Manchetes dos jornais de domingo, dia 05/10/2025
Edição de Chico Bruno
Manchetes dos jornais de domingo, dia 05/10/2025

FOLHA DE S.PAULO – Projetos no Congresso para minerais críticos incluem estatal e nova taxa
O ESTADO DE S.PAULO – Crise do metanol expõe submundo das bebidas falsas e o risco à saúde pública
CORREIO BRAZILIENSE – Metanol: Paciente sofre AVC no DF. No país, duas mortes confirmadas
O GLOBO – Os ‘invisíveis’
Destaques de primeiras páginas e fatos mais importantes
Terras raras - A mobilização da Câmara para aprovar um novo marco regulatório sobre os minerais críticos, insumos considerados vitais para a transição energética, a indústria e a segurança nacional, envolve ideias como a cobrança de uma nova taxa de mineradoras e a criação de uma estatal. As mudanças estão vinculadas a um projeto de lei que teve seu requerimento de urgência aprovado pela Câmara. Ao projeto (2780/2024) do deputado Zé Silva (Solidariedade–MG), que se firmou como eixo central da proposta, foram anexados outros. O texto prevê a criação de uma estatal com nome em inglês, a "EBMinerals" (Empresa Brasileira de Planejamento Mineral e Tecnologias Críticas), que atuaria como um órgão de inteligência e coordenação, a exemplo do que a EPE (Empresa de Pesquisa Energética) faz no setor elétrico. Uma das inovações trazidas determina que grandes empresas que atuam com minerais críticos deverão aplicar 0,4% da sua receita bruta em pesquisa, desenvolvimento e inovação relacionados a minerais críticos. O potencial brasileiro, alvo de incursões de países como China e Estados Unidos, passou a ser citado nominalmente por Donald Trump como um tema a ser debatido em negociações e acordos comerciais.
Mercado ilegal - A crise envolvendo a presença de metanol em bebidas destiladas falsificadas no Brasil trouxe à tona um problema estrutural que ameaça não apenas a saúde pública, mas também a sustentabilidade do setor formal de bebidas alcoólicas. Estudo da Euromonitor revelou que 1,4 em cada cinco bebidas destiladas comercializadas no país é falsa, confirmando a dimensão de um mercado ilegal que movimenta bilhões de reais à margem da lei. Além do impacto sanitário, a situação coloca em xeque a confiança do consumidor em marcas legítimas. Entidades do setor, como a Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD), vêm reforçando que a crise pode comprometer o desempenho de todo o segmento, do produtor ao bar e restaurante, caso medidas de fiscalização mais rigorosas não sejam adotadas rapidamente. A adulteração com metanol tem causado mortes e intoxicações em diferentes estados do país, com grande concentração em São Paulo, aumentando a atenção das autoridades e da imprensa para a questão que está sob investigação das autoridades policiais. De acordo com o estudo da Euromonitor a pedido da ABBD, cerca de 28% do mercado de destilados no Brasil já é dominado por produtos ilegais. O segmento ilegal tem migrado de práticas de contrabando e descaminho de bebidas importadas para falsificações internas em território nacional, mais baratas e de difícil rastreamento. Esse movimento amplia o desafio das autoridades e coloca pressão adicional sobre o setor formal. Os dois principais métodos de falsificação, comumente encontrados no mercado, são o “refil” de garrafas de marcas reconhecidas utilizando produtos de baixo custo ou a falsificação a partir do uso de álcool impróprio para consumo humano., colocando em risco a saúde dos consumidores. Vítima suspeita de ingerir bebida adulterada em Brazlândia é transferida para o Hospital de Base depois de um AVC hemorrágico. O governo de São Paulo registra a segunda morte por contaminação, mas boletim do Ministério da Saúde confirma apenas um óbito no país. Sobre o número de casos, Alexandre Padilha disse que “não teve aumento de confirmação laboratorial, o que teve foi o aumento da suspeita clínica”.
Em cima do murro - Uma pesquisa coordenada por Pablo Ortellado revela que mais da metade dos eleitores brasileiros não se alinha à polarização entre lulismo e bolsonarismo. Descritos como "invisíveis", são conservadores em costumes, mas menos radicais, e podem influenciar a eleição de 2026. Divididos entre desengajados e cautelosos, eles apresentam preocupações com temas econômicos e sociais, mas evitam manifestações políticas.
Expectativas - Matheus Simões pontua baixo nas pesquisas e pode acabar abandonando o governador de Minas, Romeu Zema (Novo), que se lançou à Presidência da República, pois Gilberto Kassab já deixou claro que prefere os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos) ou Ratinho Júnior (PSD). O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), outro cotado, é visto com desconfiança, pois há a avaliação de que perderia em um eventual segundo turno.
De peso - O evento, intitulado Municípios Unidos: Encontro Regional — A força do interior que move Minas e o Brasil, conta com o apoio da AMM, a maior entidade municipalista dentre os estados do país e da América Latina, que congrega 836 prefeituras de MG. Juntas, as áreas respondem por 43,01% do Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário de Minas Gerais.
Iniciativa - A iniciativa de convocar esse encontro partiu do presidente da AMM e prefeito de Patos, Luís Eduardo Falcão (sem partido), em conjunto com outras duas importantes lideranças da região: a prefeita de Uberaba, Elisa Araújo (PSD), e o prefeito de Uberlândia, Paulo Sérgio (PP). “Quem faz o Brasil hoje é o interior, pois é onde tem a maior geração de emprego, é onde está prioritariamente o agronegócio e a mineração. As pessoas não podem ficar na capital achando que estão controlando tudo”, diz Falcão.
Minas nas eleições - Com o apoio da Associação Mineira de Municípios (AMM), líderes municipais das regiões do Alto Paranaíba, Triângulo Mineiro e Noroeste de MG se reunirão em Patos de Minas, dia 10, para somar forças e tentar garantir o protagonismo político do interior no pleito de 2026, tanto em nível estadual quanto nacional. Atualmente, a eleição mineira está totalmente aberta: o vice-governador Matheus Simões está se filiando ao PSD e congestionando o partido, pois é a sigla do senador Rodrigo Pacheco, candidato favorito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por outro lado, o parlamentar vive um dilema, pois preferiria ser ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), diante da possibilidade de saída de Luís Roberto Barroso da Corte.
Pressão na segurança - Os delegados da Polícia Civil tentaram nos últimos dias pressionar deputados para que retirassem assinaturas de uma emenda apresentada pela deputada federal Laura Carneiro (PSD-RJ) à PEC da Segurança Pública. A emenda aborda a garantia das atribuições da PRF e de outras instituições, assim como trata da Inteligência de Estado como pilar estratégico na defesa da soberania nacional.
Sem sucesso - A pressão, no entanto, não teve efeito prático. Além de não evitar que a emenda continue tramitando normalmente, o movimento gerou insatisfação de vários parlamentares, que manifestaram apoio à deputada. Dez entidades de segurança, incluindo da própria Polícia Civil, assinaram um manifesto de apoio à parlamentar, como os PRFs (FenaPRF), os Policiais Federais (Fenapef) e os policiais penais (FenaPPF).
Eleições chegando - Nos bastidores do Congresso, a expectativa é de que, a partir de segunda-feira, todos os parlamentares entrarão no modo turbo para as eleições de 2026. Faltando um ano para o pleito, não há nenhuma proposta que vá mexer negativamente com a imagem do Congresso para ganhar força. Os parlamentares também correm para aprovar o Orçamento o mais rápido possível — para que consigam receber emendas até junho do ano que vem.
Preocupado com estrangeiros - O ministro do STF Gilmar Mendes fez uma série de críticas à Lei de Estrangeiros — aprovada recentemente pelo Parlamento de Portugal. No último dia de participação no II Fórum para o Futuro da Tributação, em Lisboa, o magistrado disse que os serviços de imigração portugueses estão caóticos e desorganizados, o que tem gerado atrasos, falhas e insegurança jurídica para cidadãos brasileiros e de outras nacionalidades que procuram Portugal. “As pessoas estão muito temerosas por conta disso, e acho que é importante resolver isso para que não haja tumulto em uma relação que é tão pacífica”, disse à CNN Portugal.
Mobilização contra reforma - Sindicatos de diversos setores do serviço público não gostaram da afirmação do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), de que a reforma administrativa será sua próxima prioridade após a aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Com ato marcado para o dia 29 em todo o país, entidades têm convocado servidores para marchar contra a proposta, que é relatada pelo deputado Pedro Paulo (PSD-RJ). A proposta, protocolada na quinta passada, foi impulsionada por um movimento de entidades empresariais. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Ser viços e Turismo (CNC) e mais de 120 instituições do setor produtivo defenderam o texto como uma “modernização necessária” da máquina pública.
Belém - A Solar Coca-Cola, engarrafadora com unidade em Belém, implementou projeto pioneiro que substitui combustíveis fósseis por caroço de açaí para alimentar suas caldeiras. A iniciativa alia inovação, eficiência energética e responsabilidade ambiental, e cria oportunidades econômicas para comunidades locais. “O projeto nasceu de um desafio de engenharia para substituir o modelo anterior de biomassa. Hoje, conseguimos operar uma planta estável, funcionando 21 horas por dia”, explicou a coordenadora de Sistema de Gestão Integrada (SGI) da Solar, Luene Rossi. O consumo intenso do açaí no Pará gera grande quantidade de resíduo, o caroço, que, muitas vezes, é descartado erroneamente. Hoje, eles alimentam as caldeiras usadas na higienização de garrafas retornáveis, Rossi ressalta ainda o impacto social do projeto: “As pessoas entenderam que o caroço de açaí pode ser coletado e vendido, criando oportunidades”. As cinzas da queima também são usadas na construção civil, evitando desperdício e ampliando os benefícios econômicos. Mais de 10 mil toneladas de caroço já foram incorporadas ao processo produtivo da Solar. A expectativa é ampliar ainda mais a parceria com coletores e cooperativas locais. Para Rossi, a experiência com o caroço de açaí, uma biomassa típica da região, se tornou referência no setor e foi compartilhada com outras companhias.
Lula amplia propaganda nas redes - O governo Lula (PT) mudou a estratégia de comunicação a um ano da eleição de 2026, ampliou a verba para anúncios na internet e passou a apostar em influenciadores e modelos de vídeos virais, tendo como foco o discurso de soberania e de justiça tributária. Dados parciais da Secom (Secretaria de Comunicação Social) da Presidência mostram que a pasta passou a direcionar cerca de 30% da verba publicitária para sites e plataformas digitais, contra 20% no ano anterior. A nova estratégia de comunicação da Secom, elaborada pelo ministro Sidônio Palmeira, contrasta com a orientação anterior, de Paulo Pimenta (PT), que defendia aumentar o investimento em rádios como forma de alcançar a população mais pobre e distante das capitais —ele deixou o cargo em janeiro.
STF tem maioria para rejeitar recurso de Moro - A Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria neste sábado (4) para manter o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) réu sob acusação de calúnia contra o ministro Gilmar Mendes. Os ministros votaram por rejeitar um recurso de Moro contra uma decisão da turma, do ano passado, que aceitou denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) por um vídeo viralizado nas redes sociais no qual ele aparece falando a interlocutores sobre "comprar um habeas corpus de Gilmar Mendes". Votaram para negar o recurso a relatora, ministra Cármen Lúcia, e os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino. O julgamento acontece no plenário virtual do Supremo (sistema no qual os ministros depositam seus votos), e vai até o dia 10. Ainda faltam votar os ministros Luiz Fux e Cristiano Zanin.
Pressionado pela União, ministro diz que não deixa governo - O ministro do Turismo, Celso Sabino, disse a seus aliados que decidiu permanecer no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mesmo em meio ao processo de expulsão aberto contra ele pela União Brasil. Segundo os interlocutores, o anúncio oficial deve ser feito ao presidente na próxima semana, quando Sabino reforçará a escolha de continuar no cargo. A informação foi divulgada inicialmente pelo jornal Folha de S. Paulo e posteriormente confirmada pelo GLOBO. A mudança ocorre após semanas de indefinição. Desde 18 de setembro, quando a Executiva Nacional determinou que todos os filiados deixassem seus cargos na esplanada em até 24 horas, o ministro vinha adiando sua saída. Ele chegou a entregar uma carta de demissão, mas atendeu a um pedido de Lula para permanecer durante a agenda da COP30, em Belém.
Menos investimentos, mais social: as escolhas de Tarcísio - O orçamento que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), desenhou para 2026, ano em que pode disputar a reeleição ou o Palácio do Planalto, coloca um freio nos investimentos do Estado e prevê mais recursos para a área social – em especial, para o programa SuperAção, contraponto paulista ao Bolsa Família que se tornou uma das vitrines de sua gestão. A proposta, enviada à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) na última terça-feira, 30, ainda estima uma redução real de 53% no gasto do Estado com a integração e aparelhamento da segurança pública para o combate ao crime organizado, uma das bandeiras do governo Tarcísio. A previsão é de gastar R$ 666 milhões (R$ 698 milhões corrigidos pela inflação) neste ano e R$ 325 milhões em 2026. O secretário-executivo de Fazenda e Planejamento, Rogério Campos, afirma que a despesa com essa ação é sazonal. “Um investimento dessa magnitude não tende a se repetir todos os anos. Você faz compras maiores e depois você faz reposição”, disse, acrescentando que o governo realizou aquisições expressivas de viaturas, coletes, armamentos e computadores neste ano. Ele ainda projeta que a queda será menor por causa das emendas parlamentares. No ano passado, os deputados destinaram cerca de R$ 150 milhões para o combate ao crime organizado e para o Muralha Paulista, que integra em um só sistema câmeras estaduais, municipais e de estabelecimentos privados. Este último teve alta real de 0,5%, para R$ 555 milhões. “Segurança pública se faz com um conjunto de ações. Não é só essa ação de combate ao crime organizado”, acrescentou.
Lula intensifica agenda - A um ano da eleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou a agenda pelo País e já visitou mais capitais e cidades em 2025 do que na totalidade de cada um dos dois primeiros anos do terceiro mandato. O petista tem usado viagens e atos oficiais para acelerar a guinada eleitoral, defendendo bandeiras que ajudaram a recuperar a popularidade do governo, como a soberania nacional, e apresentando programas sociais em tom de pré-campanha de olho em 2026. Neste ano, em nove meses, Lula já esteve em 65 cidades de 19 Estados, número que supera o total do ano de 2024 (60) e o de 2023 (36), quando priorizou viagens internacionais. A intensificação da agenda marca a contagem regressiva para as eleições de 4 de outubro de 2026 e tem se concentrado em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, que juntos reúnem cerca de 40% do eleitorado. Depois de SP, MG e RJ, o Nordeste foi o terceiro destino mais visitado por Lula em 2025, região onde historicamente concentra sua base de votos. Durante as viagens, aproveitou para criticar a gestão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), apontado como um dos principais nomes da direita para 2026, e alfinetar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL): “Podem ter certeza de que eu serei candidato para ganhar as eleições, porque eu não vou entregar este País de volta para aquele bando de malucos”, disse no Ceará, em junho.
Paternidade é munição - O PT ligou o alerta para a tentativa de setores da direita, incluindo bolsonaristas e Centrão, de “roubar” do governo a paternidade da isenção maior do Imposto de Renda. O projeto, aprovado por unanimidade na Câmara, é o principal trunfo do petista para disputar a reeleição em 2026. Em suas bases eleitorais, contudo, a oposição deve atuar para desvincular a iniciativa do Palácio do Planalto. Ciente desse cenário, o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva incluirá o IR em suas peças de propaganda para a TV e reforçará a divulgação da medida nas redes sociais e presencialmente. “Tentar roubar essa paternidade de Lula é algo bem difícil. Eles terão como arma as versões, mas o fato é que o IR foi promessa de campanha de Lula”, disse à Coluna do Estadão o secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares. Apesar de criticarem parte do projeto, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro votaram favor de ampliar a isenção do IR, pelo apelo popular, e até divulgaram a medida em suas redes sociais. A avaliação no PT é de que a oposição entregou de bandeja os “louros” do IR a Lula ao discursar contra a proposta por causa da taxação dos super ricos usada como compensação.
Presidente IPG-Instituto João Goulart


