Delcy Rodríguez é empossada como líder interina da Venezuela

Delcy Rodríguez é empossada como líder interina da Venezuela

Delcy Rodríguez é empossada como líder interina da Venezuela

Folha de São Paulo

  • Vice de Maduro diz que assume 'com pesar' enquanto ditador segue em Nova York
  • Juramento foi feito ao lado do irmão dela, reeleito presidente da Assembleia, e acompanhado por filho de Maduro

 

Douglas Gavras

 

Buenos Aires

Enquanto Nicolás Maduro segue em Nova York, onde compareceu perante um tribunal após ser capturado pelos Estados Unidos, a vice do ditador deposto, Delcy Rodríguez, assumiu nesta segunda-feira (5) como líder interina da Venezuela.

Diante dos deputados que acabavam de tomar posse, dois dias após a deposição de Maduro, ela declarou lealdade a Maduro e disse que prestava o juramento "com pesar".

"Venho com pesar, pelo sofrimento causado ao povo venezuelano, por uma agressão militar ilegítima contra a nossa pátria. Venho com pesar, pelo sequestro de dois heróis que são reféns nos Estados Unidos."

Mulher de cabelos pretos e óculos, vestindo vestido verde, sentada em cadeira com detalhes dourados em ambiente interno com madeira escura ao fundo. Pessoas desfocadas aparecem em primeiro plano.

A líder interina da Venezuela Delcy Rodríguez faz juramento na Assembleia Nacional - Federico Parra/AFP

"Mas devo dizer que tenho a honra de jurar, em nome de todos os venezuelanos, pelo nosso pai libertador, Simón Bolívar, cujo sangue libertador corre pelas veias dos venezuelanos. Juro pelo comandante Hugo Chávez, que devolveu a dignidade de milhões de venezuelanos", seguiu.

O Supremo Tribunal havia ordenado que Delcy assumisse o cargo por 90 dias, prazo que pode ser prorrogado. Na cerimônia, ela afirmou que não irá descansar até ver a Venezuela como uma nação livre e independente e garantir a tranquilidade econômica e social do povo venezuelano.

"Juro pelas bases do nosso pai libertador garantir um governo que dê felicidade social, estabilidade e segurança política", disse. "Que juremos como um só país, para levar a Venezuela adiante, nessas horas terríveis de instabilidade."

O juramento foi tomado pelo irmão de Delcy, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, e acompanhado pelo filho de Maduro, o deputado Nicolás Maduro Guerra. No domingo (4), a líder interina pediu a Donald Trump que Venezuela e EUA tenham uma relação equilibrada e respeitosa.

 

A embaixadora do Brasil na Venezuela, Glivânia Maria de Oliveira, compareceu à cerimônia, outro sinal de que Brasília reconhece Delcy como a líder interina do país vizinho.

Delcy transformou-se em uma figura importante na cúpula do chavismo. Ela nasceu em Caracas em 18 de maio de 1969 e foi ministra da Comunicação entre 2013 e 2014, além de chanceler entre 2014 e 2017. Formada em direito, em 2017 tornou-se presidente da Assembleia Nacional Constituinte. Em 2018, Maduro a nomeou vice-presidente, destacando suas qualidades como mulher corajosa e revolucionária.

Desde 2013, ela e seu irmão ganharam destaque na elite do poder venezuelano, sendo responsáveis por decisões importantes e pela ideologia do regime. Rodríguez, que também foi vice de Hugo Chávez, tem um histórico familiar ligado à luta socialista, já que seu pai foi um guerrilheiro marxista.

A partir de agosto de 2024, Delcy passou a comandar o Ministério do Petróleo, lidando com as sanções dos EUA e a indústria petrolífera do país.

Horas antes do juramento de Delcy, na cerimônia de posse dos deputados, coube ao filho de Maduro transformar seu discurso em um manifesto contra a captura de seu pai.

Emocionado, ele dirigiu parte do discurso diretamente ao ditador deposto. "A você, pai, digo que criou uma família de pessoas fortes. A pátria está em boas mãos, pai, e logo vamos nos abraçar aqui na Venezuela", disse, com a voz embargada. "E também nos veremos, Cilia [Flores, mulher de Maduro]."

Ao falar para o Parlamento, Rodríguez pediu que "as lágrimas se transformem em força" e disse que a Venezuela nunca buscou uma guerra.

"Minha função será recorrer a todos os procedimentos, tribunas e espaços para trazer de volta Nicolás Maduro, meu irmão e meu presidente. Falta uma deputada neste lugar, que é a minha irmã, Cilia Flores, que uma flor vermelha em seu lugar nos recorde que estamos em dívida com ela", disse.