Davi Alcolumbre já havia dito a aliados que não queria discutir a redução da jornada de trabalho neste ano eleitoral.
Mas a PEC 6x1 ganhou tração política suficiente para tornar improvável qualquer tentativa de barrá-la por completo, Marianna Holanda escreve no JOTA PRO Poder.
Por que importa: Sem força para impedir o avanço da proposta, o presidente do Senado agora tenta ganhar tempo, alterar o texto e adiar os efeitos da eventual promulgação.
Desde que a proposta chegou à Casa, ele tem tentado encontrar formas de garantir que ela não avance nos termos e no prazo pretendidos por Lula.
Em conversas com aliados, Alcolumbre vem se queixando da pressão para pautar o tema e, na semana passada, falou no plenário em tom de desabafo.
“Não me obrigue, não me ameace, não me ofenda, não me ataque, que vou com minha consciência, meu coração, no tempo adequado, decidir como vai ser o meu voto”, declarou.
Agora, ele encontrou uma forma de obter uma vitória, ainda que não a que quisesse.
Alcolumbre indicou a aliados que vai protelar a PEC enquanto puder.
Quanto ao mérito do texto, indicou a possibilidade de apoiar a supressão de qualquer tipo de transição da proposta — que hoje prevê a redução de duas horas em 60 dias e de mais duas um ano depois.
O gesto encontrou apoio de governistas desavisados, que não fizeram os cálculos do impacto orçamentário que a medida pode ter.
A possibilidade é mais um balão de ensaio do presidente do Senado do que propriamente algo que possa avançar neste momento.
O que observar: O plano A de Alcolumbre é mudar o teor da proposta.
Ele já se queixou de diferentes pontos a aliados, como o fato de haver uma escala engessada ou a transição.
O presidente do Senado deu celeridade à proposta da oposição, que cria um modelo de remuneração por hora trabalhada, mas não encontrou apoio entre os colegas.
Agora, tenta ver como é possível modificar o texto que veio da Câmara.
Uma possibilidade, segundo aliados de Alcolumbre, seria votar o texto ainda no primeiro semestre, mas modificá-lo.
Com isso, a Câmara teria de chancelar novamente a PEC, atrasando mais um pouco o calendário.
Na “melhor” das hipóteses, sequer seria votada no primeiro semestre no Senado, mas esse cenário é considerado cada dia mais improvável até mesmo por integrantes da oposição.