Toffoli diz que recebeu dinheiro por ser sócio da empresa que vendeu resort a fundo de Vorcaro

Toffoli diz que recebeu dinheiro por ser sócio da empresa que vendeu resort a fundo de Vorcaro

Toffoli diz que recebeu dinheiro por ser sócio da empresa que vendeu resort a fundo de Vorcaro

  • Nome de ministro não aparece na companhia porque ela é uma Sociedade Anônima
  • Ele deu a explicação a interlocutores depois que a PF começou a apurar a transferência de recursos

Mônica Bergamo

 

Mônica Bergamo

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli recebeu dinheiro da Maridt, que vendeu sua participação no resort Tayayá em 2021 para um fundo da teia do banqueiro Daniel Vorcaro.

Ele disse que isso ocorreu por ser sócio da empresa junto a outros familiares.

Dois homens sentados, um deles em foco olhando para o lado direito, veste terno azul escuro, gravata azul e toga preta. O outro homem, à esquerda, está desfocado, careca e também usa terno azul com gravata.

O ministro Dias Toffoli em sessão plenária do STF - Pedro Ladeira/Folhapress

A explicação foi dada por ele a interlocutores depois que a Polícia Federal passou a apurar a transferência de recursos para o magistrado.

É a primeira vez que o magistrado detalha seu envolvimento com o resort e a companhia dos irmãos.

De acordo com a explicação dada por Toffoli, ele é sócio há vários anos da Maridt, que seria uma típica empresa familiar.

Seu nome não aparece nos documentos públicos da empresa, no entanto, porque ela é uma Sociedade Anônima de livro —em que o nome dos acionistas não é acessível a terceiros, como nas companhias abertas.

Por isso apenas o nome de dois de seus irmãos são públicos, por serem eles os administradores da empresa.

De acordo ainda com Toffoli, todas as transferências de recursos, feitas ao longo de diversos anos, foram lícitas e declaradas à Receita Federal. Têm origem e destino rastreáveis.

A Maridt era dona de 33% do resort Tayayá, que foi vendido em 2021 para o fundo Arleen, parte de uma teia controlada pelo banco Master.

O ministro afirmou a interlocutores também que o próprio fundo já vendeu as ações para terceiros, e com lucro. O negócio, portanto, teria sido lícito.

Na época, Vorcaro não frequentava as páginas policiais e era considerado um banqueiro em ascensão.

O ministro apontou também nos diálogos que todos os pedidos feitos pela Polícia Federal contra Vorcaro foram deferidos por ele —entre outros, novas buscas e apreensões nas investigações que apuram irregularidades na condução do Master.