Manchetes dos jornais  de domingo 16 de novembro de 2025 

Manchetes dos jornais  de domingo 16 de novembro de 2025 

 

 

Edição de Chico Bruno                                          

Manchetes dos jornais  de domingo 16 de novembro de 2025       

                      O GLOBO – Facções ameaçam serviços públicos e fiscalização no país, de internet a tráfego aéreo    

 

   CORREIO BRAZILIENSE – “Eleição envenena debate na segurança”        

 

                                                          FOLHA DE S.PAULO – Brasil do emprego recorde mantém informalidade e produtividade baixa                             

 

                          O ESTADO DE S.PAULO – Médicos antivacina faturam com ‘síndrome’ sem comprovação          

 

     Valor Econômico – Não circula hoje               

 

                          Destaques de primeiras páginas, fatos e bastidores mais importantes 

 

Acesso negado - Um problema crônico e agudo no Rio, o veto à ação do poder público em regiões dominadas pelo crime organizado também se tornou recorrente em outros estados, alcançando serviços em várias áreas. Documentos policiais mostram agentes públicos e funcionários de concessionárias relatando ter sido impedidos de executar serviços ou fechar atividades clandestinas de ramos como telefonia, acesso à internet, energia, entre outras. Em dois casos, não foi possível fechar rádios clandestinos cuja operação gerava riscos: no Rio, houve interferência nas comunicações de pousos e decolagens no Galeão; em Cuiabá, o rádio era usado para comunicação entre presos em uma penitenciária vizinha. 

 

Raul Jungmann - Titular da pasta de Segurança Pública no governo de Michel Temer e um dos subrelatores da lei antiterrorismo, o ex-ministro Raul Jungmann critica os interesses eleitoreiros que movem as discussões sobre o enfrentamento ao crime organizado. Considera um “contrassenso” equiparar narcotráfico a terrorismo e condicionar a Polícia Federal à vontade de governadores para combater ilícitos. Jungmann afirma que a esquerda falha ao dar mais atenção ao aspecto social na questão da violência e deixar para a direita a política do “tiro, porrada e bomba”. Na avaliação do ex-ministro, a população aplaude operações violentas porque se sente abandonada. “Qual é o modelo alternativo apresentado para ela?”, indaga. Para Jungmann, há um déficit de credibilidade entre os políticos que propõem ações na segurança pública. Além de uma cooperação nacional no combate às mais de 70 facções criminosas que atuam no Brasil, ele defende uma racionalidade que inclua tanto ações sociais quanto operações de confronto direto com bandidos. “Isso de forma nenhuma significa concordar com o volume extraordinário de mortes (na operação) no Rio de Janeiro”, ressalva. 

 

Recorde micado - Com o nível de desemprego no menor patamar da série histórica, em 5,6% no trimestre encerrado em setembro, o Brasil não tem sido capaz de reduzir a taxa de informalidade, que se mantém perto de 40% da força de trabalho ocupada há uma década. A produtividade média dos trabalhadores também está estagnada. Apesar de o Brasil ter criado 4,6 milhões de vagas com carteira desde 2023, como ainda há um número expressivo de informais no mercado (40,8 milhões, segundo a PnadC do IBGE), eles tendem a puxar a produtividade para baixo. Segundo Silvia Matos, do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, a entrega por hora trabalhada cresceu só 0,3% ao ano nos últimos cinco anos. Mas a renda per capita aumentou 1,7% ao ano, sustentada pelo crescimento da taxa de ocupação (+1,1% ao ano). Ou seja, houve alta expressiva no número de pessoas empregadas em relação ao aumento da população economicamente ativa. "Em resumo, para manter um ritmo de alta da renda per capita a taxas mais elevadas e sem gerar desequilíbrios é crucial que haja aumento da produtividade. Sem isso, não teremos garantia de que o crescimento será sustentável", diz Matos. 

 

Negacionismo mercantil - Médicos brasileiros que boicotaram a vacinação contra a covid-19 e estimularam tratamentos sem comprovação científica durante a pandemia encontraram um novo nicho de influência nas redes sociais: conteúdos, cursos, consultas particulares e venda de medicamentos para tratar o que chamam de "síndrome pós-spike" ou "spikeopatia". Nas redes sociais, em que somam juntos mais de 1,6 milhão de seguidores, os profissionais monitorados pelo Estadão Verifica afirmam ter descoberto em um estudo uma intoxicação por vacinas de RNA mensageiro (mRNA) com sintomas a longo prazo. Eles vendem a ideia de que seria possível tratar a "spikeopatia" com um protocolo. Os cursos divulgados por eles custam até R$ 685, e uma consulta particular chega a R$ 3,2 mil. A existência da "spikeopatia", porém, não é comprovada pela comunidade científica até o momento, e nem mesmo por eles. A hipótese é defendida pelo imunologista Roberto Zeballos, o infectologista Francisco Cardoso e o neurologista Paulo Porto de Melo em um estudo que publicaram na revista IDCases, em junho deste ano. Ela serve de premissa para o tratamento que sugerem no trabalho. O estudo foi contestado e retirado de publicação - isso acontece quando há falhas graves ou evidências de má conduta. 

 

A janela partidária será movimentada - A contar pelos planos de muitos deputados, o período para troca de partido será para lá de movimentado nas legendas mais conservadores. No PL, cresce a insatisfação com o fato de o ex-presidente Jair Bolsonaro apontar as candidaturas para o Senado e para outros mandatos. Na federação União Progressista, que ainda não aparece no rol de federações registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a situação também não é tranquila. Tem muita gente incomodada com os presidentes do União, Antônio Rueda, e do PP, Ciro Nogueira. Muitos acreditam que eles trabalham mais para si do que para o conjunto partidário. 

 

Em tempo - Tem muita gente de olho no PSD de Gilberto Kassab, onde é possível ser governo e oposição, sem o constrangimento de ter o presidente do partido cobrando afastamento, como foi o caso do Progressistas em relação a seus ministros. E hoje, avaliam alguns, uma das legendas mais bem posicionadas rumo a 2026. 

 

O jogo dos filhos I - Parte da prole de Bolsonaro, em especial Eduardo Bolsonaro, pretende esticar a decisão sobre uma candidatura presidencial para março ou abril do ano que vem. Assim, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), terá que resolver a vida “no escuro”. Ou seja: se ficar no governo, descarta de vez uma candidatura ao Planalto.  

 

O jogo dos filhos II - O único que saiu do governo para concorrer ao Planalto e terminou candidato a mais um mandato como governador foi Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul. Obteve sucesso, mas foi preciso muita engenharia política. Tarcísio, se sair para concorrer à Presidência e ver os planos naufragarem por causa dos filhos de Bolsonaro, talvez não tenha tanta sorte. Por isso, muitos querem a decisão dos Bolsonaro sobre candidatura presidencial no mais tardar até janeiro.  

 

Inclua ele fora dessa - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) discorda da tática de Eduardo Bolsonaro em relação a Tarcísio. E, para deixar bem claro, postou uma foto em suas redes sociais em que aparece ao lado do governador e com a inscrição: “Estaremos juntos em qualquer cenário”.  

 

Enquanto isso, no PT... - Com Luiz Inácio Lula da Silva liderando todos os cenários rumo a 2026, está praticamente consolidada a permanência de Geraldo Alckmin na vaga de candidato a vice na chapa do presidente da República à reeleição. No governo, há quem diga que em time que está ganhando não se mexe. 

 

Quem manda - A foto em que o deputado Guilherme Derrite (PP-SP) aparece jantando com os dois ex-presidentes da Câmara Eduardo Cunha e Arthur Lira foi considerada por muitos parlamentares como o “pior dos mundos” para o atual colégio de líderes. Politicamente, passa a ideia de que ambos estão na linha de frente na elaboração do relatório de Derrite, e não os líderes partidários.  

 

Elas discutem a democracia - O Tribunal Superior Eleitoral promove, no dia 24, o evento “Democracia: substantivo feminino”. São rodas de conversa com representantes da sociedade civil, do legislativo e do governo federal. Entre as personalidades confirmadas, estão a ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Macaé Evaristo, a cantora Fafá de Belém, a empresária Luiza Trajano, as atrizes Denise Fraga, Maria Ribeiro e, ainda, a presidente da Rede Sarah, Lúcia Braga. 

 

Única representante - A abertura do seminário estará a cargo da presidente do TSE, Cármen Lúcia, única mulher com cadeira na mais alta corte do país. Os debates vão abordar o preconceito, a violência e o que se aprendeu com o passado e o que é preciso aplicar no futuro da democracia.  

 

As medalhas de Janja - A Ordem do Mérito Educativo, recebida na sexta-feira pela primeira-dama Janja Lula da Silva, foi a quarta honraria que o governo brasileiro deu a ela. A mulher de Lula havia ganhado o Mérito Cultural, o Mérito Oswaldo Cruz, a Ordem do Rio Branco.  

 

As medalhas de Michelle - Janja empatou com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, condecorada no governo de Jair Bolsonaro. Ela recebeu a Ordem do Rio Branco, o Mérito Oswaldo Cruz, o do Judiciário do Trabalho e o da Defesa, fora as honrarias estaduais. 

 

Denúncia do MPF atinge ex-deputado - O ex-deputado estadual fluminense Thiego Raimundo de Oliveira Santos, o TH Joias, foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) junto com 14 pessoas por crimes como tráfico internacional de drogas, comércio ilegal de armas de fogo e munições, contrabando de equipamentos antidrone, corrupção ativa e passiva. Segundo os investigadores, ele seria integrante do núcleo político do Comando Vermelho, responsável por se infiltrar nos poderes Legislativo e Executivo do estado do Rio de Janeiro com o objetivo de proteger os interesses econômicos da facção por meio de conexões políticas. O ex-parlamentar conseguiu se aproximar, inclusive, do governador Cláudio Castro, a pretexto de levar melhorias para localidades dominadas pelo CV. A denúncia do MPF foi encaminhada ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). TH Joias está preso desde setembro por ligações com o Comando Vermelho. Ele também foi denunciado pelo Ministério Público do estado do Rio de Janeiro (MP-RJ), entregue ao Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ). 

 

Marcha leva multidão às ruas de Belém - A Marcha da Cúpula dos Povos, com a participação das ministras Marina Silva (Meio Ambiente e Mu dança do Clima) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas), é a maior mobilização popular da Conferência do Clima das Nações Unidas (COP30) até agora. Para a organização da Cúpula dos Povos, a marcha reuniu cerca de 70 mil manifestantes, na maior mobilização popular da COP30 até agora. O objetivo foi cobrar dos países um roteiro para substituir os combustíveis fósseis por fontes de energia limpa. Além de ativistas contra as mudanças climáticas, participaram da caminhada movimentos sociais como a Caravana das Respostas, o Movimento Sem Terra (MST), comunidades extrativistas e quilombolas e lideranças indígenas. Em discurso aos manifestantes, Marina cobrou que os países desenvolvam uma espécie de “mapa do caminho” para o fim do uso de combustíveis fósseis. Segundo ela, o Brasil é exemplo que pode ser seguido, por ter um roteiro rumo ao desmatamento zero. A Marcha dos Povos marcou o fim da primeira semana da COP30, em Belém. Nos últimos sete dias, negociadores elaboraram textos que serão submetidos, ao longo desta semana, a representantes do alto escalão de governo dos 194 países presentes na conferência para o fechamento de consensos e acordos finais. 

 

A redução de 10% na tarifa de importação cobrada pelos Estados Unidos sobre cerca de 200 produtos alimentícios comercializados com todo o mundo representa um “passo importante” para o governo brasileiro, como disse o vice-presidente da República e Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Geraldo Alckmin, em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, na manhã de ontem. Apesar disso, alguns setores ainda são onerados com uma alíquota de 40%, a partir da decisão do último mês de julho, como é o caso do café e da carne bovina, e sofrem com a perda de competitividade, sobretudo em relação ao primeiro caso. Apesar da redução de 10% na tarifa em vigor, o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, explica que o setor ficou muito preocupado com essa nova medida do presidente Donald Trump. A explicação disso é que, enquanto a alíquota do produto brasileiro passou de 50% para 40%, os principais concorrentes do país, como Colômbia e Vietnã, tiveram a tarifa zerada por meio do mesmo decreto. 

 

Ministro defende industrializar a Amazônia - Em sua passagem pela COP30 em Belém (PA), na última terça-feira (11), o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), Waldez Góes (PDT-AP), disse que é preciso "industrializar a Amazônia" ao ser indagado sobre apuração da Folha que mostrou que mais de 1.600 máquinas pesadas foram entregues na região por meio de emendas parlamentares desde 2015. Góes também defendeu a transferência do programa Calha Norte, tradicional projeto militar existente há 40 anos nos estados da Amazônia Legal, do ministério da Defesa para a pasta que ele comanda, mudança realizada em 2025. Os principais distribuidores de maquinário pesado na região amazônica são exatamente o Calha Norte e a estatal Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), vinculada ao MIDR, que tiveram suas finalidades históricas desvirtuadas nos últimos anos para se tornarem os emendodutos preferenciais dos congressistas brasileiros. O MIDR é o terceiro colocado no ranking das entregas de máquinas desde 2015. Para o Góes, o principal problema ambiental da Amazônia é a falta de saneamento básico. 

 

Auxiliares usam pesquisas para tentar fazer Lula seguir script - Com sua carreira política marcada por discursos de tom emocional, muitas vezes espontâneos, o presidente Lula demonstrou dificuldade, neste terceiro mandato, em seguir roteiros previamente acordados com seus auxiliares. O resultado, em alguns casos, tem sido declarações que acabam ressoando negativamente, afetando sua popularidade. Menos de um ano antes da eleição, o comportamento gerou um alerta no governo, que demonstrou preocupação com os deslizes do chefe do Palácio Planalto. Os Auxiliares dizem saber que não há como controlar completamente as palavras de Lula. Eles reconhecem que, se seguir apenas os roteiros, o presidente pode perder a espontaneidade, considerada um dos pontos fortes de sua atuação política. Diante desse diagnóstico, o plano, de olho na eleição do ano que vem, é tentar controlar as declarações do PT revisando informações baseadas em pesquisas para reduzir os deslizes. 

 

Licenças e 'mandatos express' estão em alta na Câmara - Deputados federais têm utilizado licenças para assumir outros cargos, como secretarias e ministérios, resultando em "mandatos express" na Câmara. Em três anos, foram 128 licenças, superando as 108 do período anterior. Tal prática permite influenciar votações estratégicas, relatar projetos e indicar emendas. Casos como o de Guilherme Derrite, relator de projeto antifacção, ilustram a tendência. Críticas apontam que essa prática, embora prevista, enfraquece a atuação parlamentar contínua e efetiva. 

 

A mesma estratégia - O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, planeja vender a estatal Copasa para levantar R$ 1,4 bilhão para infraestrutura em 2026, ano eleitoral. A estratégia visa apoiar a candidatura do vice Mateus Simões à sucessão estadual. A privatização segue um modelo similar ao adotado por Cláudio Castro no Rio. O projeto enfrenta oposição na Assembleia Legislativa e ainda requer aprovação.

 

Presidente IPG-Instituto João Goulart