UEFA articula reação ao plano de Infantino de vender participação na Copa do Mundo à família de Trump

UEFA articula reação ao plano de Infantino de vender participação na Copa do Mundo à família de Trump

UEFA articula reação ao plano de Infantino de vender participação na Copa do Mundo à família de Trump

Segundo o Guardian, entidade europeia convocou reunião de emergência e discute resposta coordenada ao projeto da Fifa, incluindo a possibilidade de boicote a competições

 

Trump e Gianni Infantino

Trump e Gianni InfantinoCrédito: Reuters

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247 – A Uefa convocou uma reunião de emergência com suas 55 associações nacionais para discutir uma resposta conjunta ao plano do presidente da Fifa, Gianni Infantino, de vender uma participação comercial na Copa do Mundo a investidores que incluem parentes de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Segundo o jornal britânico The Guardian, entre as medidas em discussão está até mesmo a possibilidade de boicote a futuras competições organizadas pela Fifa.

A reunião busca consolidar uma posição unificada da confederação europeia diante de um projeto que vem provocando forte reação entre entidades continentais e clubes de futebol em diferentes partes do mundo.

Infantino quer vender participação comercial da Copa

O plano apresentado por Infantino prevê a criação de uma nova empresa, chamada Fifa Forward Enterprise, que passaria a administrar os direitos comerciais da Copa do Mundo e de outros ativos da entidade.

A proposta contempla a venda de 20% dessa empresa a investidores privados, medida que exigiria alterações nos estatutos da Fifa para ser implementada.

Segundo Infantino, a iniciativa criaria novas fontes de financiamento para ampliar investimentos no desenvolvimento do futebol em escala global.

Em vídeo enviado às federações nacionais, o dirigente classificou o projeto como uma “oportunidade dourada” para o esporte e afirmou que a consulta não representa uma obrigação de adesão.

Confederações e clubes reagem

A proposta, porém, enfrenta resistência crescente.

De acordo com o Guardian, a Concacaf (América do Norte, Central e Caribe), a Confederação Asiática de Futebol (AFC) e organizações que representam clubes europeus manifestaram críticas à iniciativa.

As entidades afirmam que o projeto foi elaborado sem consultas adequadas aos principais atores do futebol internacional e levantam preocupações sobre governança, transparência e eventual transferência de controle de ativos estratégicos da modalidade para investidores privados.

A European Football Clubs Organization declarou que tomou conhecimento do plano pela imprensa, e não por meio dos canais institucionais da Fifa, criticando a ausência de diálogo prévio.

Pressão por apoio gera controvérsia

Outro ponto contestado é o prazo estabelecido pela Fifa para que as federações manifestem apoio ao projeto até 19 de setembro.

Segundo o Guardian, dirigentes questionam a pressão exercida pela entidade e também o significado de um pagamento de aproximadamente US$ 20 milhões às federações, que alguns interpretam como incentivo para apoiar formalmente a proposta.

Para críticos do projeto, a condução do processo compromete a transparência e o caráter democrático das decisões dentro da organização.

Votação ainda gera dúvidas

Embora Infantino demonstre confiança na aprovação da proposta, ainda há incerteza sobre qual será o quórum necessário.

Parte das federações entende que bastaria maioria simples, enquanto outros dirigentes defendem que mudanças estatutárias dessa natureza exigiriam aprovação de 75% dos votos.

A indefinição aumenta a incerteza sobre o desfecho da iniciativa.

Segundo a reportagem, a Federação Tcheca já sinalizou apoio ao projeto, indicando que o debate está longe de alcançar consenso.

Debate expõe disputa sobre o futuro da Fifa

A controvérsia evidencia uma disputa mais ampla sobre o modelo de governança do futebol mundial.

Enquanto Infantino sustenta que a abertura ao capital privado permitirá ampliar investimentos e acelerar o desenvolvimento do esporte, críticos temem que a comercialização de ativos da Copa do Mundo reduza a autonomia da Fifa e submeta decisões estratégicas a interesses financeiros.

A reação coordenada da Uefa e de outras entidades poderá definir os rumos da proposta e influenciar uma das decisões mais importantes da governança do futebol internacional nas últimas décadas.