A ditadura matou JK
A ditadura matou JK
O carro foi sabotado no Hotel-Fazenda Villa-Forte

Autor
Alex Solnik é colunista do Brasil 247 e comentarista na TV 247, é jornalista e escritor. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos"

Juscelino KubitschekCrédito: Reprodução
No evento que vai acontecer hoje, a partir das 19h, na Câmara Municipal de São Paulo, não serão apenas lembrados os 50 anos da morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek. Agora não há mais dúvida de que a sua morte não foi acidental, mas proposital. O “acidente” em que o Opala no qual viajava de São Paulo ao Rio de Janeiro chocou-se, às 18h do dia 22 de agosto de 1976, com a carreta que vinha na pista Rio-São Paulo, ocorreu em razão de uma sabotagem no automóvel perpetrada no estacionamento do Hotel-Fazenda Villa-Forte, de onde o Opala saiu três minutos antes do evento fatal.
Agora também se sabe — e será revelado no meu próximo livro, sobre a morte de Jango — que o hotel-fazenda era a fachada de uma agência clandestina do SNI, comandada pelo proprietário, o brigadeiro Newton Villa-Forte, chefe do agente especial “Laércio”, que, além de atirador de elite, aprendeu a sabotar veículos no Uruguai, tendo feito o serviço no carro de um aliado de Jango, que, tal como JK, foi assassinado.
No evento de hoje, será anunciado o novo atestado de óbito de Juscelino, com a definição correta do motivo de sua morte. Devemos agradecer ao ex-secretário de JK, Serafim Jardim, ao jornalista Ivo Patarra e ao relator da Comissão da Verdade Vladimir Herzog, Gilberto Natalini, incansáveis na luta pela revisão histórica, ao perito Sérgio Ejzenberg, que apontou a sabotagem como a causa principal, e à Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, que acatou as conclusões da perícia.
Tanto JK como Jango foram assassinados pela ditadura militar, naquele momento sob o comando do general Ernesto Geisel, então presidente da República, e do general João Figueiredo, então chefe do SNI. Eles são os dois principais responsáveis pelos assassinatos dos ex-presidentes.


