Resumo de quarta-feira dia 03/09/2025 (STF Julga tentativa de golpe)
Resumo de quarta-feira dia 03/09/2025 (STF Julga tentativa de golp

Edição de Chico Bruno
Manchetes dos jornais
Valor Econômico – PIB desacelera no 2º tri e cresce 0,4%, com perda de fôlego da demanda interna
FOLHA DE S.PAULO – Moraes diz que só punição pacifica o país; Motta admite avaliar anistia
O ESTADO DE S.PAULO – Moraes diz que ‘impunidade’ não trará ‘pacificação’ do País
O GLOBO – PGR pede condenação de réus, e Moraes rechaça ingerência externa
CORREIO BRAZILIENSE – Moraes e Gonet adotam tom duro e rechaçam impunidade
Destaques de primeiras páginas e fatos mais importantes
PIB desacelera no 2º trimestre - A economia brasileira perdeu força no segundo trimestre, confirmando a perspectiva de desaceleração ao longo de 2025. Houve um pequeno recuo da agropecuária, do lado da oferta, e uma queda mais forte do investimento, do lado da demanda. Entre abril e junho, o PIB cresceu 0,4% em relação ao trimestre anterior, após avançar 1,3% de janeiro a março. A agropecuária, que liderou a expansão no primeiro trimestre, com alta de 12,3%, recuou 0,1% no período de abril a junho, um desempenho bem mais fraco, mas superior ao tombo de 1,7% esperado pelos analistas. Já o investimento caiu 2,2%, depois de uma série de seis altas consecutivas. Os juros altos contribuíram para a desaceleração da atividade, como fica claro no desempenho da demanda doméstica. Além da queda do investimento, o consumo das famílias passou de uma alta de 1% no primeiro trimestre para um avanço de 0,5% no segundo. A demanda mais fraca levou a um recuo de 2,9% nas importações. Como ao mesmo tempo as exportações subiram 0,7%, o setor externo teve contribuição positiva para o PIB de, 0,7% ponto percentual. Do lado da oferta, o maior destaque foram os serviços, que avançaram 0,6%, reflexo do mercado de trabalho ainda forte. A indústria cresceu 0,5%, impulsionada pela alta de 5,4% do setor extrativo - já a indústria de transformação e a construção, mais sensíveis aos juros altos, recuaram 0,5% e 0,2%, respectivamente. A economia registra um período longo de expansão no pós-pandemia, de 16 trimestres seguidos de alta na comparação com o trimestre anterior - a última queda foi de 0,6% no segundo trimestre de 2021. Para o ano, a expectativa é de um crescimento acima de 2%, talvez perto de 2,5%.
Tom forte - No primeiro dia de julgamento, no Supremo Tribunal Federal (STF), de oito acusados de tentativa de golpe de Estado, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro, o ministro-relator do processo, Alexandre de Moraes, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, fizeram discursos contundentes contra a suposta trama, articulada entre 2021 e 8 de janeiro de 2023, para impedir que Lula governasse o país. Moraes reforçou a solidez das instituições, que resistiram aos ataques, e aproveitou para criticar a ingerência do presidente dos EUA, Donald Trump, em assuntos brasileiros. Ele também atacou as propostas para anistiar eventuais condenados. “A história nos ensina que a impunidade, a omissão e a covardia não são opções para a pacificação”, disse. Autor da denúncia, o PGR Paulo Gonet disse que é “imperativo” punir a “tentativa frustrada de ruptura da ordem democrática”. Além de pedir a condenação dos réus do “núcleo crucial”, reafirmou que Bolsonaro era líder do movimento golpista.
“A soberania nacional jamais será negociada” - No primeiro dia do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de mais sete réus, na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), o relator do processo, ministro Alexandre de Moraes, mandou uma série de recados, inclusive à tentativa de interferência do governo americano no processo. Ele reiterou a força das instituições brasileiras, que evitou novo golpe de Estado, e destacou que a impunidade “deixa cicatrizes traumáticas na sociedade e corrói a democracia” Moraes ressaltou que “condutas dolosas e conscientes”, como as sanções dos Estados Unidos ao Brasil para tentar frear o processo contra Bolsonaro, não vão interferir no dever do STF. Ele sustentou que todos os réus serão julgados de forma imparcial, como qualquer cidadão, sem que a Corte ceda a pressões internas ou externas.
Moraes cita presença de Fux em todos os depoimentos - O ministro Alexandre de Moraes (STF) mandou um recado sutil para o colega Luiz Fux durante a leitura de seu relatório nesta terça (2), ao lembrar que ele acompanhou presencialmente todos os depoimentos de testemunhas do julgamento sobre a suposta trama golpista. Para um observador, o objetivo foi desestimular Fux de pedir vista, hipótese considerada remota, mas não totalmente descartada. Por esse raciocínio, ficaria difícil para o ministro tomar essa atitude, que em tese seria para estudar melhor o processo, tendo acompanhado tudo de perto. Um pedido de vista de Fux empurraria o julgamento para 2026, o que é visto com bons olhos pelos bolsonaristas.
Aliado de Trump rebate Moraes - Ex-assessor do presidente americano Donald Trump, Jason Miller reagiu, ontem, aos comentários do ministro Alexandre de Moraes, do STF. O norte-americano afirmou que “não negocia com terroristas”, em resposta à declaração do magistrado de que “a soberania jamais será negociada”. Na rede social X, Miller escreveu, em uma publicação compartilhada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro: “Observado. E seria sensato que Alexandre soubesse que os Estados Unidos não negociam com terroristas”.
Gonet: é “imperativo” punir - O procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, reiterou, ontem, o pedido de condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e da cúpula de seu governo, incluindo generais, por participação na tentativa de golpe de Estado. Segundo a de núncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), o chamado “núcleo crucial” conduziu a ofensiva antidemocrática, que teve início em 2021, resultando nos ataques violentos de 8 de janeiro de 2023, quando uma multidão de extremistas invadiu e depredou as sedes dos Três Poderes, em Brasília. Ao apresentar os argumentos na Primeira Turma do STF, Gonet avaliou como “imperativo” punir o que chamou de tentativa frustrada de ruptura da ordem democrática.
Delação de Cid sob ataque - O primeiro dia do julgamento, no Supremo Tribunal Federal (STF), dos integrantes do “núcleo crucial” da tentativa de golpe de Estado, foi marcado pela dúvida em relação à delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid. Enquanto os advogados do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro defenderam a validade do acordo fechado com a Polícia Federal, a defesa do almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, a atacou diretamente e levantou a possibilidade de que seja anulada. Não é de agora que o acordo fechado entre o tenente-coronel e a PF é motivo de contestação. Ao apresentar a denúncia, em 14 de julho, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, sugeriu que os benefícios concedidos a Cid sejam reduzidos, com a pena diminuída ao patamar mínimo previsto em lei (um terço da condenação), em vez do perdão judicial ou de uma pena mais branda — conforme solicitam seus advogados. Por ser o delator, a equipe de Cid abriu as sustentações orais. O advogado Jair Alves Pereira fez questão de assegurar que o tenente-coronel não sofreu qualquer tipo de coerção ao longo dos depoimentos que prestou, como alegam outros réus, e rebateu críticas ao número de oitivas convocadas pela PF. Ele lembrou que o militar participou de 11 sessões com os investigadores, em grande parte, para reconhecer pessoas e locais relacionados aos atos golpistas. “Depois de ele estar com cautelares diversas da prisão, afastado de suas funções, pediu baixa do Exército. E agora, ao final, o Estado diz: ‘Não, realmente, tu me ajudaste, tá tudo certo, mas eu vou te condenar’. Se fizermos isso, acabou o instituto da colaboração premiada. Ou ele vale, ou ele não vale”, apontou Jair Pereira.
Reação a favor das urnas - A ministra Cármen Lúcia, decana da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), deu uma bronca no advogado Paulo Renato Garcia Cintra Pinto — que representa o deputado licenciado e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem — na sessão dos oito réus por tentativa de golpe de Estado. Depois de citações reiteradas do advogado ao voto impresso, a magistrada defendeu o processo eleitoral brasileiro, enfatizando que o sistema é “plena mente auditável”. Cármen, que sucedeu ao ministro Alexandre de Moraes na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), destacou, para “ficar claro” a pessoas que acompanham o julgamento, que “uma coisa é eleição com voto auditável e outra coisa é o voto impresso”. A ministra lembrou os riscos do voto impresso, relacionado à violação do sigilo da escolha do eleitor.
Provocações e ofensas na porta de Bolsonaro - Apoiadores de Jair Bolsonaro e manifestantes contrários se enfrentaram, ontem, diante do condomínio onde mora o ex-presidente, no mesmo momento em que o Supremo Tribunal Federal (STF) iniciava o julgamento dos oito réus por tentativa de golpe de Estado. A confusão começou a partir do momento em que integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Teto (MTST) estenderam faixas e um enorme boneco inflável retratando Bolsonaro com roupa de presidiário e de tornozeleira eletrônica. Indignados, os bolsonaristas decidiram reagir. Houve troca de insultos e empurrões, e a Polícia Militar precisou intervir para evitar o confronto físico entre os dois lados. Ninguém foi detido. Segundo o MTST, aconteceram manifestações em várias cidades pedindo a prisão do ex-presidente e, segundo os organizadores, se repetirão hoje — quando a defesa de Bolsonaro apresentará os argumentos à Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
Lula: “Se é inocente, prove” - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a afirmar, ontem, que Jair Bolsonaro está sendo julgado no Supremo Tribunal Federal (STF) com todas as garantias que ele não teve, quando foi preso em Curitiba, pela Operação Lava--Jato. Ao deixar o velório do jornalista Mino Carta, em São Paulo, frisou que “é só isso o que desejo para mim e para qual quer inimigo meu: apenas o direito à presunção de inocência para que o Brasil fique sabendo da verdade”. “Se é inocente, prove que é inocente. Prove que não tem nada a ver com isso e está de bom tamanho. O que eu espero é isso: que seja feita a justiça, respeitando o direito da presunção de inocência de quem está sendo julgado”, disse. Lula comentou, ainda, que não há necessidade de temer sanções dos Estados Unidos por causa do julgamento de Bolsonaro. Ele reiterou que o “Lula paz e amor” está de volta para negociar com o presidente norte-americano Donald Trump.
Muito além do 8 de Janeiro - Os políticos que acompanharam de perto o julgamento notaram que a peça da Procuradoria-Geral da República ajusta o foco nos movimentos para desacreditar o processo eleitoral e documentos que não têm relação direta com o quebra-quebra do 8 de janeiro. Assim, conforme avaliam alguns juristas, cairá por terra uma das linhas de defesa de Jair Bolsonaro, de que o ex-presidente não estava no Brasil.
Ficha Limpa na corda bamba - A aprovação do projeto que puxa a contagem dos oito anos da inelegibilidade a partir da condenação e não mais o início do cumprimento da pena é parte do pacote da blindagem dos políticos. Assim, em caso de processos em primeira instância, quando a condenação chegar ao STF, é bem capaz de o político já estar livre.
Oposição, mas depende - A coluna quis saber dos deputados do União Brasil se eles deixariam de votar com o governo. A resposta foi um sonoro “não”. A ala governista pretende continuar firme ao lado de Lula. Quanto ao líder do partido, Pedro Lucas, a ideia é que a bancada avalie projeto a projeto. Ou seja, o governo viverá a cada dia a sua aflição.
Agricultura e a COP - Entre as propostas que o governo pretende aprovar até a COP30, está a “Política Nacional de Fomento à Agricultura Regenerativa”, definida no projeto 1787/2025, citado no CB Talks, sobre “a soja e os desafios da transição da agricultura brasileira”. Resta saber se haverá clima para colocar o texto na Ordem do Dia. Até aqui, não houve sinal de aprovação.
Otimismo - O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ, foto), disse à coluna que conversou por telefone com o governador de São Paulo e elogiou o trabalho do ex-ministro de Bolsonaro na articulação pela anistia. Deputados da bancada acham importante esse apoio de Tarcísio devido à influência do gestor do estado mais populoso do país.
Defesa tardia - Advogado do almirante Almir Garnier, o ex-senador Demóstenes Torres foi visto por colegas de profissão como alguém que confundiu o púlpito da sustentação oral com a tribuna do Senado. Ele só entrou “propriamente na defesa” do seu cliente depois de falar por mais de 20 minutos sobre os ministros do STF e projetos do tempo de Senado.
E tem mais - Mais para o final, lembrou de votações do passado sobre o voto impresso e saiu-se com esta: “quem sepultou o voto impresso fui eu”.
Um candidato sob julgamento - A presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em Brasília foi a maior novidade do primeiro dia do julgamento do núcleo central acusado de tentativa de golpe de estado. Conforme apurou a coluna, Tarcísio cobrou de seu partido, o Republicanos, que, da mesma forma que ele vem sendo chamado a se posicionar de maneira mais contundente numa candidatura presidencial, é preciso gestos dos partidos, no sentido de marcar distância de Lula. Por exemplo, apoiar a anistia aos enroscados no 8 de janeiro e fincar os dois pés na oposição. Se querem que ele seja candidato, que comecem a ajudá-lo a fechar a direita e o centro ao seu lado. No papel de “grande salvador” da anistia e, por consequência, de Bolsonaro, Tarcísio teria espaço para conquistar o apoio dos filhos do ex-presidente.
Nem tanto - O que se diz nos bastidores é que o apoio do centrão à anistia vai custar a inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro. Eles conseguem tirar a condenação, mas ele cumpre o tempo sem poder concorrer eleições. A oposição trabalha com a ideia de um texto mais palatável ao centro, leia-se Republicanos, PP e União Brasil, a fim de garantir a aprovação e evitar brechas para que o Supremo Tribunal Federal julgue uma inconstitucionalidade.
Avança pressão sobre anistia - Os partidos de oposição intensificam a pressão sobre o Congresso Nacional para pautar a votação do projeto de lei que anistia os envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou que está em elaboração um novo texto de anistia “ampla, geral e irrestrita” que será divulgado nos próximos dias. Nele, será incluída expressamente uma referência ao ex-presidente. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), desembarcou em Brasília para reforçar a campanha. O PL, partido de Jair Bolsonaro, cobra celeridade na discussão, enquanto do lado oposto, o PT afasta a hipótese no momento em que o Supremo Tribunal Federal (STF) julga o ex-ocupante do Palácio do Planalto e outros sete réus acusados de tentativa de golpe de Estado. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), reconheceu a pressão para pautar o tema, mas sinalizou que pretende ampliar as conversas. Ao mesmo tempo, conversou com o governador de São Paulo por telefone sobre o tema.
Morre Mino Carta - Aos 91 anos, morreu ontem o jornalista Mino Carta, nascido Demétrio, um dos mais influentes do jornalismo brasileiro, fundador da Veja, Istoé, Quatro Rodas e Carta Capital. Ele estava internado há duas semanas na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Sírio-Libanês em São Paulo, enfrentando uma série de problemas de saúde. A morte foi confirmada pela Carta Capital e gerou comoção no mundo político. Para o presidente da República e aliados, o país per de um símbolo da defesa da democracia e da luta contra a ditadura e o autoritarismo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, amigo de Mino há cinco décadas, cancelou compromissos de última hora e embarcou para a capital paulista para participar do funeral, realizado no Cemitério São Paulo. Nas redes sociais, Lula lamentou a perda do jornalista, que conheceu quando ainda atuava no campo sindical, e lembrou: “Eu, como liderança política, ele, como um jornalista que, sem abdicar de sua independência, soube registrar as mudanças do Brasil. Vivemos juntos a redemocratização, as Diretas Já, as eleições presidenciais e as grandes transformações sociais das últimas décadas”.
Ritmo mais fraco - Indicador de riqueza do país, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,4% no segundo trimestre do ano, na comparação com os três meses anteriores, totalizando R$ 3,2 trilhões, conforme dados divulgados, ontem, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nos 12 meses terminados em junho, o Brasil acumula alta de 3,2%. O resultado do trimestre ficou ligeiramente acima da mediana das estimativas do mercado para a variação trimestral, de 0,3%, mas confirmou a tendência de desaceleração em relação à alta revisada de 1,3% no PIB de janeiro a março, em grande parte, devido aos impactos da política monetária do Banco Central. O número do primeiro trimestre revisado ficou abaixo da alta de 1,4% estima da anteriormente.
PDT filia ex-prefeito de BH Alexandre Kalil - O presidente do PDT, Carlos Lupi, anunciou nesta terça-feira (2), durante reunião com a bancada de deputados e senadores do partido, a filiação do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil. A ideia é que Kalil dispute governo ou Senado. A definição será construída junto com o partido. No começo de agosto, Kalil disse ao Painel que queria fazer uma campanha de centro ao governo de Minas Gerais em 2026, equidistante de lulistas e bolsonaristas. Ele foi eleito prefeito de Belo Horizonte em 2016 e reeleito em 2020, no PSD. Em 2022, o ex-prefeito de Belo Horizonte perdeu no primeiro turno para o atual governador, Romeu Zema (Novo). Também em agosto, ele foi condenado por ato de improbidade administrativa dolosa e teve os direitos políticos suspensos por cinco anos. A defesa informou que irá recorrer da sentença.
Senado aprova projeto que limita Ficha Limpa - O plenário do Senado aprovou nesta terça-feira (2) o projeto que flexibiliza a Lei da Ficha Limpa e limita a inelegibilidade de políticos condenados a oito anos. O texto aprovado promoveu uma alteração no trecho que abria brecha para beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O projeto foi aprovado por 50 a 24, em votação híbrida e que acontece enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) realiza o primeiro dia do julgamento da tentativa de golpe de Estado, no qual Bolsonaro é réu. Como já foi aprovado pela Câmara dos Deputados, o texto segue para sanção ou veto do presidente da República.
Senado aprova PEC dos Precatórios - O Senado aprovou, nesta terça-feira (2), a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que cria novas regras para os precatórios (como são chamadas as dívidas judiciais da União, dos estados e dos municípios) com um dispositivo que permite ao governo federal um gasto extra de R$ 12,4 bilhões em 2026, ano das eleições. A votação começou em julho deste ano, mas travou diante do impasse sobre a inclusão ou não de dívidas da União na regra fiscal. Nesta terça-feira (2), a deliberação foi reiniciada justamente pela deliberação de um destaque que queria derrubar essa possibilidade, mas que foi rejeitado por um placar apertado, de 49 a 28 —exatamente o número necessário para que o dispositivo fosse mantido. A vitória do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aconteceu mesmo com posicionamento contrário de União Brasil e PP, partidos que anunciaram nesta terça seu desembarque do Executivo. Já aprovada pela Câmara, a proposta passou pelos dois turnos em sequência e agora vai à promulgação pelo Congresso Nacional.
Centrão quer poder para Congresso demitir comando do BC - O PP e outros partidos do centrão desencadearam uma ofensiva na Câmara dos Deputados para aprovar um projeto de lei que dá poderes ao Congresso Nacional para demitir diretores e o presidente do Banco Central. A articulação ocorre no momento em que o BC realiza a análise final da operação de compra do banco Master pelo BRB (Banco de Brasília). Anunciada no final de março, a operação é cercada de desconfiança no mercado e aguarda a aprovação pela autoridade monetária. A expectativa é que a decisão da diretoria de aprovar ou negar ocorra nesta semana, o que aumentou a pressão sobre o diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, Renato Gomes. A sua estrutura é responsável por fazer ao colegiado de diretores do BC a recomendação sobre a operação. Ele é um dos mais resistentes à aprovação do negócio com o Master, cujo dono é o banqueiro Daniel Vorcaro, que tem relação próxima com políticos do centrão, principalmente o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI). Ele é apontado, como um dos articuladores da votação de urgência do projeto. O projeto desengavetado pelos parlamentares do centrão foi apresentado originalmente pelo ex-deputado Camilo Capiberibe (PSB-AP), no âmbito das discussões sobre a autonomia da instituição.
Senado aprova projeto que fecha cerco a 'devedor contumaz' - O Senado aprovou um projeto de lei que endurece as regras contra o "devedor contumaz", visando empresas que sonegam impostos de forma planejada. A proposta, que segue para a Câmara, proíbe benefícios fiscais e participação em licitações para esses devedores. O projeto surge após a Operação Carbono Oculto, que revelou sonegação bilionária ligada ao PCC, e inclui exigências rigorosas para o setor de combustíveis.
União-PP sai do governo, mas ministros resistem - As cúpulas nacionais do PP e da União Brasil decidiram ontem proibir todos os membros de ocupar cargos no governo federal. A decisão, que ainda precisa ser votada pelas Executivas Nacionais das duas siglas, afeta os ministros do Esporte, André Fufuca, do PP, e do Turismo, Celso Sabino, da União. O veto incluirá apenas filiados e não deve chegar a cargos indicados pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e pelo ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). Alcolumbre patrocinou os ministros das Comunicações, Frederico Siqueira Filho, e o ministro da Integração Nacional, Valdez Góes. Lira nomeou o presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira. Mesmo com o anúncio, os dois ministros mantiveram suas agendas e demonstraram alinhamento com o governo.
Ex-assessor acusa Moraes de adulterar relatório para justificar ação da PF - O perito criminal Eduardo Tagliaferro, que foi chefe da assessoria de combate à desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acusou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de adulterar relatório técnico para justificar uma operação da Polícia Federal. Em depoimento por videoconferência na Comissão de Segurança do Senado, presidida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Tagliaferro disse ainda que o ministro do STF montou uma força-tarefa informal no TSE e no Supremo para monitorar pessoas e emitir certidões sem provas materiais. Segundo Tagliaferro, houve uma “maracutaia judicial” de Moraes com direcionamento de “cunho político” para atentar com as eleições presidenciais de 2022. O ministro Moraes ainda não se manifestou. “Foi pedido para que se confeccionasse um parecer, relatório, com data retroativa, e eu assinando pelo Supremo Tribunal Federal, ao qual eu não era nomeado”, disse Tagliaferro. O relatório em questão foi elaborado em agosto de 2022 e se refere a uma matéria publicada pela coluna de Guilherme Amado, no Metrópoles, em que empresários pediram golpe de Estado em mensagens do WhatsApp. Uma operação da PF foi feita naquele mesmo mês contra os empresários.
André Mendonça deve rejeitar pedido de militar - O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve rejeitar um pedido feito por um réu da ação da trama golpista para suspender o processo. O tenente-coronel Hélio Ferreira Lima, kid preto do Exército, alegou ilegalidades em sua prisão, ordenada pelo ministro Alexandre de Moraes. Segundo colegas, Mendonça avalia que há diversos precedentes da Corte que vetam esse expediente contra decisões de outro ministro. Interlocutores de Mendonça não veem chance de prosperar a medida da defesa do militar ou tentativas semelhantes de outros réus. E citam como exemplo um pedido protocolado há dois meses e sem decisão: o ex-assessor Internacional da Presidência Filipe Martins também pediu a anulação do processo. Para Mendonça, essas ações perderam o objeto e contrariam a jurisprudência do STF, segundo colegas do magistrado.
Presidente IPG-Instituto João Goulart


