MANCHETES DOS JORNAIS DE DOMINGO 01/11/2026
Edição de Chico Bruno
MANCHETES DOS JORNAIS DE DOMINGO 01/11/2026

FOLHA DE S.PAULO: Dólar alto após eleições se soma a El Niño e ameaça inflação no Brasil
O GLOBO: Governo tenta aprovar regras para uso da IA e concorrência entre big techs
Valor Econômico: Não circula hoje
O ESTADO DE S.PAULO: Eleições põem à prova Trump e sua influência no mundo
Correio Braziliense: Rubio nega ajuda na fuga de Flávio
Destaques de primeiras páginas, fatos e bastidores mais importantes do dia
CENÁRIO pós eleições - O dólar mais alto após a reeleição do presidente Lula (PT) surge como risco adicional para a inflação e começa a provocar revisões nas projeções de economistas para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Segundo eles, a ameaça ocorre em um momento no qual os preços dos alimentos já refletem os impactos iniciais do fenômeno climático El Niño. A moeda americana fechou a sexta-feira (30) em R$ 5,447, a maior cotação neste ano. A alta acumulada na semana pós-eleições foi de 9,2%. Trata-se de uma resposta do mercado financeiro ao temor de um ajuste fiscal insuficiente por parte do governo. A meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) tem centro de 3%. O intervalo de tolerância é de 1,5 ponto percentual para menos ou para mais, o que significa piso de 1,5% e teto de 4,5%.
REAÇÃO a gigantes - Após prometer colocar a regulação das big techs no centro de seu quarto mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva correrá contra o tempo para tentar aprovar este ano projetos que avancem no regramento das plataformas no país. A estratégia é buscar, ainda nesta legislatura, avanços em novas regras com projetos que já existem, antes da mudança na composição do Congresso, com maior participação de parlamentares alinhados à direita, que, para o Executivo, tendem a ser mais refratários às propostas. O governo vê uma janela de oportunidade para votar até dezembro o Marco Legal da Inteligência Artificial (IA), que cria novo regime de obrigações para as gigantes de tecnologia. O projeto traz exigências de transparência, responsabilização por danos e limites para o uso de conteúdos protegidos por direitos autorais. Em outra frente, o Ministério da Fazenda quer aprovar este ano projeto que fortalece a regulação concorrencial de big techs. A proposta cria obrigações prévias para empresas consideradas de relevância sistêmica em mercados digitais, ou seja, gigantes que têm o poder de criar monopólios e sujeitar às suas regras não só consumidores, mas também setores econômicos.
O FUTURO de Trump - Dois anos depois de entregarem a Donald Trump mais um turbulento mandato presidencial, os eleitores dos EUA voltam às urnas na terça-feira, em uma votação que definirá os dois últimos anos do republicano na Casa Branca e também o que virá depois. Estarão em jogo a Câmara dos Deputados, um terço do Senado, além de milhares de cargos em governos estaduais. Sob impacto da impopularidade crônica do presidente, as pesquisas apontam que os democratas podem, no melhor dos cenários, dominar todo o Congresso, seguindo uma tendência histórica: desde 1936, o partido que estava no poder perdeu espaço, ou o controle de ao menos uma das Casas, em 20 das 22 ocasiões. A lista inclui o próprio Trump, que em 2018, em seu primeiro mandato, sofreu uma derrota que abriu caminho para dois processos de impeachment.
FUGA, tô fora - O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirma que não houve facilitação das autoridades norte-americanas na escapada do ex-candidato Flávio Bolsonaro, logo após a derrota nas eleições de domingo passado. “Ouvimos que ele chegaria aos Estados Unidos, ele tinha um visto. Não estamos envolvidos em nenhum dos arranjos que ele fez em termos de sair do país (Brasil)”, destacou o braço-direito de Donald Trump. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (31) não ter planos de se encontrar com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas que o senador brasileiro pode permanecer no país "o tempo que quiser".
DANÇA das cadeiras - Nos dias que se seguiram ao segundo turno da eleição presidencial, ganharam força as discussões e rumores sobre quem serão os próximos ministros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A Esplanada deve mudar de cara em janeiro, acomodando a nova correlação de forças entre os partidos no Congresso e aliados que ganharam destaque durante a campanha. Ainda é cedo para saber como será o novo governo, mas algumas alterações já são dadas como certas. O Ministério da Fazenda, que conduz a política econômica do governo federal, é o que mais movimenta especulações atualmente. A expectativa é de que o atual titular, Dario Durigan, deixe o posto.
CARLOS BOLSONARO quer Marinho no Senado - O senador eleito Carlos Bolsonaro (PL-SC) visitou, ontem, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em sua casa no Jardim Botânico, onde cumpre prisão domiciliar. Após a conversa, Carlos disse estar preocupado com a saúde do pai, e reforçou que o senador Rogério Marinho (PL-RN) é o candidato do partido para a presidência da Casa Alta, como anunciado pelo irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). “A gente tem uma eleição do Se nado agora. Nosso candidato é Rogério Marinho, e a gente vai seguir essa linha para que a gente possa defender minimamente tudo aquilo em que a gente acredita, tudo aquilo que a gente prometeu para vocês. A luta vai continuar”, declarou Carlos.
SAÚDE de Jair - Em seu vídeo, Carlos Bolsonaro voltou a demonstrar preocupação com o estado de saúde do pai. Ele enfrenta as consequências da facada que sofreu em 2018, que atingiu seu intestino. “Vou falar um pouco do meu pai aqui. Ele está… O s luço dele voltou. É claro que, devi do às circunstâncias, que acabam afetando o psicológico dele, essas coisas acontecem. Me assusta um pouquinho o crescimento da barriga dele. O emagrecimento, aquilo que eu sempre falei”, comentou o senador eleito. Carlos mencionou, ainda, que Jair está “com saudades” de Flávio e de Eduardo Bolsonaro, que mora desde o ano passado nos Estados Unidos. Os dois irmãos deixaram o país em meio a investigações.
ELEIÇÃO dos rejeitados - Silvia Matos, do Ibre, reforçou o alerta de que as urnas mostraram que “o governo venceu perdendo”, diante do alto nível de rejeição do petista e de seu rival nas últimas pesquisas de opinião, que superavam 50%. “Logo, não há nada endossado, porque foi a eleição dos rejeitados”, resumiu ela, ressaltando a importância de uma agenda econômica preocupada com o equilíbrio fiscal. “Não há como controlar a inflação e os juros se o governo insistir na inconsistência do ponto de vista macroeconômico”, frisou.
OPOSIÇÃO e bolsonarismo acéfalos - O país segue dividido, com a direita e o bolsonarismo desnorteados e buscando novos nomes para encabeçar a liderança deles após a fuga cinematográfica de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, onde não terá apoio incondicional de Donald Trump, que pode sair derrotado das urnas na terça feira. Além disso, é bom lembrar que, apesar da segunda derrota para Lula nas eleições presidenciais, o bolsonarismo não morreu.
TERCEIRA via e consensos - O resultado das urnas também deixa espaço para uma articulação da terceira via, posicionada mais ao centro, sem extremismos e com boas ideias para o futuro do país, segundo os analistas. Eles lembram que Lula não tem sucessor ainda e, com o exílio dos dois filhos de Jair Bolsonaro, a família não terá outra chance. “Vai ser muito importante se o Brasil conseguir voltar para o centro e deixar os extremos”, defendeu a economista Monica de Bolle, pesquisadora sênior do Peterson Institute for International Economics (PIIE). Ela reconheceu que não há razão para o alarmismo da Bolsa, “porque o país não está quebrando”. “O mercado precisa amadurecer”, disse. Contudo, ela admite a necessidade de ajustes e de alguém de peso no Ministério da Fazenda. “Lula precisa de um nome que injete confiança, e ele precisa buscar o centro e o consenso com aliados que o apoiaram na reeleição”, alertou.
“QUEIMOU a largada” - Favorito original do mercado financeiro antes de Flávio Bolsonaro, o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicano), já queimou a largada ao lançar-se para a corrida presidencial de 2030. “É muito precipitado. Antecipar a disputa pode transformá-lo em alvo da esquerda e, sobretudo, do fogo amigo bolsonarista. O risco é desgastar sua liderança antes mesmo de a corrida eleitoral começar”, alertou o sociólogo Arilton Freres, CEO da Indexa Pesquisas. “Sempre é bom lembrar que o último governador de São Paulo, que se movimentou nesse sentido, foi João Dória, que acabou nem sendo candidato”, acrescentou.
UM nome de equilíbrio na direita - Após a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos e o constrangimento dos integrantes e líderes do partido do candidato derrotado, o PL, a oposição, que será maioria no Congresso ficou sem um líder para chamar de seu. Nesse vácuo, um dos nomes cotados é o da senadora Teresa Cristina (PP-MS), que pediu serenidade e respeito ao resultado das urnas no meio da confusão da fuga de Flávio enquanto apoiadores questionavam o resultado. Ela ainda afirmou que a “direita precisa se unir aos esforços” e fiscalizar o atual e futuro governo. “A liderança da oposição ainda passará por rearranjos, e não será fácil consolidar um nome para esse papel”, avaliou Arilton Freres, da Indexa. Para ele, “de fato, o nome da senadora é mais equilibrado”.
“SEM rumo” - Apesar de ter um plano complexo traçado para fugir do Brasil para os EUA, o senador Flávio Bolsonaro bateu o martelo sobre sair do país nas horas seguintes ao perder a eleição de segundo turno. A decisão deixou a família Bolsonaro sem rumo, pois com o pai preso e o irmão, Eduardo Bolsonaro já em solo norte-americano, o núcleo familiar ficou desestruturado, o que afeta as pretensões políticas. Aliados do clã têm dito que os familiares já consideram a possibilidade de estarem fora da próxima eleição presidencial e de um enfraquecimento rigoroso do poder político da família, abrindo espaço para expoentes da direita moderada atraírem eleitores hoje considerados mais radicais.
RECADOS e alertas do negacionismo fiscal - O eleitor brasileiro deixou vários recados nas urnas além da virada histórica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o candidato derrotado Flávio Bolsonaro, de acordo com especialistas ouvidos pela coluna. Mostraram uma maioria da população com memórias ruins da ditadura que tenta preservar a nossa jovem democracia e as instituições da República, e que grande parte do eleitorado não quer dar carta branca para o gasto irresponsável de um Estado paquidérmico e custoso para os cofres públicos. Logo, Lula e seus aliados ainda precisam tomar um choque de realidade de que não venceram sozinhos e não podem insistir no “negacionismo fiscal” e cometer os mesmos erros de mandatos anteriores. “Para o bem do país, sem fiscal não tem social”, resumiu a economista Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre). Na avaliação do economista Otaviano Canuto, ex-vice-presidente do Banco Mundial, é muito importante que o governo abandone o negacionismo dos problemas fiscais logo e execute um verdadeiro plano de ajuste, “de forma mais eficaz como ocorreu no primeiro mandato de Lula, com o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci”. “Espero que evitem isso (o negacionismo fiscal), até porque não é preciso algo muito radical”, afirmou ele, citando cortes de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) recomendados pelo mercado para estabilizar a dívida pública. “Um ajuste desse tamanho não é realista. Não queremos uma Argentina por aqui, nem precisar”, afirmou à coluna, em referência ao forte risco de recessão no país governado por Javier Milei ainda neste ano. O Itaú Unibanco, por exemplo, acaba de reduzir de 2% para 0,8% a estimativa para o crescimento do PIB argentino neste ano — metade da nova previsão para o PIB brasileiro, de 1,6%.
"BRASIL vai superar EUA" - Apesar das oscilações do mercado internacional e dos desafios impostos pelo fenômeno climático El Niño, o abastecimento de alimentos no Brasil caminha para um período de estabilidade com previsão de nova safra recorde. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta que a safra de grãos 2026/2027 atingirá 367 milhões de toneladas, acumulando o terceiro ano consecutivo de máxima histórica na produção nacional. Em entrevista ao Correio, o diretor de Operações e Abastecimento da Conab, Arnoldo de Campos, avalia a execução dos recursos do Plano Safra e detalha as estratégias de mitigação do endividamento rural. Ele destaca que o país se prepara para assumir a liderança isolada como o maior exportador global de alimentos, superando os Estados Unidos. “O Brasil desfruta de uma posição comercial privilegiada por não estar subordinado a nenhuma potência”, afirma.
QUEDA de braço petista - A cúpula do PT enfrenta disputa interna motivada por insatisfações acumuladas ao longo da eleição e já debate sobre o futuro do partido após a aposentadoria do presidente Lula. Diante de críticas à condução da campanha, petistas se articularam, na última semana, pela convocação de uma reunião presencial do Diretório Nacional, instância máxima do partido. O objetivo é fazer uma avaliação da disputa e articular a realização de um congresso no ano que vem sobre renovação partidária e outros temas. Na quinta-feira (29), uma ala do partido chegou a boicotar uma reunião da Executiva Nacional do PT, instância decisória anterior do partido, sob o argumento de que aquele não era o fórum adequado para avaliação da campanha. Sob pressão, o presidente do partido, Edinho Silva, convocou o diretório para o dia 13 de novembro.
BASE para o futuro - O governo Lula calcula que terá uma base fiel de cerca de 200 deputados federais, e uma oposição ferrenha de tamanho equivalente na Câmara. O restante, pouco mais de 100 parlamentares, é visto como "em disputa" nos cálculos da articulação política da gestão federal, e deverá se posicionar em votações conforme o tema. Esse grupo, formado sobretudo por partidos do centrão, é também o mais suscetível a pressões da opinião pública, interesses locais e liberação de emendas. No Senado, a situação é mais dramática, em razão do forte crescimento de partidos de direita. Mas também há certa esperança com a possibilidade de construir uma relação produtiva com senadores de oposição, mesmo do PL. Diversos parlamentares da legenda, afinal, tem trajetória de centro e só se filiaram ao partido por conveniência eleitoral.
BOM começo - Primeira senadora eleita pelo PT de Minas Gerais, Marília Campos, que assumirá o mandato em fevereiro, defende que o impeachment não deve ser usado como bandeira política, mas reconhece que o recurso é uma medida aplicável quando houver necessidade. Em entrevista à Coluna do Estadão, a ex-prefeita de Contagem (MG) afirmou que cabe ao próprio Supremo Tribunal Federal (STF) adotar as medidas necessárias para apuração e decisão. Caso isso não aconteça, caberá ao Senado tomar uma atitude.
VÃO se acomodando - Com a necessidade de a direita se reorganizar após a derrota na disputa presidencial e da fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, governadores eleitos que apoiaram o senador buscaram se afastar dos movimentos golpistas do aliado. Levantamento feito pelo GLOBO mostra que, dos 15 nomes que estiveram ao lado do candidato do PL no segundo turno, 13 se manifestaram para reconhecer expressamente a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao mesmo tempo, nenhum deles endossou a carta na qual o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro contesta, sem provas, o resultado das urnas.
Presidente IPG-Instituto João Goulart


