Eleições 2026: a difícil missão de eleger um federal pelo DF

Eleições 2026: a difícil missão de eleger um federal pelo DF

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Eleições 2026: a difícil missão de eleger um federal pelo DF

Autor: Chico Sant'Anna0 Comentários

Com as proximidades das eleições, calendário aperta e obriga partidos a tomarem definições de quem será candidato a deputado federal. São apenas oito vagas e para garantir uma, o partido ou federação deverá buscar 207 mil votos. Para isso, precisa de candidatos competitivos.

Por Chico Sant’Anna

O Distrito Federal é tido como a Unidade da Federação onde é mais difícil eleger um deputado federal. São poucas as vagas, oito, e um eleitorado grande, o que amplia o quociente eleitoral. A votação de um deputado eleito na Capital Federal é suficiente para eleger de dois a três deputados em outros Estados. Este ano, eleger um deputado federal em Brasília vai ser um desafio ainda mais difícil do que no último pleito, em 2022. A situação fica ainda mais complexa quando se vê campeões de votos, como Erika Kokai (PT) e Bia Kicis (PL), optado por concorrer ao Senado Federal. Sem grandes puxadores de votos, atingir o quociente eleitoral, que habilita os partidos a conquistarem uma vaga na Câmara dos Deputados, o cenário fica um tanto o quanto aberto

No DF, cada partido ou federação pode inscrever apenas nove candidatos para eleger deputado federal. Neste ano, para atingir o quociente eleitoral o ideal é que cada candidato tenha o potencial de obter mais de 23 mil votos. Não é fácil. Em 2022, dos 588 candidatos inscritos, apenas dez atingiram esse resultado. As estratégias são diferenciadas. Alguns optam por lançar poucos nomes como forma de obter grandes votações em uma só pessoa. Outros preferem a nominata inteira e apostam no somatório de todos os candidatos para obter o êxito.

Além da contagem mínima de votos, os partidos têm a missão de superar as cláusulas de barreira e afastar o risco de perderem o fundo eleitoral e o acesso ao horário político. Cada partido precisa eleger 13 deputados federais ou obter nacionalmente 2,5% dos votos válidos para Câmara, sendo 1,5% em pelo menos nove estados. Dezesseis partidos estão correndo risco: PV, Cidadania, UP, PDT, PCO, PSTU, PSDB, PCdoB, PSB, Avante, Podemos, PRD, PSOL, Solidariedade, Rede e Novo. As cláusulas de barreira visam a redução do espectro partidário que conta com mais de 30 siglas.

Com base nos dados de janeiro, já se verifica alta de 3,18% sobre o universo de eleitores brasilienses de 2022. Isso permite estimar um quociente eleitoral de, pelo menos, 207,3 mil votos.

Quociente eleitoral

No pleito de 2022, 2.118.557 pessoas estavam aptas a votar aqui no DF, 1.607.519 votos foram considerados válidos. Isso representou num quociente eleitoral de 201 mil votos, aproximadamente. Individualmente, apenas Bia Kicis (PL) – 214.733 votos (13,32%); atingiu o mínimo necessário. Todos os demais eleitos tiveram que contar com a ajuda de candidatos correligionários, para juntos, somando todos os votos, atingir a meta. Naquela ocasião, Fred Linhares (Republicanos), 165.358 votos (10,26%); Erika Kokay (PT), 146.092 votos (9,06%) foram os outros campeões de votos.

Assim, vieram na carona, Alberto Fraga (PL), Reginaldo Veras (PV, federado ao PT), Júlio Cesar e Gilvan Máximo (ambos do Republicanos). Posteriormente, Máximo perdeu seu mandato para Rodrigo Rollemberg (PSB), pois a justiça entendeu ter sido aplicada erroneamente a regra eleitoral, na hora de se definir os oito eleitos.

Nesse ano, até janeiro, 2.185.958 eleitores já eram considerados aptos a votar. O quantitativo pode crescer até 6 de maio, data final para se habilitar a votar em 2026. Os dados de janeiro já apontam uma alta de 3,18% sobre o universo de eleitores de 2022, o que nos permite estimar um quociente eleitoral de, pelo menos, 207,3 mil votos. O quociente eleitoral diminui a medida em que haja mais abstenções, votos branco e nulos. Por isso, deixar de votar, ao contrário de prejudicar os candidatos, torna mais fácil atingir o mínimo de votos necessários.

Com a potencial cadidatura de Bia Kicis ao Senado e a possibilidade do deputado Alberto Fraga se transferir para o PSD, de José Roberto Arruda, o PL corre o risco de não eleger nenhum deputado federal em Brasília.

Sem puxadores

O PL, provavelmente, não terá Bia Kicis e corre o risco do perder Alberto Fraga para o PSD, de José Roberto Arruda. Bia Kicis aposta no nome de seu afiliado político, o distrital Thiago Manzoni (PL). Na votação do PPCUB, ano passado, na CLDF, Manzoni ficou conhecido por propor a mudança nas regras urbanas do Plano Piloto de forma a permitir motéis nas áreas escolares das avenidas W.4 e W.5. Para manter as duas cadeiras na Câmara Federal o PL terá que trabalhar duro.

Para mais detalhes sobre as mudanças do PPCUB, leia também:

Ainda não está claro o projeto eleitoral de Fred Linhares, se ele vier novamente para a Câmara Federal, pode facilitar a nominata do partido dele.

O PSB de Rodrigo Rollemberg analisava criar uma federação com o Cidadania, de Cristovam Buarque. Juntos, projetavam eleger um, e com sorte, dois parlamentares federais. O Cidadania, contudo, mudou de comando, voltou para as mãos do ex-senador pernambucano, Roberto Freire, que se inclina mais à direita. Dessa forma, conta Rollemberg, a federação está descartada e a estratégia é atrair Cristovam Buarque para se filiar ao PSB. Com os dois somando votos, e ainda com as candidaturas de Professor Israel e Marcos Wesley, a expectativa é garantir a eleição de um federal, sonhando com a possibilidade de um segundo. Israel e Wesley já são veteranos em eleições, em 2022 concorreram à Câmara dos Deputados, mas não conseguiram os votos necessários.

PSB deseja a mudança de filiação partidária do ex-senador Cristovam Buarque, hoje no Cidadania-DF para, ao lado de Rodrigo Rollemberg, construir uma uma nominata forte à Câmara Federal. Foto de Waldemir Barreto/Agência Senado.

Atualmente, o Cidadania possui uma federação com o PSDB, válida até março. A esta coluna, Cristovam Buarque disse que ainda avalia seu projeto, mas descarta uma candidatura a federal pelo Cidadania sem a federação com o PSB.

Não havendo mudanças no comando do partido, a conjuntura aponta numa manutenção da federação, o que agradaria a Paula Belmonte, candidata dos tucanos ao GDF e que ainda não conseguiu montar uma nominata competitiva ao parlamento federal. O partido garimpa nomes com potencial de votos. Secretário de Segurança Pública do DF, Sandro Avelar – que presidia o PSDB até pouco tempo – deve ser um dos nomes, mas não tem a capacidade de ser o puxador mor de votos, avaliam especialistas eleitorais.

Reguffe está há quatro anos sem mandato. Deseja voltar a ser senador, mas seu partido o deseja na relação de deputados federais. Se for lançado a federal, as apostas indicam que ele se elege e traz outro de carona.

Partido próximo ao PSDB de Belmonte, o Solidariedade de Antônio Reguffe vive um dilema. Reguffe está há quatro anos sem mandato. Deseja voltar a ser senador, mas seu partido o deseja na relação de deputados federais.

Se for lançado a federal, as apostas indicam que ele se elege e traz outro de carona. O Solidariedade está federado ao PRD, de Lucas Kontoyanis, que por sua vez é derivado da fusão do Patriota com o PTB. Reguffe quer ser candidato ao Senado – atrapalhando ainda mais os planos de Ibaneis Rocha. Mas só conseguirá a legenda se demonstrar ter construído uma relação de candidatos proporcionais competitivos.

PT

O Partido dos Trabalhadores, que no DF é federado ao Partido Verde e ao PC do B, tem um desafio semelhante ao de um time de futebol que foi campeão num ano e no seguinte perde seu artilheiro. Erika Kokai, que se elege deputada federal desde 2010, segue para tentar o Senado Federal. Para repetir o desempenho passado, a federação, deve trazer para a reeleição Reginaldo Veras (PV), e os petistas Ruth Venceremos, atual primeira suplente, e o ex-governador Agnelo Queiroz.

Os demais nomes são novatos em disputa proporcional: Rosilene Corrêa, ex-presidente do sindicato dos professores; Márcia Abrahão, a ex-reitora da UnB. Ainda se aguarda a indicação do PCdoB do nome escolhido. Ana Prestes, neta de Júlio Prestes, não concorrerá esse ano. Mesmo com todas as dificuldades, o PT trabalha para ter dois deputados federais eleitos, revela Rosilene Corrêa. João Vicente Goulart, presidente do PCdoB-DF, acredita que os dois eleitos serão Reginaldo Veral e Agnelo Queiroz. Havendo um terceiro eleito, ele acredita que a vaga seria de Ruth Venceremos.

Para o presidente do PT-DF, Guilherme Sigmaringa, o que diferencia o partido em relação aos demais é a força do voto em legenda, no 13. ” O PT tem algo em torno de 67 mil filiações registradas internamente, das quais aproximadamente 30 mil estão formalmente registradas no TRE. Desde a primeira eleição, sempre elegemos deputados federais. Associado a tudo isso, temos o presidente Lula e as realizações do seu governo, com forte impacto no DF” -comenta ele.

Na federação Psol-Rede, o distrital Fábio Félix, campeão de votos para distrital, em 2022, terá pela frente a árdua missão de puxador de votos e assegura para o partido o seu primeiro deputado federal pelo DF.

Correndo na mesma raia eleitoral do PT, a federação Psol-Rede virá com o distrital Fábio Félix, campeão de votos para distrital, em 2022. Terá uma missão árdua pela frente. A relação deve trazer ainda a presidente da seção-DF da Associação Brasileira de Enfermagem, Karine Fonseca, e Madu Krasny, uma liderança do movimento LGBTQIA+, que conta com o apoio dos deputados federais Erika Hilton e Pastor Henrique Vieira e do ministro Guilherme Boulos.

O partido perdeu importantes nomes que poderiam ajudar na obtenção do quociente eleitoral. Marivaldo Pereira voltou para o PT, Raphael Sebba, para o PSB. Thiago Ávila, um dos líderes da Flotilha da Paz de ajuda ao povo de Gaza, deixou o partido. O mesmo ocorrendo com Fátima Souza, que foi candidata ao GDF em 2018.

Contagem regressiva

Nas próximas semanas, os arquitetos eleitorais estarão em campo para atrair nomes competitivos. Muitos deles só tomam decisão a luz do conhecimento de quem será o candidato ao GDF e ao Senado. As indefinições de José Roberto Arruda e mesmo de Ibaneis Rocha e Celina Leão atrapalham as escolhas. Promessas de tempo de TV e recursos financeiros também são fortes argumentos na hora de um candidato tomar decisão sobre seu destino.

Assim como no futebol, a mudança partidária de quem já tem mandato tem uma janela de tempo. Serão 30 dias em março. Até lá, muita gente poderá vestir uma camisa de time diferente do atual. Só a partir de 20 de julho, e até 5 de agosto, é que os partidos e federações homologarão suas candidaturas. Esse será um novo momento para atrair candidatos, mas nesse caso deverão ser pessoas não detentoras de mandatos por outros partidos.