MANCHETES DOS JORNAIS DE DOMINGO 27/09/2026
Edição de Chico Bruno
MANCHETES DOS JORNAIS DE DOMINGO 27/09/2026
O GLOBO – Bets preparam reação no STF e Congresso contra proibição assinada por Lula
FOLHA DE S.PAULO – Avaliação negativa do STF vai a 47% e bate recorde, aponta Datafolha
Correio Braziliense – Lula e Flávio intensificam campanha pelo “voto útil”
O ESTADO DE S.PAULO – Três exemplos do Brasil que deu certo para o próximo presidente
Valor Econômico – Não circula hoje
Destaques de primeiras páginas, fatos e bastidores mais importantes do dia
DOBRANDO a aposta - Alvo de uma Medida Provisória (MP) assinada anteontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), as bets traçam estratégias de reação ao veto integral anunciado pelo petista a nove dias das eleições. Empresas de apostas, advogados e dirigentes e executivos das principais associações do setor ouvidos pelo GLOBO descrevem um contra-ataque em duas frentes: uma ofensiva jurídica, com foco no Supremo Tribunal Federal (STF), e outra política, com articulação junto a parlamentares para derrubar o texto no Congresso — onde, no entanto, já é dado como certo que o assunto só será apreciado depois do primeiro turno, diante da sensibilidade do tema junto ao eleitorado.
O QUE aponta a sondagem - A avaliação negativa do trabalho dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) passou de 40% em maio deste ano para 47% atualmente e atingiu seu índice mais alto na série histórica iniciada em 2019, mostra novo recorte de pesquisa Datafolha divulgado neste sábado (26). A avaliação positiva do desempenho da corte é de 18%, mesmo patamar de dezembro de 2019, até então o índice mais baixo registrado. Há ainda 31% que consideram o trabalho do STF regular, e 4% não opinaram. Entre eleitores de Lula (PT), 32% consideram o trabalho dos ministros ótimo ou bom, ante 6% dos eleitores de Flávio Bolsonaro (PL). Na avaliação negativa, o padrão se inverte: 69% dos eleitores de Flávio consideram o trabalho ruim ou péssimo, ante 24% dos eleitores de Lula. No total, 45% são favoráveis à criação de a um código de ética para o tribunal.
ILHAS de excelência - Numa campanha eleitoral de muitos ataques e poucas propostas, especialistas alertam os candidatos de que casos de sucesso no Brasil seguiram fórmula baseada no investimento em pessoas, pesquisa e inovação, na conexão entre universidades e empresas. Entre as ilhas de excelência estão o Porto Digital, Embrapa e o Instituto de Tecnológico de Aeronaútica (ITA), casos de sucesso em nível mundial, aliás a Embraer foi gerada no instituto nos anos 70.
VOTO útil - Numa disputa acirrada e polarizada, que indica empate técnico no primeiro e num eventual segundo turno, os dois líderes das pesquisas de intenção de voto à Presidência abrem a última semana antes da eleição na tentativa de conquistar o voto dos candidatos com baixos índices. O objetivo nos próximos sete dias, ainda que as chances sejam pequenas, é fechar o pleito ainda em 4 de outubro. Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) traçaram estratégias distintas para chegar a esse objetivo. Na busca pela reeleição, o presidente aposta nas recentes medidas de reajuste do Bolsa Família e da proibição das bets, de apelo popular. Já o senador do Rio mira diretamente os eleitores de Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Renan Santos. Em comum aos dois comitês, o cuidado extremo para não hostilizar os rivais e arriscar a perda do voto.
DECISÃO confirma lisura de Gonet, diz Gilmar - O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a criticar, ontem, a condução das investigações do caso Banco Master e afirmou que a exposição do procurador-geral da República, Paulo Gonet, provocou um “dano reputacional” que não pode ser reparado. A manifestação ocorre um dia após o Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) rejeitar a abertura de uma investigação contra Gonet e manter o chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR) na condução dos processos relacionados ao Master. O pedido de apuração foi rejeitado por 5 votos a 4. Já a tentativa de afastá-lo da atuação nos casos não prosperou no colegiado. Para Gilmar, o resultado confirmou que não havia elementos capazes de impedir a atuação do procurador-geral. O decano, no entanto, direcionou críticas à forma como o nome de Gonet foi exposto durante as apurações.
CAMPANHA petista aposta nas redes - Os cinco candidatos à Presidência que lideram as pesquisas de intenção de voto gastaram, juntos, nos últimos 30 dias, cerca de R$ 6,3 milhões em anúncios de questões sociais, eleições ou política em plataformas da Meta, como Facebook e Instagram. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, é responsável por 82,54% deste valor, tendo em vista que investiu em 1.045 anúncios nesse período e gastou R$ 5,2 milhões. O montante gasto pela campanha do petista é 7,4 vezes maior que o destinado pelo seu principal adversário, o candidato Flávio Bolsonaro (PL), que gastou R$ 702 mil em 128 anúncios durante o período. Comparado a Ronaldo Caiado (PSD) — a terceira campanha que mais gastou, destinando R$ 222 mil em 373 anúncios — o valor investido pelo petista é 23,4 vezes maior. O candidato Augusto Cury (Avante) — que aparece em terceiro nas pesquisas de intenção de voto à Presidência — destinou R$ 144 mil em 348 anúncios. A campanha de Renan Santos (Missão), por sua vez, gastou R$ 123 mil em 225 anúncios. Ele aparece em quinto nas pesquisas à Presidência. Os dados são da Biblioteca de Anúncios da Meta e foram levantados pelo Correio ontem.
PRAZO para uso de IA - É permitido produzir conteúdo eleitoral com inteligência artificial, mas o material deve exibir um aviso para alertar o eleitor sobre o uso da ferramenta. A divulgação desse tipo de conteúdo, mesmo que rotulado, é proibida nas 72 horas antes da votação e nas 24 horas depois. Cabe ao Ministério Público Eleitoral fiscalizar para evitar abusos.
DESTA vez, o medo está do outro lado - Em 2022, a atriz Regina Duarte dizia nas redes sociais ter medo se o PT voltasse a governar o país. Desta vez, esse discurso mudou de lado. No encontro de Lula com empresariado em São Paulo, foi o presidente do BNDES, Aluízio Mercadante, quem deu um dos principais recados daquela noite às 800 pessoas presentes, sendo 500 empresários, convidados pelo think tank Esfera e o grupo Prerrogativas. Mercadante disse que o candidato Flávio Bolsonaro, do PL, já acenou com a presença de um representante do governo dos EUA em sua equipe de transição, caso vença a eleição. Seria entregar para uma nação estrangeira todas as informações sensíveis do país em todos os setores estratégicos. Lula foi mais direto ao se referir às riquezas de terras raras e outros mineiras brasileiros. Disse que, “a depender de quem vocês elejam, vão entregar tudo”. Se o petista não conseguiu virar votos, pelo menos, muitos saíram dali comentando que estão dispostos a pensar melhor até o dia 4 de outubro. Afinal, ali, o discurso da soberania teve algum apelo. Também chamou a atenção o fato de Lula ter dito que, em relação aos escândalos recentes do país, é preciso investigar tudo, doa a quem doer, algo que levou muitos a refletir sobre a reunião do então presidente Jair Bolsonaro com seus ministros, em que o capitão disse que não deixaria perseguir sua família ou aliados.
CONTRAS - Se tem algo que deixa o empresariado reticente ao presidente Lula é a questão fiscal. Embora eles saibam que o Banco Central é independente — ou seja, Lula não tem varinha mágica para baixar os juros —, os empresários esperavam que o chefe do Executivo e seus ministros fossem mais contundentes a respeito de novas regras fiscais. Lula, porém, lembrou que isso era obrigação de qualquer governante e não um diferencial. Nesse ponto, conforme a leitura de muitos empresários, foi mais do mesmo.
EFEITO Dilma I - A escolha de dois senadores tem deixado os partidos praticamente no escuro. Ninguém tira da cabeça o que houve com a ex-presidente Dilma Rousseff, em 2018. Candidata ao Senado em Minas Gerais, Dilma estava muito bem-posicionada nas pesquisas de intenção de voto e terminou em quarto lugar. É que todas as pesquisas para o Senado, quando são dois votos, têm dificuldade de captar a vontade do eleitor, que, conforme o leitor da coluna já sabe, deixa para escolher a segunda vaga no último dia.
EFEITO Dilma II - Essa preocupação está na cabeça de quem concorre por Minas Gerais, onde a candidata Marília Campos (PT) lidera as pesquisas, com 13% na última rodada da Quaest, mas é seguida de perto por Aécio Neves (PSDB), Carlos Viana (PSD) e Domingos Sávio (PL), todos com 10%. Considerando a margem de erro de cinco pontos percentuais, ainda tem Marcelo Aro (PP), que está com 6% e não pode ser considerado carta fora do baralho.
O TEMA dos bastidores - O que mais se comentou no encontro de Lula com o empresariado foi a questão das bets. Todos queriam saber de perto as projeções do governo. Em rodas de conversa, os ministros tratavam de explicar que há muito tempo o presidente já se mostrava indignado com a jogatina virtual.
O INGRESSO do jogo agradou - Os aliados de Lula — e até parte dos adversários — comemoram a entrada das bets na campanha eleitoral. Num país em que as pessoas se deixam levar pelas redes sociais e os temas são voláteis, esse assunto tirou os holofotes do caso Master e do INSS, escândalos que desgastam Lula e Flávio Bolsonaro. Lula, por causa do filho, Lulinha, e as suspeitas sobre o INSS e uma lobista. Já Flávio é o candidato a presidente que pediu dinheiro e voou no avião de Daniel Vorcaro, o banqueiro que se sustentou com dinheiro oriundo dos fundos de pensão e do BRB.
PERFUME de poder - Cresce a cada dia o número de candidatos pedindo evento com a governadora Celina Leão no Distrito Federal. Sinal de que sentem que ela é capaz de agregar votos. Em política, o maior sinal de que um candidato majoritário tem dificuldades de vitória é o sumiço dos aliados.
EM casa - Quem se sentiu em casa no encontro com o empresariado foi o vice-presidente candidato, Geraldo Alckmin. Afinal, ali, muitos deles fizeram campanha para Alckmin, quando ele concorreu a governador de São Paulo pelo PSDB. Aliás, por lá apareceram uma filha de Fernando Henrique Cardoso e um filho de Franco Montoro, uma forma de mostrar amplitude na campanha petista.
POR falar em amplitude… - Não foi apenas o PT que fez questão de se mostrar amplo, Camila Camargo, que comanda o think tank Esfera e foi uma das anfitriãs do encontro de Lula com o empresariado, foi direta ao dizer que “os associados do Esfera não são só a Faria Lima. São a indústria, o varejo, os serviços e também os maiores bancos do país”. Completou reforçando que o Esfera é apartidário e dialoga com todos os que desejam ouvir o setor produtivo. Na introdução, lembrou que, há quatro anos, Lula perguntava aos empresários o que eles fariam se fossem presidente e ouviu mais em vez de falar. Agora, indagou Camila: “Hoje, os empresários perguntam, o que o maior vencedor de eleições da Nova República tem a dizer a quem investe, arrisca, emprega, paga impostos e ainda sonha com um país melhor?”
ELOGIOS - Camila fez questão de lembrar o discurso do presidente na ONU e fez também um alerta suave, mas incisivo a Lula: “Na ONU, lembrou ao mundo que a guerra é a falência da política. O respeito da comunidade internacional pelo Brasil segue alto e isso é mérito seu. Mas, o cenário externo e interno pede cuidado e é por isso que essa conversa é importante”.
ELES tinham outro nome - Nos bastidores, antes da chegada de Lula, um empresário paulista comentava com outro que, se o Flávio (Bolsonaro), que tem muito o que explicar e zero experiência de gestão pública, está empatando com Lula, se fosse o Tarcísio, o risco de vitória da oposição no primeiro turno era grande. Referiam-se ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Pelo menos, se dependesse da seleta plateia que Lula tenta conquistar no seleto grupo que tende a votar na oposição.
RENAN prepara protesto na Globo - A campanha presidencial de Renan Santos (Missão) prepara um grande ato de protesto contra a TV Globo caso ele realmente fique de fora do debate na quinta (1º). A ideia é fazer uma concentração, com a presença do candidato, em frente à sede da emissora no Jardim Botânico, no Rio. O debate em si acontecerá longe dali, no Projac. A TV Globo convidou apenas quatro candidatos à Presidência para o debate, que é o último antes do primeiro turno das eleições. A emissora convidou apenas quatro candidatos à Presidência para o debate, o último antes do primeiro turno das eleições: Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD). A emissora seguiu o critério previsto em lei, que garante participação apenas a candidatos de partidos que tenham elegido ao menos cinco parlamentares em 2022. Segundo regras repassadas a assessores de candidatos, a Globo informou que, caso algum dos convidados falte, pode chamar um substituto.
Até agora Lula e Flávio não foram aos debates de primeiro turno, mas tudo indica que ambos deverão participar.
FLÁVIO pede prisão de funcionário do Planalto - A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou uma notícia-crime contra um servidor da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência) por uma série de publicações sobre a notícia falsa de que o candidato iria retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A peça foi apresentada ao Ministério Público Eleitoral na sexta-feira (25) e pede a prisão preventiva de George Marques da Silva e Silva, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secom do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A notícia-crime foi analisada por Mário Jorge Panno de Mattos, juiz da Primeira Zona Eleitoral do Distrito Federal, que não deliberou sobre os pedidos de prisão e demais medidas propostas pela equipe jurídica que assessora Flávio, como a apreensão de computador. Em decisão, Mattos entendeu que, como o caso ainda está na fase de investigação, esses pedidos devem ser examinados antes pelo juiz eleitoral de garantias.
SUBMISSÃO CONSERVADORA - Uma consultoria jurídica com escritório na avenida Brigadeiro Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, auxiliou no registro, nos Estados Unidos, do que seria o braço brasileiro do grupo conservador americano Rockbridge, alvo de representações do PT na Justiça Eleitoral por suposta intervenção a favor da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), denúncia feita também pelo partido Missão. A Rockbridge Brazil LCC foi aberta em maio, no estado do Wyoming (EUA), sob responsabilidade de Chris Applegate, um assessor do vice-presidente JD Vance. A Rockbridge Network é um grupo cofundado por Vance, que conta com a participação de empresários do Vale do Silício como o bilionário Peter Thiel, e que defende pautas da direita radical.
DESAFIO quase inédito a Haddad - O ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), amarga uma desvantagem de 20 pontos percentuais diante de Tarcísio de Freitas (Republicanos), de acordo com pesquisa Datafolha divulgada na última quinta-feira. Apesar de se dizer confiante numa virada a uma semana da votação, o petista teria que obter uma transferência inédita de votos para ameaçar o rival. Tarcísio marca 50% das intenções de voto na simulação de primeiro turno, contra 30% de Haddad. Outros candidatos sem espaço de propaganda em rádio e TV alcançam, juntos, 9%. Brancos e nulos somam 8%, e outros 3% permanecem indecisos sobre a escolha do próximo dia 4 de outubro. De 20 anos para cá, todos os candidatos ao Executivo paulista que figuravam na liderança a essa altura da campanha confirmaram o favoritismo nas urnas — exceto Haddad, em 2022, que acabou superado por Tarcísio no primeiro turno.
Presidente IPG-Instituto João Goulart


