MANCHETES DOS JORNAIS DE DOMINGO 08/11/2026
Edição de Chico Bruno
MANCHETES DOS JORNAIS DE DOMINGO 08/11/2026
FOLHA DE S.PAULO: Alta dos juros e ausência de plano fiscal elevam risco de recessão no Brasil em 2027
O GLOBO: Fuga de Flávio é condenada por 62% dos eleitores e divide a direita
Correio Braziliense: Justiça manda Peña para prisão preventiva
Valor Econômico: Não circula hoje
O ESTADO DE S.PAULO: Corrida em torno do petróleo no extremo norte do país atrai investimento e expõe desafios
Destaques de primeiras páginas, fatos e bastidores mais importantes do dia
AGOURO do mercado - Projeções do Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), de consultorias e bancos indicam uma expansão do PIB (Produto Interno Bruto) ao redor de 1% em 2027, com uma recessão não descartada. Exercício preliminar do Ibre-FGV alerta que, mantendo-se a piora atual nas condições financeiras, com juros e dólar em alta, as atividades cíclicas (comércio, indústria de transformação e serviços), que acompanham o ritmo econômico, recuariam 0,5% em 2027. A indefinição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre como atacar a atual crise fiscal do país, raiz dos juros elevados, segundo economistas ortodoxos, complicou ainda mais o cenário após o segundo turno eleitoral. Os juros de mercado subiram, o dólar disparou e a Bolsa despencou.
CORREU do pau - Seis em cada dez brasileiros repudiam a fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos após a derrota na eleição presidencial e a postura golpista de questionar o resultado do segundo turno. A pesquisa inédita da Quaest “O Brasil depois das urnas”, à qual o GLOBO teve acesso, mostra a direita com fissuras na hora de avaliar as decisões do filho de Jair Bolsonaro, o que sinaliza um espaço para alternativas na oposição diante da crise do bolsonarismo. Para 62% dos entrevistados, a saída do país foi uma atitude errada, enquanto 29% a consideram acertada. Chama atenção, aqui, o recorte por identificação política: se entre pessoas de esquerda, lulistas e bolsonaristas as opiniões são mais óbvias, na direita não bolsonarista há empate técnico e quase numérico: 46% avalizam a fuga, e 45% a criticam. A direita que não se considera bolsonarista também tem as opiniões mais divididas de todos os grupos quando é perguntada sobre por que motivo Flávio partiu rumo aos Estados Unidos cerca de 48 horas depois de perder a eleição. No recorte, 42% acreditam que ele busca fugir da Justiça, e 51% afirmam que está se protegendo de uma perseguição política.
CRISE paraguaia - Ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña teve a prisão preventiva decretada pela Justiça por suposta responsabilidade no escândalo do Ueno Bank, que deixou milhões de pessoas sem acesso a seus depósitos. A decisão judicial atendeu a pedido do Ministério Público, que, também ontem, indiciou o ex-chefe de Estado. Investigado por quebra de confiança, tráfico de influência e gestão em proveito próprio, o ex-dirigente foi interrogado nesse sábado. Ao fim da audiência, o juiz Humberto Otazu informou que ele cumprirá prisão no Regimento Escolta Presidencial em Assunção, onde já estava detido desde a noite de sexta-feira.
PASSADO que alerta - A oportunidade de o Amapá experimentar um grande crescimento econômico a partir do petróleo da Margem Equatorial é assombrada por uma decepção histórica. Em meados dos anos 1940, a descoberta de grandes jazidas de manganês surgiu como chance de redenção. O que seria a solução para atrasos de desenvolvimento e conflitos com a França chegou ao fim de forma prematura e, até hoje, o Estado amarga alguns dos piores indicadores sociais e econômicos do País. A literatura acadêmica, segundo especialistas, indica que a descoberta de petróleo não é definidora do crescimento de uma região, apesar do incremento de receitas. No Rio de Janeiro e no Espírito Santo, há exemplos de municípios que viram o óleo jorrar, não se tornaram modelos de avanços sociais e econômicos e acumularam casos de desvios de verbas. Referência nacional em planejamento energético, o professor Ildo Luís Sauer, do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP, lembra que o pré-sal na Bacia de Santos foi anunciada em 2006 como um “passaporte para o futuro”. A renda seria o motor para a erradicação da pobreza, a universalização da educação pública de qualidade, um salto tecnológico no País e ainda para a criação de um Fundo Social.
CENTRÃO é a solução - A partir de 2027, o Partido Liberal terá as maiores bancadas na Câmara dos Deputados e no Senado. Além disso, ainda amplia a força da oposição no Congresso o número de parlamentares de outras siglas alinhados ao bolsonarismo. O cenário impõe dificuldades diretas à governabilidade do quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no parlamento. Especialistas apontam que o novo Congresso tende a aumentar o custo político do Lula 4. Para contornar o cenário, o governo terá de ampliar alianças com o centro, priorizar pautas menos controversas e manter a militância ativa nas ruas e nas redes sociais. “Lula sai fortalecido das urnas, porém encontrará um Congresso ainda mais resistente à sua agenda. O crescimento do PL torna o Centrão ainda mais indispensável para garantir uma governabilidade mínima no quarto mandato”, avalia o cientista político Murilo Medeiros.
MUDANÇA de relação - A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial e os movimentos da família após o resultado das urnas evidenciam desgaste ao grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro: a interlocução com lideranças evangélicas. Pastores e bispos que apoiaram o senador durante a campanha passaram a adotar um discurso mais cauteloso, marcado pela expectativa sobre os próximos passos da família, pelo reconhecimento da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e por críticas pontuais à condução política dos Bolsonaro. Embora não haja um rompimento generalizado, as manifestações indicam que a relação com o segmento religioso, um dos pilares eleitorais do bolsonarismo, atravessa um momento de incerteza.
LULA defenderá responsabilidade fiscal - No pronunciamento que fará neste domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltará a defender a responsabilidade fiscal e vai prometer ajuste nos gastos públicos para cumprir as metas fiscais, de acordo com interlocutores do Partido dos Trabalhadores. Além disso, o presidente vai agradecer aos mais de 60 milhões de votos que teve no segundo turno das eleições e destacar a aprovação do fim da escala 6x1 pelo Congresso Nacional, com consequente redução da jornada de trabalho em todo o país. De acordo com os interlocutores, Lula vai garantir que o reajuste nos gastos públicos não atinja os programas sociais e mantenha o cumprimento de promessas feitas durante a campanha eleitoral. A ideia é garantir superavit primário (economia para o pagamento dos juros da dívida pública) em todos os anos do quarto mandato. Além disso, no discurso, prometerá mostrar proximidade com os eleitores mais pobres, com os trabalhadores e dirá que governa para todos, mesmo os que não votaram nele, com a finalidade de pacificar o país e focar nas agendas relevantes.
PROBLEMAS fiscais crescentes - Apesar de Lula tentar demonstrar que está preocupado com a responsabilidade fiscal, ele ainda tem resistência para reconhecer que as contas do Orçamento de 2027 não fecham e isso é um dos motivos que tem gerado instabilidade no mercado financeiro — que segue cético de que haverá uma proposta crível para estabilizar a trajetória da dívida pública bruta, que está no maior patamar desde abril de 2021, de 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Fonte da equipe econômica, contudo, aponta como um dos caminhos do ajuste uma revisão na conta de gastos tributários, de quase R$ 800 bilhões pelas estimativas recentes, mas não dá detalhes de que subsídios poderiam ser revistos ou cancelados.
ONDA democrática global - No Palácio do Planalto, o resultado das eleições nos Estados Unidos foi recebido com positividade e aliados do presidente Lula defendem que ele deve liderar uma “onda democrática” no exterior. O chefe do Executivo recebeu a recomendação de não perder a oportunidade de aproveitar a repercussão da virada no segundo turno sobre o rival, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para defender que o Brasil é uma democracia consolidada e que o modelo institucional que gera estabilidade, mesmo diante de ataques internos e externos, deve servir de exemplo. Além disso, pessoas próximas ao presidente defendem que ele deve manter uma agenda de viagens por países aliados que vão ter eleições nos próximos anos, mas sem realizar qualquer ataque direto aos Estados Unidos ou a outro país.
BRASÍLIA Summit debate IA e competitividade - Os caminhos para transformar a inteligência artificial em vantagem competitiva para o Brasil estarão no centro do 9º Brasília Summit, que será realizado em 11 de novembro, no Hotel Brasília Palace, em Brasília. Com o tema “Inteligência Artificial, Regulamentação e Competitividade”, o encontro reunirá autoridades, empresários e especialistas para discutir os desafios da regulação, os avanços do Pix e do Open Finance e o futuro da infraestrutura financeira. A programação também abordará a transparência tecnológica e o controle humano no uso da IA. Entre os palestrantes confirmados estão Luís Felipe Salomão, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ); Luís Roberto Barroso, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF); senador Eduardo Gomes (PL-TO); deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP-PB); deputada federal Adriana Ventura (Novo SP); Ana Carla Abrão, presidente da Associação Open Finance Brasil, entre outros.
Três desafios… - A partir de 2027, o governo do presidente Lula terá desafios pela frente na transição gradual do mercado de energia para consumidores, que poderão escolher o fornecedor: a partir de novembro, para os industriais e, um ano depois, para os residenciais. Para o Instituto Acende Brasil, o barateamento do custo da energia ao consumidor, no entanto, ainda depende de três desafios para a transição segura. A entidade reconhece, contudo, que a abertura do mercado de energia “representa um avanço importante para ampliar a liberdade de escolha dos consumidores”.
…DO mercado aberto de energia - “O próximo governo terá três desafios centrais: preparar e informar os consumidores para que façam escolhas conscientes, garantir a segurança do fornecimento e estabelecer regras claras e previsíveis para a convivência entre os mercados livre e regulado. Nesse contexto, a implementação de planos de comunicação será fundamental para que a abertura se traduza em benefícios concretos, com mais concorrência, proteção ao consumidor e segurança para o setor elétrico”, diz o diretor-executivo do Instituto Acende Brasil, Eduardo Müller Monteiro.
FUSÕES e aquisições no DF crescem 120% - O número de fusões e aquisições no Distrito Federal apresentou aumento de 120%, nos seis primeiros meses deste ano, conforme levantamento da KPMG. Segundo a consultoria, foram efetuadas 11 operações, nesse período, contra cinco em 2025 na mesma base de comparação. Contudo, o valor das transações chegou a R$ 2,7 bilhões, dado 52,5% inferior aos R$ 5,6 bilhões no mesmo período do ano passado. O setor de tecnologia, mídia e telecomunicações liderou as transações, respondendo por quase metade do total. “O setor de tecnologia segue impulsionando os negócios no Brasil. E no DF, os empresários seguem o mesmo caminho para o desenvolvimento tecnológico das organizações e otimização das operações”, disse o sócio da KPMG, Daniel Cifu. No Centro-Oeste, segundo a KPMG, o número de transações aumentou 9,7% de janeiro a junho, somando 34 operações, com volume negociado de R$ 24 bilhões.
“EXÉRCITO do Lula” na Turquia - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou o sábado se preparando para a viagem internacional desta semana. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele disse que tenta recuperar a voz e “curar a rouquidão” para embarcar amanhã para a Turquia, onde participa da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 31). Depois, segue para as Filipinas, onde participa da 49ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). A viagem do presidente ao Sudeste Asiático conta com agendas voltadas ao enfrentamento da mudança do clima, cooperação internacional e fortalecimento das relações diplomáticas e comerciais. Nas Filipinas, Lula realiza, no sábado, a primeira visita de um chefe de Estado brasileiro ao país. O presidente também participa do Foro Empresarial Brasil-Filipinas e da Cúpula da Asean. Lula retorna ao Brasil em 15 de novembro. Na postagem de ontem, o presidente também confirmou que o deputado André Janones (Rede-MG) o acompanhará na viagem e que ambos devem realizar uma live — transmissão de vídeo ao vivo — enquanto estiverem na Turquia para falar com a “tropa”. Ele se refere à militância do “Exército do Lula”, canal no WhatsA pp criado por Janones para mobilizar aliados nas redes sociais e nas ruas.
LULA planeja reformular gabinete pessoal - O presidente Lula (PT) planeja reestruturar seu Gabinete Pessoal para o quarto mandato, com o acréscimo de atribuições e a nomeação de uma figura para tratar exclusivamente da agenda privada do petista. Segundo aliados, uma das propostas em discussão é a transferência para lá da gestão de páginas do presidente nas redes sociais, hoje a cargo da Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência). A expectativa de pessoas próximas a Lula é que a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, passe a exercer maior influência na comunicação pessoal do presidente com a transferência de suas redes para o Gabinete Pessoal.
LULA 4 gera mais otimismo que em 2022 - A quarta vitória presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputou sete das dez eleições brasileiras desde a redemocratização, deixou os brasileiros mais otimistas do que em 2022, quando conseguiu o atual mandato. Ao mesmo tempo, segundo a pesquisa da Quaest “O Brasil depois das urnas”, disparou a preocupação com possíveis conflitos entre o governo e o Congresso, que ficará mais à direita. Sete em cada dez entrevistados (70%) vislumbram atritos, um aumento de 22 pontos na comparação com o resultado de quatro anos atrás. Até em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF), cujo trato com o petista foi positivo nos últimos anos, os entrevistados veem uma possibilidade maior de embates do que avaliavam há quatro anos. Passou de 33% para 46% o percentual dos que vaticinam uma relação mais complicada do que nos quatro anos anteriores. Recentemente, a Corte ficou fragilizada por uma série de denúncias envolvendo ministros no âmbito do caso Master, e a delimitação de alas específicas ligadas aos dois polos da disputa política no país ficou evidente. No primeiro levantamento feito pelo instituto depois da eleição de 2022, 41% se diziam otimistas com o governo que assumiria. Agora, o percentual é de 44%. Na outra ponta, caiu de 54% para 48% o número dos que se consideram preocupados com a nova gestão. Embora a preocupação ainda seja superior, o saldo negativo ficou reduzido.
ALCKMIN vira nome 'coringa' - Após desempenhar papel relevante na campanha que garantiu a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) se cacifou para ampliar o espaço no quarto mandato e passou a ser visto no governo como um “coringa” na montagem da Esplanada. Os ministérios da Fazenda, Segurança Pública, Defesa e Indústria e Comércio são as possibilidades em análise, em uma equação que leva em conta também a sucessão em 2030. Aliados do vice defendem um papel maior a ele, mas temem o desgaste de uma pasta que possa colocá-lo no alvo de críticas. Governador de São Paulo por quatro vezes, Alckmin é considerado nos bastidores um nome versátil e já testado em momentos como a reação ao tarifaço americano e a Reforma Tributária.
VITÓRIA de Lula reforça isolamento de Mendonça e Marques - Foco dos candidatos na campanha eleitoral, a correlação de forças no Supremo Tribunal Federal (STF) deve acirrar o isolamento dos ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os dois são vistos nos bastidores do tribunal como contraponto ao grupo de magistrados mais próximos ao petista, que agora terá a oportunidade de indicar mais quatro nomes para integrar a Corte, ampliando sua influência. Durante a disputa pelo Palácio do Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou a citar a possibilidade de indicar até cinco ministros ao STF caso fosse eleito presidente, em tentativa de atrair eleitores críticos à Corte, que teve a imagem abalada após suspeitas envolvendo magistrados no caso Master. Nas contas de Flávio, além da vaga aberta hoje e dos três integrantes que se aposentarão até 2030, também estava um eventual impeachment de Alexandre de Moraes. Assim, com Nunes Marques e Mendonça, indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, o cenário traçado indicava uma maioria no tribunal. Com a vitória de Lula, esse cálculo mudou. O grupo que mantém interlocução mais frequente com o Planalto é formado por Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Flávio Dino, embora apenas os dois últimos tenham sido indicados pelo petista. Gilmar tem aposentadoria prevista para 2030, quando completará 75 anos. Antes dele, Luiz Fux, em 2028, e Cármen Lúcia, em 2029, devem deixar a Corte pelo mesmo motivo.
Presidente IPG-Instituto João Goulart


