PDT se despede de Manoel Dias, ex-ministro do Trabalho, fundador e secretário-geral nacional do PDT

PDT se despede de Manoel Dias, ex-ministro do Trabalho, fundador e secretário-geral nacional do PDT

PDT se despede de Manoel Dias, ex-ministro do Trabalho, fundador e secretário-geral nacional do PDT

 


Por Elizângela Isaque/Colaboração Ester Marques
 

Pedetista deixa legado de resistência, defesa da democracia e luta pelos trabalhadores

Morreu na noite deste sábado (22) Manoel Dias, secretário-geral nacional do PDT, presidente da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini (FLB-AP) e do PDT de Santa Catarina e ex-ministro do Trabalho e Emprego no segundo mandato da ex-presidente da República, Dilma Rousseff.

Em nota em suas redes sociais, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, manifestou seu pesar:
“Hoje nos despedimos do dirigente, fundador do PDT e quem tive a alegria de chamar de amigo Manoel Dias. Sua luta pelo Trabalhismo e seu legado na construção dos núcleos de base vão seguir norteando os passos do nosso partido e inspirando as novas gerações. Ao lado de Brizola, Darcy, Jango e Getúlio, nosso eterno Maneca se junta para olhar e zelar pelo nosso partido de onde estiver”, afirmou o líder pedetista.

Trajetória marcada pela luta e defesa da democracia

Natural de Criciúma (SC), filho de Anselmo Fortunato Dias e de Cândida Borges Dias, Manoel Dias iniciou sua vida pública na década de 1960, atuando como líder estudantil. Em 1962, foi eleito para o seu primeiro cargo político, como vereador de Içara (SC) pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Dois anos depois, ele teve seu mandato cassado após o Golpe Militar de 1964, tendo sido mantido preso por onze meses.

Em 1965, Dias participou da fundação do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), em Santa Catarina, vindo a ser eleito deputado estadual para a 6ª legislatura (1967-1971) da Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Contudo, com a decretação do Ato Institucional Número Cinco (AI-5), em 1969, o trabalhista voltou a ser cassado, e teve seus direitos políticos suspensos por 10 anos.

Nesse período, Manoel Dias graduou-se em direito pela Universidade Federal de Santa Catarina, em 1970, e passou a advogar em Criciúma. Após a anistia, em 1979, ele se mudou para Florianópolis, com o objetivo de recriar o PTB, que no ano seguinte foi registrado pelo grupo político de Ivete Vargas.

Fundação do PDT

Diante da necessidade de atuar em um partido genuinamente trabalhista, no início de 1980, ao lado de Leonel Brizola e outras lideranças, Manoel Dias fundou o Partido Democrático Trabalhista (PDT).

Foi candidato a deputado estadual em 1982, a governador em 2006 e a vice-governador em 2010, no entanto não logrou êxito. Na década de 1990, participou do governo de Brizola no Rio de Janeiro, sendo diretor do Banco do Estado do Rio de Janeiro (Banerj).

Ministério do Trabalho e Emprego

Em 15 de março de 2013, Manoel Dias assumiu o posto de ministro do Trabalho e Emprego no governo de Dilma Rousseff. Em 31 de dezembro de 2014, sua permanência no comando do ministério foi confirmada para o segundo governo Dilma Rousseff. Durante o segundo mandato de Dilma, Dias teve de enfrentar os efeitos da crise econômica de 2014 no emprego.

Afirmou que poderia reverter o aumento do desemprego no segundo semestre de 2015 através do setor automobilístico, exportando carros para o México e outros países da América Latina, e do setor da construção civil, alegando que o investimento do governo previsto para a construção de unidades habitacionais populares seria de 84 bilhões de reais, o que geraria empregos.

Ao longo de mais de seis décadas de vida pública, Manoel Dias se manteve fiel aos ideais trabalhistas que o levaram, ainda jovem, a fundar o PDT ao lado de Leonel Brizola. Mesmo diante da cassação, da prisão e da suspensão de seus direitos políticos durante a ditadura militar, jamais abandonou a defesa da democracia e dos direitos dos trabalhadores. Sua trajetória, marcada pela resistência e pelo compromisso com a construção dos núcleos de base do partido, deixa um legado que segue vivo na história do trabalhismo brasileiro.