PF: Vorcaro bancava viagens de luxo e restaurantes caros de Ciro Nogueira e namorada
PF: Vorcaro bancava viagens de luxo e restaurantes caros de Ciro Nogueira e namorada
Investigação cita hotel em Nova York, cartão para despesas pessoais e repasses mensais ao senador
Ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, Ciro Nogueira (foto) cumpre segundo mandato como senadorFoto: Senado Federal do Brasil
BRASÍLIA – A Polícia Federal (PF) identificou indícios de que o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, bancou viagens, hospedagens em hotel de luxo, restaurantes e outras despesas pessoais do senador Ciro Nogueira (PP-PI).
As informações constam na decisão do ministro André Mendonça que autorizou a nova fase da operação Compliance Zero, deflagrada na manhã desta quinta-feira (7/5).
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Seguir no GoogleSegundo a investigação, as vantagens atribuídas ao senador incluiriam hospedagem no hotel Park Hyatt, em Nova York, despesas em restaurantes de alto padrão e até a disponibilização de um cartão para cobertura de gastos pessoais.
A PF afirma que os elementos reunidos até agora reforçam a necessidade de aprofundar a apuração sobre a relação entre o parlamentar e o dono do Banco Master.
Mensagens autorizando pagamentos e cartão de crédito disponível
Os investigadores rastrearam conversas entre Vorcaro e um de seus operadores, identificado como Léo Serrano, sobre pagamentos de despesas do senador e da acompanhante dele, Flávia.
Em uma das mensagens reproduzidas na decisão judicial, Serrano pergunta se os funcionários deveriam continuar pagando as contas de restaurantes de “Ciro/Flávia” até sábado. Vorcaro responde: “Sim. Depois leva meu cartão para St. Barths”.
Outro trecho da investigação aponta possíveis repasses periódicos ligados ao senador. Em conversa de junho de 2025, Daniel Vorcaro questiona um interlocutor sobre um atraso envolvendo “Ciro”. Na sequência, Felipe Vorcaro responde: “Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”. A PF não detalha, neste momento, a natureza exata dos valores mencionados nas mensagens.
Dez mandados de busca e apreensão
A nova fase da operação Compliance Zero foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal e teve como foco o núcleo político das investigações sobre suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Os agentes cumpriram dez mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária no Distrito Federal, em Piauí, São Paulo e Minas Gerais.
Além das buscas, a decisão de André Mendonça determinou o bloqueio de R$ 18,85 milhões em bens, direitos e valores ligados aos investigados. A investigação busca apurar possíveis conexões entre operadores financeiros, agentes públicos e estruturas usadas para ocultação patrimonial.
Ex-ministro e homem forte no governo Bolsonaro
Ciro Nogueira, que foi ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro (PL) e atualmente exerce o segundo mandato no Senado, também aparece em outra frente da investigação envolvendo suposta atuação parlamentar em favor do Banco Master.
Segundo a PF, uma emenda apresentada pelo senador para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) teria sido elaborada pela assessoria do banco e entregue impressa na residência do parlamentar.
A operação ocorre um dia após a defesa de Daniel Vorcaro apresentar à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República uma proposta de delação premiada. O material segue em análise e ainda não possui valor jurídico ou probatório.


