em outubro, depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definir as regras que vão reger o próximo pleito. Até lá, ninguém fechará apoio a este ou aquele nome.
Poucas certezas I - O único movimento mais incisivo virá do União Progressista —PP e União Brasil — nesta semana. Eles farão a convenção que selará a federação e deixarão claro que não jogarão suas fichas na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Poucas certezas II - Outro partido que também avançou uma casa rumo a 2026 foi o PSD de Gilberto Kassab, que já deixou claro que manterá uma distância regulamentar de Lula no primeiro turno da sucessão presidencial e apostará no lançamento de candidatura própria. Só não o fará se o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), for candidato.
Ninguém sai - Os partidos se organizam para se afastar de Lula em 2026, mas não pretendem entregar cargos. A banda do centro toca a seguinte toada: Se Lula quiser, que demita nossos ministros.
Clima esquenta em Pernambuco - Enquanto os partidos esperam, os personagens se enfrentam em outras arenas. Em Pernambuco, por exemplo, opositores do prefeito de Recife, João Campos (PSB), pré-candidato ao governo estadual, atacam em todas as frentes e agora acharam uma brecha. O Tribunal de Contas de Pernambuco (TCPE) divulgou um relatório sobre investigações nas obras de infraestrutura do Parque Eduardo Campos. O documento detalha uma série de irregularidades na execução das obras e investiga pagamentos indevidos por serviços não executados ou sem respaldo contratual, incluindo um adiantamento ilegal e superfaturamento.
Ensaios para 2026 - Alexandre Bettamio, um dos nomes que comanda o Bank of América na área de investimentos, reuniu o Produto Interno Bruto (PIB) paulista, neste sábado, para homenagear o governador Tarcísio de Freitas. E, para desconforto dos bolsonaristas, o convescote ocorre justamente às vésperas do julgamento de Bolsonaro.
E tem mais - A festa reuniu pesos pesados do PIB brasileiro e de instituições financeiras no condomínio Fazenda Boa Vista, onde há alguns meses, o empresário Ricardo Faria, conhecido como o “rei do ovo”, recebeu diversas autoridades em seu aniversário de 50 anos. Naquela oportunidade, Tarcísio já foi aplaudido como “nosso presidente”.
Vale lembrar - Como o leitor da coluna sabe, Tarcísio não é hoje o preferido de Jair Bolsonaro (PL) para representá-lo na eleição de 2026, porque não tem o sobrenome Bolsonaro.
Tem jogo - A possibilidade de Jair Bolsonaro abrir mão de lançar um sobrenome Bolsonaro ao Planalto, optando por Tarcísio, é a hipótese de os partidos de centro lhe darem o direito de lançar candidatos bolsonaristas ao Senado. Se houver esse acordo, tem chance de Jair fechar com o seu ex-ministro.
Eduardo afirma que Moraes e esposa são 'uma pessoa' só - Em nova rodada de conversas em Washington, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) fez um balanço a integrantes do governo Donald Trump da repercussão das sanções dos Estados Unidos no Brasil e discutiu a ampliação de punições a autoridades brasileiras. Em reunião com o secretário do Tesouro, Scott Bessent, Eduardo diz ter enfatizado que os ganhos financeiros da família do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), têm grande participação da mulher do magistrado, Viviane Barci, como advogada. Em paralelo, Eduardo e o empresário Paulo Figueiredo, que também estava no encontro, passaram a percepção de que bancos brasileiros não estão executando as sanções a Moraes pela Lei Magnistky na totalidade. As consequências seriam incluir também Viviane no rol de sancionados para atingir Moraes financeiramente e forçar os bancos a encerrarem contas do ministro. O parlamentar diz ainda que o governo americano estuda uma nova leva de retirada de vistos para os EUA de pessoas que trabalham com Moraes, como juízes, assessores e delegados.
Michelle chama Lula de pinguço - A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro chamou o presidente Lula (PT) de pinguço e cachaceiro, disse que Jair Bolsonaro (PL), inelegível, voltará ao Palácio do Planalto em 2026 e afirmou em agenda no Nordeste que votar mais de uma vez no PT é "burrice política". A fala se deu durante evento do PL neste sábado (16) em Natal, no Rio Grande do Norte, com figuras do partido como o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto. Assim como Michelle, Valdemar citou os EUA, dizendo que o presidente do país, Donald Trump, "se manifesta todo dia a favor de Jair Bolsonaro". Os dois repetiram o discurso de que o ex-mandatário brasileiro é perseguido por desafiar o sistema. Bolsonaro está em prisão domiciliar desde 4 de agosto após o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), ter entendido que ele descumpriu medida cautelar que o proibia de usar as redes sociais.
Retrato do poder - Um único senador controla, por meio de emendas parlamentares, um valor maior do que o orçamento de 44% dos municípios brasileiros. Cada deputado, por sua vez, tem verbas superiores a 14% das cidades, aponta levantamento feito pela Folha com os orçamentos projetados para 2025. Os números ilustram o nível de poder e influência que os congressistas podem concentrar no âmbito local, após a disparada do volume das emendas promovida pelo Legislativo na última década. Cada um dos 81 senadores tem neste ano R$ 68,5 milhões para indicar onde o governo federal deve gastar (valor superior ao de 2.291 cidades), e cada um dos 513 deputados, ao menos R$ 37,1 milhões (acima de 712 cidades). A execução dessas verbas pelo Executivo é obrigatória, e ao menos metade precisa ir para a saúde. No caso dos deputados, esse valor deve ser ainda maior. Em julho, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu distribuir mais R$ 11 milhões "por cabeça" em emendas de comissão, que em tese deveriam ser decididas em grupo, para tentar reforçar sua base na Casa. Somando essa quantia, cada deputado poderá ter nas mãos neste ano R$ 48,1 milhões, mais do que o orçamento de 27% dos municípios —essa última modalidade, no entanto, é de pagamento opcional pelo governo.
Clã Bolsonaro tem 39% - Apesar dos esforços do governo para associar o tarifaço de Donald Trump à atuação da família Bolsonaro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é visto como o principal culpado pela sobretaxa aplicada ao Brasil por 35% dos entrevistados na última pesquisa Datafolha. O ex-presidente Jair Bolsonaro (22%) e seu filho Eduardo Bolsonaro (17%), que está nos EUA e faz lobby no governo Trump pelo endurecimento das medidas punitivas contra o Brasil, são o segundo e terceiro mais citados como principais responsáveis, respectivamente. Juntos, somam 39%. Na pesquisa Datafolha, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes é visto como principal culpado pelo tarifaço por 15% dos entrevistados. Não sabem responder 7%, enquanto para 3% nenhuma das figuras listadas é responsável. Já 1% diz que todos —Lula, Bolsonaro, Eduardo e Moraes— são culpados. O Datafolha realizou 2.002 entrevistas em 113 municípios entre os dias 11 e 12 de agosto. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, num nível de confiança de 95%.
'Road show' da direita: por 2026 - Governadores de direita, incluindo Tarcísio, Zema, Ratinho Jr. e Caiado, intensificam encontros e eventos visando as eleições de 2026, buscando apoio de setores econômicos e criticando o governo Lula. A indecisão de Bolsonaro sobre um candidato atrapalha os planos, enquanto o STF prepara julgamento do ex-presidente. Estratégias incluem alianças e sondagens de opinião, com o senador Ciro Nogueira liderando articulações.
Impeachment de Moraes causa embaraços - A pressão bolsonarista pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF, está criando embaraços para candidatos ao Senado que buscam apoio de eleitores de Jair Bolsonaro em 2026. Em estados como São Paulo e Rio, pré-candidatos são instados a adotar críticas mais fortes ao Supremo. Governadores como Cláudio Castro e Mauro Mendes enfrentam dilemas em relação a essa pauta, enquanto outros candidatos intensificam o apoio ao impeachment para agradar o eleitorado bolsonarista.
Presidente IPG-Instituto João Goulart


