OPINIÃO – O 9 de julho paulista e os interesses nacionais
OPINIÃO – O 9 de julho paulista e os interesses nacionais
"Em 9 de julho de 1932 estourou em São Paulo a chamada Revolução Constitucionalista (....) na verdade, tratou-se, mais bem, de um movimento da elite paulista contra o impulso renovador da Revolução de 30"
FOTO DE ARQUIVO: Revolução Constitucionalista de 1932: Fogo cerrado sobre Cascata, sob as ordens do tenente Elpídio, que se vê em pé, na frente (via Wikipedia)
9 de julho de 2026
Por Paulo Timm
Nesta data, 9 de julho, há quase 100 anos atrás, estourou em São Paulo a chamada Revolução Constitucionalista contra o que os paulistas consideravam uma usurpação do Poder por GETÚLIO VARGAS. Vargas havia sido Presidente do Estado do Rio Grande do Sul entre 1928 e 1930, quando, depois de derrotado nas urnas como candidato a Presidente da República, comanda a ação militar que derrubará o Presidente Washington Luiz, assumindo o controle do Poder.
Na verdade, tratou-se, mais bem, de um movimento da elite paulista contra o impulso renovador da Revolução de 30, a qual encerrou o ciclo oligárquico da I República. Foi, enfim, a consumação definitiva da Proclamação da República em 1889. A “reação” paulista transformou-se, então, depois de derrotada, numa cultura anti-getulista, sobretudo depois que, em 1937, Vargas cria o Estado Novo e frustra as chances dos paulistas voltarem ao Poder do “Café com Leite”.
Isso se reflete na formação da UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, em 1932, que aninhará em sua Escola de Sociologia e Política, a partir de 1958, um quadro de vigorosos críticos do nacional-desenvolvimento varguista, culminando na consagração de um de seus mais brilhantes intérpretes, FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, como Presidente da República em 1994-2002. Livro recente de Fabio Mascaro Querido, “Lugar periférico, ideias modernas”, trata precisamente da ascensão e crise deste grupo que, partindo da esquerda, acabou “atualizando” a direita no Brasil.
O Professor BRESSER PEREIRA fez a Resenha deste livro, publicado sob o título “O marxismo Uspiano”. Implacável, o professor confessa seu encantamento com os “marxistas uspianos”, quando acabou Ministro de FHC, no período 1995/98, redimindo-se, porém, deste pecado ao perceber a conversão de antigos amigos ao neoliberalismo.
O assunto vem, naturalmente, á baila nos dias de hoje por duas razões: Uma, o ocaso do PSDB, criado á sombra dos “marxistas uspianos” submetidos ao Consenso de Washington: depois, pelo reconhecimento da tendência à estagnação sem grandes mudanças estruturais na distribuição da riqueza do país, o que emergir, novamente, o clamor por uma Política de Desenvolvimento do país.
Daí a conclusão: o nacional-desenvolvimentismo revive, sobretudo diante dos ataques recentes do Presidente Trump contra os interesses nacionais.


