‘Trump tenta reeditar intervenção nas eleições ao estilo 1964’

‘Trump tenta reeditar intervenção nas eleições ao estilo 1964’

‘Trump tenta reeditar intervenção nas eleições ao estilo 1964’

Carmen Munari Focos 21

‘Trump tenta reeditar intervenção nas eleições ao estilo 1964’

A conclusão do título é o mote de extensa reportagem do britânico The Guardian, de autoria do “expert” em Brasil, Tom Phillips

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“Ecos da Guerra Fria: EUA são acusados de interferir em mais uma eleição no Brasil. As alegações de que Trump e Rubio estão tentando influenciar o resultado têm semelhanças com a intervenção da CIA há 64 anos”, título e subtítulo de extensa reportagem do britânico The Guardian, em que o tarimbado jornalista Tom Phillips mostra a influência do governo Trump nas eleições brasileiras, capitaneada pelo secretário de Estado Marco Rubio.

Segue o texto. O ano era 1962 e o governo Kennedy estava desesperado para influenciar as eleições legislativas do Brasil contra seu presidente de esquerda, João Goulart, como forma de combater a suposta ameaça comunista que se espalhava por uma região que os EUA consideravam seu quintal. Historiadores afirmam que, na corrida eleitoral, a CIA e o Departamento de Estado canalizaram secretamente milhões de dólares para candidatos da oposição e para um grupo encarregado de divulgar propaganda de direita e incitar a agitação social. A história pode se repetir nas eleições brasileiras de 2026.

A votação de outubro deste ano colocará frente a frente o atual presidente de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva, e o senador de extrema direita Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, um aliado de Donald Trump que cumpre pena de 27 anos por planejar um golpe militar.  As pesquisas apontam para uma disputa acirrada, e Trump e seu secretário de Estado, Marco Rubio, foram acusados de tentar inclinar a balança a favor de Bolsonaro ao lançarem uma campanha aberta de pressão econômica e diplomática contra Lula.

A reportagem entrevistou Celso Rocha Barros, cientista político, que deu o fecho do texto: “A verdade é que esta é uma disputa eleitoral entre Lula e Marco Rubio”.

TRUMP: TODOS À DIREITA NA AL

Coincidência com o Guardian: O presidente Trump afirmou nesta quarta-feira (2) que possui um bom relacionamento com o Brasil e destacou ter ajudado “muita gente a ser eleita” nas Américas nos últimos tempos. O republicano, que falou com jornalistas na Casa Branca, em Washington, não citou Lula, mas celebrou o fato de que as nações do continente “estão todas indo para a direita”. “Eles deixaram a esquerda e foram para a direita. Temos um bom relacionamento com o Brasil. Na verdade, temos um bom relacionamento com praticamente todos eles agora. Eles têm muito respeito pelo nosso país, mas não respeitavam nem um pouco há dois anos. Então, estamos indo muito bem na América do Sul e Latina”, disse.

O magnata afirmou ter grande influência nas eleições do continente, como as parcerias com os governos da Colômbia, de El Salvador e da Argentina. Trump também não escondeu que “há muitas pessoas que ajudou a eleger” na região.

Em relação à Venezuela, Trump disse não acreditar que o país esteja pronto para realizar novas eleições, apesar do desejo da presidente interina, Delcy Rodríguez, de que elas ocorram em um futuro próximo. (Ansa)

PESQUISA: EMPATE

Em um segundo turno simulado, Lula obteria 42% dos votos, ​contra 41% do filho mais velho do ​ex-presidente Jair Bolsonaro. A Quaest classificou esse resultado como um ⁠empate técnico, já que sua pesquisa tem uma margem de erro ​de 2 pontos percentuais. Uma pesquisa anterior da Quaest, divulgada em 14 de agosto, mostrava Lula à frente de Bolsonaro por 43% a 40%. Em um cenário de primeiro turno, Lula lideraria com 37% dos votos, seguido por Bolsonaro (30%), Augusto Cury (10%) e Renan Santos (3%).

A Quaest é a terceira grande pesquisa desta semana a mostrar o escritor e psiquiatra Cury em terceiro lugar, já que aparições na TV e forte alcance nas redes sociais elevaram sua posição nas pesquisas.

Se nenhum candidato obtiver mais de 50% dos votos válidos no primeiro turno, os dois candidatos mais votados avançam para o segundo turno.

A Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre 30 de agosto e 1º de setembro.

Esta é a primeira pesquisa da Quaest divulgada desde o início da campanha política na televisão e no rádio.

Ela também surge após novos desdobramentos em uma investigação envolvendo o filho de Lula, Fábio Luís Lula da Silva, sobre alegações de que ele teria auxiliado indevidamente um lobista em negociações com o Ministério da Saúde. O filho de Lula negou as acusações.  (Reuters)

LULA E DICAPRIO

O presidente Lula e a primeira-dama, Janja, se reúnem nesta quarta-feira com o ator norte-americano Leonardo DiCaprio. Segundo a mídia local, o encontro, no Palácio do Planalto, tem como foco a preservação do meio ambiente, a biodiversidade e as iniciativas voltadas para os povos indígenas. DiCaprio está no Brasil no âmbito de uma viagem dedicada a projetos de conservação. Nos últimos dias, ele visitou o estado do Mato Grosso, onde se reuniu com o cacique Raoni Metuktire e comunidades indígenas, além de ter visitado o Pantanal do Mato Grosso do Sul. (RT / Ansa)

 

CRISE NO STF

 

O presidente do Supremo Tribunal Federal do Brasil, Edson Fachin, anunciou nesta quarta-feira que adotará as “medidas necessárias” após a divulgação de mensagens que o banqueiro Daniel Vorcaro teria enviado ao juiz Alexandre de Moraes em meio à crise do Banco Master. Segundo ele, a decisão será comunicada nos próximos dias, assim que for concluída a análise institucional do caso. “Nos próximos dias, concluída a análise necessária dos fatos e observados os procedimentos institucionais pertinentes, esta Presidência anunciará, no momento oportuno e sem precipitação, as medidas que se impõem e forem necessárias”, afirmou durante um seminário sobre democracia. “Em momentos de especial gravidade, é dever de todos preservar a integridade do Supremo Tribunal Federal, a autoridade de suas decisões, o respeito às suas normas e, acima de tudo, a confiança da sociedade na instituição”, acrescentou o presidente do Supremo. (Ambito / EFE)

Dois dos principais jornais do Brasil se uniram nesta quarta-feira aos setores políticos que têm pedido a renúncia do ministro do Supremo Alexandre de Moraes, questionado por sua proximidade com um banqueiro preso por fraude. O caso agita a política no país, em plena campanha para as eleições presidenciais de outubro, nas quais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca a reeleição e disputa quase empatado com o senador de direita Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. (Ambito)

O “Estado de São Paulo” e a “Folha de São Paulo”, dois dos jornais mais influentes, exigiram em seus editoriais a renúncia de De Moraes — conhecido mundialmente por supervisionar o processo que levou à prisão do ex-presidente Bolsonaro por golpismo — ou sua destituição pelo Senado. “Não há mais lugar no Supremo para Alexandre de Moraes. Se o magistrado não renunciar, caberá ao Senado, por meio de um processo de impeachment, livrar o tribunal desse fardo”, afirmou a Folha de São Paulo. Na mesma linha, o Estado de São Paulo sustentou que De Moraes “já não está em condições de continuar” na mais alta instância judicial do país. “Um investigado por fraudes multimilionárias buscava, junto a um magistrado, informações, orientação e intervenção sobre ações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, enquanto seu banco pagava quantias exorbitantes ao escritório de advocacia de sua família, um contrato que leva a assinatura do próprio Moraes”, resumiu o jornal. (Clarín)

Flávio Bolsonaro pede a renúncia do juiz Alexandre De Moraes, após escândalo de corrupção.  (Ambito)

REGRAS PARA DEEPFAKE

O TSE estabeleceu novos parâmetros para definir o que será considerado como “deepfakes” gerados por inteligência artificial na propaganda política, uma medida que visa coibir a desinformação e a manipulação antes das eleições de outubro. O tribunal proferiu a decisão na noite de terça-feira em um caso envolvendo o candidato da oposição, o senador Flávio Bolsonaro, que utilizou o mecanismo na convenção de seu partido para exibir imagens geradas por IA de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso, endossando sua campanha contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. (AP)

DILMA: 10 ANOS DEPOIS

Segunda-feira marcou dez anos desde o golpe de Estado “institucional” perpetrado pela direita brasileira contra a presidente Dilma Rousseff, uma economista de esquerda que lutou contra a ditadura apoiada pelos Estados Unidos. Em 31 de agosto de 2016, o Senado brasileiro votou por 61 a 20 a favor de seu impeachment, encerrando treze anos de governos federais liderados pelo Partido dos Trabalhadores. Entre 2003 e 2014, o Brasil implementou programas sociais que reduziram a pobreza e baixaram as taxas de desemprego para um mínimo histórico de 4,8% no final de 2014. Durante esse período, as Nações Unidas retiraram o Brasil do seu Mapa Mundial da Fome. O governo do Partido dos Trabalhadores priorizou investimentos públicos em educação, saúde e habitação por meio de programas federais como o “Minha Casa, Minha Vida”. A destituição de Rousseff marcou uma mudança no quadro de políticas socioeconômicas do Brasil. O novo governo de Michel Temer aprovou rapidamente a Emenda Constitucional nº 95, que estabeleceu um teto de vinte anos para os gastos públicos, ajustado apenas pela inflação. (Telesur)

DATACENTERS

O Congresso Nacional aprovou nesta terça-feira um projeto de lei que isenta equipamentos relacionados a centros de dados de impostos federais, como parte do plano do governo para atrair esses projetos para o país. (Reuters)

 

Jornalista, ex-Folha, Reuters e Valor Econômico.