Diretor de ‘A Conspiração Condor’ questiona mortes de JK, Jango e Lacerda: ‘Não foi acidente’

Diretor de ‘A Conspiração Condor’ questiona mortes de JK, Jango e Lacerda: ‘Não foi acidente’

Diretor de ‘A Conspiração Condor’ questiona mortes de JK, Jango e Lacerda: ‘Não foi acidente’

Thriller político estreia nesta quinta-feira (9) nos cinemas brasileiros, com direção de André Sturm

 

Foto do perfil do autor - Yasmin Mior

Florianópolis

"A Conspiração Condor" filme brasileiro revisita mortes de JK, Jango e Lacerda.“A Conspiração Condor” filme brasileiro revisita mortes de JK, Jango e LacerdaFoto: Divulgação/ND Mais

Nesta quinta-feira (9), estreia nas salas de cinema brasileiras o filme “A Conspiração Condor”, um thriller político que acompanha as investigações de uma jornalista acerca das mortes dos ex-presidentes Juscelino Kubitschek e João Goulart, ocorridas com meses de diferença durante a ditadura militar.

Nesta segunda-feira (6), o ND Mais conversou com o diretor André Sturm e o questionou sobre o que o levou a contar essa história nas telas.

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Ele destacou que a concepção do filme surgiu após descobrir que as mortes aconteceram em um curto intervalo de tempo.

 

Além dessas, a de Carlos Lacerda, jornalista e ex-deputado federal, também foi considerada. Todas ocorreram em menos de 10 meses. “Não é possível que tenha uma conspiração”, disse. “Uma morte dessa separadamente até podia ser um acidente, mas não as três”, afirmou.

Desde 2019, Sturm se dedicava à ideia, que culminou em um filme menos dramático e mais duro sobre as situações políticas da época.

Ele cita que, como a narrativa é ambientada nos anos 1970, achou essa uma ótima linguagem para abordar a história.

“Nesses filmes dos anos 70, começa a ter o poder, uma força, articulações que engolem os seus personagens, que estão além do conhecimento. Não é o presidente, não é o chefe da polícia, é algo maior. E foi isso que eu quis contar, desta forma, essa história”, diz André.

“A Conspiração Condor” como obra para não esquecer o passado

Em vários momentos de “A Conspiração Condor”, os personagens falam sobre o retorno da democracia.

O regime militar cairia apenas em 1985 no Brasil, mas seus efeitos ainda são debatidos na política brasileira. O diretor comenta que “a gente precisa sempre falar de momentos da história que não foram bons pra gente lembrar, pra gente reavaliar e pra gente evitar que erros do passado aconteçam de novo”.

“A melhor maneira de acertar pra frente é olhar os erros do passado”, frisou. O diretor comentou também sobre a escolha de uma jornalista como figura central na condução dessa história. “Eu queria que a personagem principal fosse alguém, entre aspas, neutro”, disse André.

“Eu não queria uma personagem que já fosse posicionada, que já fosse contra o governo. Eu queria uma pessoa que achasse que a vida estava tudo bem […] e que ela fosse mordida por essa dúvida. O fato de ela ser uma jornalista faria mais sentido, né?”, indaga o diretor.

Ele explica que “os jornalistas aprendem na faculdade que a verdade tem que ser contada. Então, nessa jornalista ficaria mais forte a dúvida e a indignação”. “E acho que, infelizmente, acaba sendo atual quando a gente vê jornalistas, em 2026, sendo perseguidos por publicarem notícias que desagradam poderosos”, afirma.

Das telas às pesquisas

Questionado sobre a intenção por trás do filme, o diretor comentou que “queria fazer um filme que fosse o mais verdadeiro possível”. Ele frisa que, entre os fatos históricos, todos os abordados no filme são verdadeiros. “É claro que tem diálogos e tem situações que a gente inventou”, ressalta.

“Eu queria que as pessoas saíssem do cinema achando que até a Silvana existiu”, brinca André.

Ele comenta que queria que “as pessoas saíssem do cinema querendo saber mais e, portanto, tivesse o efeito de gerar aprendizado e indignação”. “Sempre foi um projeto em que eu queria contar uma conspiração sobre a morte de três homens públicos importantes”, afirmou. Ao público, André deixou uma última mensagem:

André Sturm se dirige ao público antes da estreia de “A Conspiração Condor”Vídeo: ND Mais

As mortes de JK, Jango e Lacerda

Juscelino Kubitschek morreu em 22 de agosto de 1976, em um acidente de carro na Rodovia Presidente Dutra, enquanto viajava de São Paulo para o Rio de Janeiro.

Juscelino Kubitschek presidiu o Brasil entre 1956 e 1961.

Juscelino Kubitschek presidiu o Brasil entre 1956 e 1961Foto: Reprodução/ND Mais

O veículo em que estava, um Opala dirigido por seu motorista, Geraldo Ribeiro, perdeu o controle, atravessou a pista e colidiu com uma carreta; ambos morreram na hora. A versão oficial sempre apontou para um acidente de trânsito, conclusão posteriormente reforçada por investigações e pela Comissão Nacional da Verdade.

Ao longo dos anos, contudo, surgiram suspeitas de que a morte poderia estar ligada a um atentado político.

Menos de quatro meses depois, o ex-presidente João Goulart, conhecido como Jango, morreu em 6 de dezembro, na cidade de Mercedes, na Argentina, onde vivia exilado. A versão oficial aponta que ele foi vítima de um ataque cardíaco enquanto estava em sua fazenda.

João Goulart foi o 24º presidente do Brasil, de 1961 a 1964.

João Goulart foi o 24º presidente do Brasil, de 1961 a 1964Foto: PDT/ND Mais

Com o passar das décadas, entretanto, teorias sugeriram que sua morte poderia estar ligada a um possível envenenamento no contexto da Operação Condor, sem comprovação conclusiva. Carlos Lacerda, por sua vez, morreu em 21 de maio de 1977, aos 63 anos, na Clínica São Vicente, no Rio de Janeiro, vítima de um infarto.

Carlos Lacerda, jornalista e ex-deputado Federal do Brasil.

Carlos Lacerda, jornalista e ex-deputado Federal do BrasilFoto: Wikimedia Commons/ND Mais

Ele sofreu complicações de uma infecção no coração (endocardite bacteriana). Já estava afastado da política e era opositor ao regime militar.