Brasília: a “Capital da Vaidade” ?
Brasília: a “Capital da Vaidade” ?
Data: 15/11/2025Autor: Chico Sant'Anna0 Comentários

A cidade apresenta o segundo maior potencial de consumo per capita de artigos relacionados à moda do Brasil. Perde apenas para a cidade de São Paulo. O comércio candango em geral, apresentou, contudo, retração no mês de setembro, dado mais atualizado existente até agora.
Por Chico Sant’Anna
Mais um vez, Brasília desponta como detentora da maior renda per capita do Brasil. Dados recém divulgados pelo IBGE, apontam que o PIB per capita é estimado em R$ 129.790,44, anuais; R$ 10.815, 87 por mês. O valor é 2,4 vezes maior do que a média nacional. Um alto poder aquisitivo tende a repercutir positivamente no padrão de consumo e um dos setores beneficiados é o dos artigos relacionados à moda. Pode se dizer que a cidade é a “Capital da Vaidade”. O potencial anual de consumo de Brasília nesse segmento é estimado em R$ 4,464 bilhões. Em termos individuais – considerando a população economicamente ativa do DF, isso representa um gasto de R$ 2.530,48 . o que coloca Brasília como a segunda cidade do país onde mais se gasta com moda. Perde apenas para São Paulo, onde o consumo per capita do paulistano, é de R$ 2.578,39. Entretanto, todo esse potencial econômico não tem refletido no fomento à produção e criação locais.

Na avaliação de Verônica Goulart (foto), professora da Educação Profissional e Tecnológica do segmento do vestuário, a pesquisa confirma que os moradores da capital compram muito e valorizam aparência e estilo. Porém, esse poder de consumo não se traduz em apoio consistente à moda autoral local.
“Apesar da existência de criadores talentosos, que se esforçam para transformar a moda brasiliense em identidade cultural, ainda predomina um comportamento social elitista e conhecido: a moda como entretenimento, onde marcas internacionais são usadas como símbolos de status, enquanto as marcas locais recebem elogios, mas são pouco consumidas” – avalia Verônica Goulart.
Nacionalmente, os gastos com moda devem apresentar em 2025 um crescimento de 11,5%, em relação ao ano passado, quando o brasileiro consumiu R$ 241,4 bilhões. Os cálculos são da Pesquisa IPC Maps, especializada em potencial de consumo nacional.
Segundo o estudo, só a categoria de vestuário confeccionado responderá, nacionalmente, por R$ 182,7 bilhões. Nos cálculos acima, também são levadas em conta despesas com calçados, joias, bijuterias e armarinhos.
Para Verônica Goulart se houvesse investimentos na indústria do vestiário candango. Brasília poderia aproveitar melhor esse potencial de consumo de artigos de moda, seja localmente, seja a nível nacional.

“Enquanto outros estados fomentam ecossistemas criativos , Brasília permanece orgulhosa da sua história, mas investindo pouco. Cursos de formação são descontinuados e não há investimento feito pelo governo local. Paralelamente a isso, a elite brasiliense, com seu grande poder de consumo, investe em marcas estrangeiras ou, quando muito, em estilistas do eixo Rio-São Paulo. Falta que essa cultura de pertencimento transforme admiração em compra real e reconhecimento em investimentos locais. Para que Brasília deixe de ser apenas uma vitrine social e se torne uma cena de moda autêntica, é necessário romper o pacto da aparência e construir um mercado baseado em compromisso e apoio real. A moda brasiliense só prosperará quando as pessoas aceitarem vestir não apenas grifes que simbolizam status, mas produtos que traduzam suas verdadeiras identidades” – conclui Verônica Goulart.
Unidades da Federação
Na liderança do ranking nacional, o estado de São Paulo é a unidade da federação líder: potencial estadual de R$ 65,7 bilhões; seguido por Minas Gerais com R$ 28,8 bilhões; Rio de Janeiro, R$ 19 bilhões; e Rio Grande do Sul, na quarta posição, totalizando R$ 17,7 bilhões nos gastos das famílias com itens relacionados a Moda. O Distrito Federal, nessa métrica de potencial acumulado da unidade da federação, devido a grande diferença de população, aparece em 15º lugar. Entretanto, quando avaliadas apenas as capitais, ele sobre para quarto lugar e, se a métrica for a individualização pelo quantitativo de pessoas que são consideradas economicamente ativas – entre 15 e 65 anos – vira a vice campeã.

Apesar do crescimento do potencial de consumo, a mesma pesquisa aponta que nacionalmente houve uma queda de 4,6% na quantidade de lojas do ano passado para cá. A maior queda foi entre os microempreendedores individuais (MEIs), já que 74.483 deles fecharam suas portas. Com isso, segundo o IPC Maps, o país abriga hoje 1.102.906 comércios varejistas de vestuário e calçados, entre outros.
No Distrito Federal, dados de setembro de 2025– o mais atualizado disponível – da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), do IBGE, mostrou que o volume de vendas do varejo candango caiu 1,7% em relação a agosto, tendo sido o terceiro pior desempenho entre as unidades da federação no período. Em contrapartida, o resultado interanual (comparado a setembro de 2024) foi positivo, com crescimento de 1,5%, mesma taxa se verificou no acumulado do ano até setembro.


