Futuro de Jaques Wagner como líder do governo no Senado deve passar por redução de danos

Futuro de Jaques Wagner como líder do governo no Senado deve passar por redução de danos

Futuro de Jaques Wagner como líder do governo no Senado deve passar por redução de danos

Após operação da PF contra o petista, saída do cargo deve ser discreta, a fim de evitar maior desgaste

Brasília|Yumi Kuwano, do R7, em Brasília

Segundo Jaques Wagner, definição sobre liderança do PT no Senado cabe ao presidente LulaRafael Nunes/Flickr - 13.05.2026

Os próximos passos do senador e líder do governo no SenadoJaques Wagner (PT-BA), ainda são indefinidos. Nos bastidores, aliados dividem opinião sobre a melhor decisão para o momento.

Uma ala defende que Jaques deveria deixar o cargo para evitar desgastes, enquanto outros compartilham da decisão do senador, que afirmou, no dia da operação da Polícia Federal, que cabe ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva “bater o martelo”.

Questionado por jornalistas sobre a possibilidade de manter Jaques Wagner na liderança, Lula não respondeu, mas sinalizou positivamente com as mãos.

No entanto, especialistas apontam que o ideal seria que o senador saísse da liderança por conta própria, sem uma ruptura por parte do governo.

“Se esse movimento for acontecer, vai ser mais sutil. É um movimento onde ele deixa o cargo sem precisar de uma demissão ou de um pronunciamento, algo que coloque mais combustível na crise”, analisa o cientista político André Rosa.

Para ele, dificilmente Lula ou o PT colocariam Jaques Wagner em uma situação em que ele fosse exposto.

Leia Mais

O professor do Instituto de Ciência Política da UnB (Universidade de Brasília) Edvaldo Fernandes também acredita que a mudança deve ser discreta, a fim de evitar um maior desgaste.

“Será uma operação das mais delicadas na carreira política de Lula, e possivelmente seria – ao menos publicamente – a pedido do Senador Jaques Wagner para preservá-lo", avalia.

O que resta, agora, é encontrar um caminho que ajude na redução de danos, tanto para o senador petista, quanto para o governo.

“Aparentemente, a estratégia do governo será montar operação para remover Jaques Wagner da liderança cirurgicamente, cortar na carne, com muita cautela, para reduzir os danos para o senador e para o próprio governo”, pondera o professor.

Consequências e nova liderança

De acordo com especialistas, o estrago já foi feito, independentemente da decisão sobre a permanência ou saída de Jaques Wagner do cargo. As apreensões feitas pela Polícia Federal em endereços do senador, durante o cumprimento de mandados na nona fase da Operação Compliance Zero, revelaram quase R$ 600 mil em espécie, que ele justifica como diárias pagas pelo Senado e recursos próprios.

As investigações apuram um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes financeiros envolvendo o extinto Banco Master. Para os especialistas, diante deste cenário, manter Jaques Wagner na liderança seria a pior escolha.

Segundo Rosa, a ligação de um ator político tão próximo a Lula com Daniel Vorcaro a meses das eleições é algo que “abala muitas estruturas”.

Já Edvaldo Fernandes acredita que a manutenção de Wagner seria uma “estratégia defensiva que demonstraria desespero e falta de capacidade de gerenciamento da crise”. Para o professor da UnB, tal possibilidade teria capacidade de “aumentar o desgaste político para o governo e para o próprio senador, com enfraquecimento da articulação política da base aliada em um momento crucial”.

Para o lugar de Jaques Wagner, o governo agora se vê diante de duas possibilidades: optar por substituto mais aguerrido, que sustente uma postura combativa em meio à crise, ou buscar um nome mais conciliador.

“O PT tem uma bancada de oito senadores, além de Jaques Wagner, todos muito experimentados e em condições de exercer bem a liderança do governo no Senado. Isso sem contar que a escolha pode recair em nome de outro partido da base aliada”, completa o professor.

Alguns nomes já estão cotados para assumir a função, como os do ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT-CE), da senadora Teresa Leitão (PT-PE) e do atual presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), Otto Alencar (PSD-BA).