Jaques Wagner deixa liderança do governo no Senado após ser alvo da PF por ligação com Master

Jaques Wagner deixa liderança do governo no Senado após ser alvo da PF por ligação com Master

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Jaques Wagner deixa liderança do governo no Senado após ser alvo da PF por ligação com Master

Folha

  • Senador resistia a se afastar do posto, mas saída foi consumada depois de reunião com Lula
  • Wagner afirma que decisão foi 'em comum acordo' e cita prioridade de provar inocência

 

Brasília

O senador Jaques Wagner (PT-BA) deixou nesta quarta-feira (24) o cargo de líder do governo no Senado. Ele estava pressionado a sair do posto depois de ter sido alvo de operação da Polícia Federal por suspeita de ter recebido pagamentos ligados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Wagner resistia à ideia de deixar a liderança do governo, mas disse ter havido um "comum acordo". Sua saída foi consumada depois de reunião de cerca de duas horas com o presidente Lula (PT). O chefe do governo estudava demitir seu aliado, mas preferia que o próprio senador tomasse a iniciativa de se afastar.

"Acabei de ter uma ótima reunião com o presidente @LulaOficial, uma conversa entre amigos, e decidimos, em comum acordo, que me afastarei da liderança do governo no Senado Federal", escreveu. "Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, além da minha reeleição junto com Rui Costa para o Senado."

 

Três homens sentados dentro de um carro, vistos pelo para-brisa. Dois homens estão nos bancos dianteiros, um à esquerda e outro à direita, e um terceiro homem está no banco traseiro, parcialmente visível. O homem à esquerda veste terno cinza e camisa branca, o do banco traseiro usa óculos escuros e está com a mão próxima ao rosto, e o homem à direita usa óculos e está ao volante.

O senador Jaques Wagner deixa o Palácio da Alvorada após se reunir com o presidente Lula nesta quarta (24) - Pedro Ladeira/Folhapress

Lula, que concorrerá à reeleição neste ano, quer evitar que sua candidatura seja contaminada pelo escândalo do Master.

Jaques Wagner disse a aliados, em conversas reservadas nos dias seguintes à operação da PF, que havia tratado do assunto com Lula e deixado o presidente à vontade para decidir o que quisesse.

A mensagem era no sentido de que, se deixasse o cargo de líder do governo, seria por iniciativa de Lula. Sair do posto por conta própria, no raciocínio exposto a alguns aliados, seria como confessar uma culpa. O senador se diz inocente tanto nas declarações públicas quanto nas conversas privadas.

Na última segunda-feira (22), a defesa de Wagner apresentou recurso contra decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou a busca e apreensão nos endereços do senador. No pedido, a equipe negou a acusação da PF de que Wagner tenha atuado em favor do Master no Congresso Nacional e afirmou que há "erros graves" na medida.

Com o recurso, a defesa procura, por exemplo, anular as provas obtidas com a busca e apreensão em endereços do senador. Caso Mendonça negue o pedido, os advogados devem recorrer à Segunda Turma do Supremo.

A decisão de deixar o posto era esperada por parte dos aliados de Wagner. O movimento é um gesto para tentar preservar a gestão petista em meio a escândalo, que surpreendeu governistas.

Wagner ocupava o posto de líder do governo no Senado desde o início do atual mandato de Lula. Foi anunciado ainda durante o governo de transição, em dezembro de 2022. Ex-governador da Bahia, ele é um dos principais nomes do PT no estado e um dos aliados mais próximos do presidente.

Lula e Wagner se conhecem há quase 50 anos e se tornaram amigos ao longo dessas décadas. O senador foi um dos principais políticos que mantiveram apoio ao hoje presidente da República quando ele foi preso, em 2018.

Interlocutores ouvidos pela Folha afirmam que o senador já quis entregar a liderança duas vezes após derrotas do governo no Congresso, mas Lula não teria deixado. A primeira tentativa de abandonar o cargo ocorreu com a aprovação do PL da Dosimetria, que beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e, depois, quando Jorge Messias teve sua indicação ao STF rejeitada.

Agora, o governo teme que ação contra Wagner esvazie o efeito de revelações sobre o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também manteve relação com Vorcaro e chegou a pedir dinheiro ao ex-banqueiro para financiar o filme "Dark Horse", sobre seu pai.

Lula já havia questionado Wagner, em reuniões privadas, sobre notícias acerca de sua relação com Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. Segundo relatos, nessas ocasiões o senador tranquilizou o presidente, afirmando não haver envolvimento com o caso.

coluna Mônica Bergamo também apurou que o presidente já estava preparado para a possibilidade de o escândalo do Banco Master atingir pessoas do núcleo de seu governo, especialmente da Bahia, e já teria inclusive ensaiado a resposta para dar.

A expectativa no Planalto é que Lula reitere discurso em favor das operações iniciadas em seu próprio governo e faça um pedido de explicações a Wagner.

 

A fase da Operação Compliance Zero deflagrada pela PF na última semana apura suspeitas de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Além de Wagner, foram alvos Augusto Lima e Eduardo Sodré Martins, enteado de Wagner e secretário no governo Jerônimo Rodrigues (PT-BA).

Os investigadores identificaram um pagamento de R$ 3,5 milhões de uma empresa ligada a Lima ao "núcleo familiar" de Wagner, o que, segundo o ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, é uma das evidências de proximidade entre o parlamentar e o senador.

Wagner também teria recebido de Lima um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões, além de viagens gratuitas em jatinhos ligados ao Master, e ingressos para assistir a um show de uma "cantora internacional" em Los Angeles, em 2023.

Em endereços ligados ao senador, agentes da Polícia Federal encontraram US$ 55 mil e 33 mil euros (cerca de R$ 471 mil, em valores atuais).

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Nona fase da Operação Compliance Zero mira Jaques Wagner e Augusto Lima

 

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