Pela frente

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| Paulo Pinto/Agência Brasil

Vencida a eleição, Lula e seu entorno começam a esboçar o que será o governo em seu quarto mandato, Fabio MuraKawa escreve no JOTA PRO Poder.

  • As conversas ainda estão em estágio inicial e tendem a demorar, já que o presidente deve ouvir muita gente e não tem razão para pressa.

Por que importa: Os primeiros sinais de bastidores indicam o fortalecimento de lideranças do PT do Nordeste e uma tendência a que aliados de outros partidos da esquerda e do centrão mantenham o espaço relativamente reduzido que ocuparam na Esplanada nos últimos quatro anos.

Rafael Fonteles, governador reeleito do Piauí e fundamental nas mudanças na campanha de Lula no segundo turno, vem crescendo na lista de cotados para integrar a nova Esplanada.

  • Segundo fontes do governo, ele tem demonstrado o desejo de assumir o Ministério da Fazenda.
  • Antes de ser governador, Fonteles foi secretário da Fazenda do Piauí, entre 2015 e 2022, e presidiu o Comsefaz (Comitê Nacional dos Secretários da Fazenda).
  • Essas credenciais, no entanto, não parecem impressionar o mercado.
  • Os rumores sobre sua possível indicação foram incapazes de conter os bruscos movimentos realizados nos pregões de hoje, com o dólar disparando e as ações desmoronando por conta do resultado da eleição presidencial.

A reação negativa do mercado alimenta as expectativas sobre uma eventual mudança de rumo na política econômica.

  • Enquanto isso, o atual ministro, Dario Durigan, busca fazer acenos para reforçar o compromisso do governo com as contas públicas.
  • Ele já era uma das vozes do governo que mais defendiam, mesmo com a aproximação da campanha, que um ajuste fiscal seria necessário.
  • O problema é convencer Lula, que é quem definirá a política econômica.
  • Segundo fontes do governo, a permanência de Durigan no cargo não é o cenário mais provável.
  • O presidente demonstrou sucessivas vezes contrariedade ao discurso fiscal — preferindo a tese de que o país precisa crescer para que a relação entre dívida e PIB caia.

O senador Camilo Santana, que ajudou seu afilhado político Elmano de Freitas a se reeleger em uma difícil disputa no Ceará antes de se tornar coordenador da campanha de Lula no segundo turno, é um dos favoritos para assumir a Casa Civil.

  • Alguns interlocutores no Planalto, no entanto, não acreditam que Lula coloque um “presidenciável” à frente do ministério que chefia todas as demais pastas logo no início do quarto mandato.
  • Isso daria uma indicação clara de favoritismo do presidente para sua sucessão.
  • Há ainda o desejo de Rui Costa de retornar ao posto que ele deixou no início do ano para concorrer ao Senado.
  • Camilo já manifestou o desejo, além disso, de retornar ao Ministério da Educação, pasta com um dos maiores orçamentos da Esplanada e com muitas entregas.

O vice-presidente Geraldo Alckmin, também cotado para a Fazenda, é visto hoje como um dos favoritos para substituir José Múcio na Defesa.

  • Dentro ou fora do posto, dizem interlocutores do presidente, Alckmin deverá ter um protagonismo maior no governo.
  • Ele também é visto como um possível sucessor de Lula, caso o presidente entenda que um nome fora do PT tenha mais condições de manter o campo da esquerda no poder na próxima eleição presidencial.

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