João Pedro Stedile, do MST, recebe título de Doutor Honoris Causa pela UFJF

João Pedro Stedile, do MST, recebe título de Doutor Honoris Causa pela UFJF

João Pedro Stedile, do MST, recebe título de Doutor Honoris Causa pela UFJF

Honraria é a mais importante concedida por universidades brasileiras e reconhece contribuição do MST ao país

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Reconhecido pela atuação em defesa dos direitos sociais e da reforma agrária, Stedile passará a compor um grupo de personalidades importantes que também já receberam a honraria, como Pepe Mujica, Lula, Milton Nascimento, Conceição Evaristo e João Goulart, Padre Julio Lancellotti e Marta Silva | Crédito: Elineudo Meira / @fotografia.75

O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) João Pedro Stedile recebe, no próximo dia 7 de abril, o título de Doutor Honoris Causa, pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em Minas Gerais. Essa é a maior honraria concedida por instituições de ensino superior (IES) públicas brasileiras e tem o objetivo de reconhecer figuras que contribuam para o desenvolvimento científico, filosófico, artístico e social do país. 

A homenagem, proposta pela Faculdade de Serviço Social, foi aprovada pelo Conselho Superior (Consu) da UFJF em setembro do ano passado e destaca a trajetória do economista e dirigente do MST. 

Reconhecido pela atuação em defesa dos direitos sociais e da reforma agrária, Stedile passará a compor um grupo de personalidades importantes que também já receberam a honraria, como Pepe Mujica, Lula, Milton Nascimento, Conceição Evaristo e João Goulart,  Padre Julio Lancellotti e Marta Silva. De acordo com a universidade, a concessão do título também se estende a todo o MST.

O MST e a UFJF

O movimento e a universidade possuem uma relação de quase 30 anos de parceria, sendo referência nacional sobre as potencialidades da atuação conjunta entre as instituições de ensino e as lutas sociais. 

Em 1999, quando Margarida Salomão (PT), atual prefeita de Juiz de Fora, era reitora da UFJF, a universidade acolheu os movimentos sociais que a realizavam a Marcha pelo Projeto Popular, organizada pela Consulta Popular, que reuniu 100 mil pessoas caminhando entre o Rio de Janeiro e Brasília para debater com a sociedade um projeto para o Brasil. 

Também foi na UFJF que surgiu o primeiro curso universitário construído em parceria com o MST, no ano de 2000, possibilitando que acampados e assentados da reforma agrária pudessem acessar a universidade. 

A parceria entre os movimentos e a universidade também se deu na proposição de iniciativas de formação política vinculadas às lutas populares, como a realização dos Cursos Realidade Brasileira (CRBs) e dos cursos de pós-graduação em Estudos Latino-Americanos.

“Sem dúvida nenhuma, esse é o papel da universidade. É romper todos os muros que ela possa ter, e não só ir até o povo, mas também deixar que o povo reconheça na universidade um espaço significativo para as suas lutas. Nessa parceria, nós nos tornamos cada vez mais aliados na luta por uma nova sociedade, onde romper o latifúndio do saber é uma tarefa muito significativa”, afirma Cristina Simões Bezerra, professora da Faculdade de Serviço Social da UFJF. 

Atualmente, a UFJF e o MST seguem desenvolvendo atividades em conjunto, como as Jornadas Universitárias em Defesa da Reforma Agrária (JURA).