Suprema Corte da Venezuela determina posse interina de Delcy Rodríguez

Suprema Corte da Venezuela determina posse interina de Delcy Rodríguez

Suprema Corte da Venezuela determina posse interina de Delcy Rodríguez

Em pronunciamento transmitido pela televisão estatal, a vice-presidente pediu calma e afirmou que a Venezuela “nunca será colônia de nenhuma nação”

Por Camila Bezerra

Crédito: Reprodução/ Instagram

O TSJ da Venezuela nomeou Delcy Rodríguez presidente interina após prisão de Nicolás Maduro pelos EUA em ataques a Caracas.
Delcy convocou resistência contra intervenção estrangeira e afirmou que Maduro é o único presidente legítimo do país.
Trump anunciou que os EUA administrarão a Venezuela temporariamente até transição política, sem incluir líder opositora María Machado.

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O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela decidiu, no último sábado (3), que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma, de forma interina, os poderes do presidente Nicolás Maduro, capturado pelos Estados Unidos após ataques militares a Caracas

De acordo com a decisão, Rodríguez passará a exercer “o cargo de Presidente da República Bolivariana da Venezuela, com o objetivo de garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da Nação”. O tribunal informou ainda que irá discutir, nos próximos dias, o enquadramento jurídico aplicável para assegurar a continuidade do Estado, a administração do governo e a proteção da soberania nacional diante da “ausência forçada” do chefe do Executivo.

Pouco depois da prisão de Maduro, Delcy Rodríguez convocou ministros e a população venezuelana a resistirem a uma intervenção estrangeira no país. Em pronunciamento transmitido pela televisão estatal, ela pediu calma e afirmou que a Venezuela “nunca será colônia de nenhuma nação”. A vice-presidente também declarou que Nicolás Maduro continua sendo o único presidente legítimo do país e classificou sua captura como um “sequestro” promovido pelos Estados Unidos.

A declaração foi feita em Caracas, ao lado do presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão da vice-presidente, do ministro do Interior, Diosdado Cabello, e dos titulares das pastas das Relações Exteriores e da Defesa.

Após meses de especulações e de operações navais nas proximidades da costa venezuelana, os Estados Unidos lançaram neste sábado ataques contra diversos pontos da capital e capturaram Nicolás Maduro e sua esposa. O casal foi levado para Nova York a bordo de um navio de guerra norte-americano.

“A Venezuela só tem um presidente: Nicolás Maduro”, afirmou Delcy Rodríguez, reagindo ao anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que Washington pretende assumir temporariamente o controle do país até a realização de um processo de transição política.

Planos dos Estados Unidos

Em pronunciamento feito na tarde deste sábado em sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida, Trump afirmou que os Estados Unidos irão administrar a Venezuela por meio de um “grupo” a ser designado, até que ocorra uma transição de poder. O presidente norte-americano não detalhou como nem quando esse processo se dará, limitando-se a dizer que divulgará em breve os nomes dos integrantes.

“Vamos administrar o país pelo tempo que for necessário. Temos certeza de que haverá uma transição adequada, justa e legal. Queremos liberdade e justiça para o grande povo da Venezuela”, declarou.

Trump disse ainda que o grupo será composto por membros do alto escalão de seu governo e que não incluirá a líder oposicionista María Corina Machado. Mais cedo, a opositora havia defendido que a oposição assumisse imediatamente o poder. O presidente dos EUA afirmou, no entanto, que Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, “não tem apoio interno nem respeito” para governar.

“Ela é uma mulher muito simpática, mas não tem o respeito necessário na Venezuela”, disse Trump, acrescentando que o secretário de Estado, Marco Rubio, mantém diálogo com Delcy Rodríguez, que, segundo ele, “está disposta a fazer o que for preciso”.

Durante o discurso, Trump também citou a Doutrina Monroe, política adotada há cerca de 200 anos para ampliar a influência dos Estados Unidos na América Latina, e afirmou que “o domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”.