Datafolha: Lula marca 39% no 1º turno, e Flávio Bolsonaro tem 33%
Datafolha: Lula marca 39% no 1º turno, e Flávio Bolsonaro tem 33%
- Distância entre presidente e senador do PL-RJ na primeira rodada cai quatro pontos desde junho
- No segundo turno, o petista marca 47%, ante 43% do rival, nível semelhante ao apurado em julho
São Paulo
No primeiro levantamento do Datafolha após o início oficial da campanha presidencial e o registro das candidaturas, Lula (PT) marca 39% e Flávio Bolsonaro (PL), 33% no primeiro turno. Numa segunda rodada, o petista lidera por 47% a 43%.
A distância entre os principais rivais na disputa caiu quatro pontos percentuais em cenário de primeiro turno de junho para cá. A margem de erro dos levantamentos é de dois pontos para mais ou menos.
O principal fato político nesta semana foram as revelações de suspeitas envolvendo negócios do filho de Lula, Fábio Luís, o Lulinha. Elas começaram na terça (18), dia do início do levantamento que acabou na quarta (19). Mas elas se adensaram a partir da quinta (20).

O instituto ouviu 2.058 eleitores em 128 cidades. A pesquisa está registrada com o código BR-04496/2026 na Justiça Eleitoral e foi contratada pela Folha e pela TV Globo.
Na simulação de primeiro turno, o presidente e o filho de seu antecessor Jair Bolsonaro estão isolados à frente. Embolados em terceiro lugar vêm Ronaldo Caiado (PSD), com 5%, Renan Santos (Missão), com 4%, e Romeu Zema (Novo), com 3%.
Os demais candidatos vêm abaixo. Augusto Cury (Avante) tem 2%, enquanto Samara Martins (UP), Wilton Grassi (Democrata), Rui Costa Pimenta (PCO) e Edmilson Costa (PCB) marcam 1%. Dizem que vão votar em branco ou nulo 8%, e 3% afirmam não saber em quem votar.
Nos cenários de segundo turno com adversários que não Flávio, Lula bate Caiado por 47% a 40%, Renan Santos por 47% a 37% e Zema por 48% a 38%.
O Datafolha pesquisou também uma hipótese de primeiro turno na qual Pablo Marçal está na disputa. O influencer obteve de última hora uma liminar para se filiar ao PRTB, mas está inelegível devido a uma condenação relativa à disputa da Prefeitura de São Paulo em 2024.
O Tribunal Superior Eleitoral já o proibiu de usar fundo partidário ou de fazer propaganda de TV enquanto sua candidatura, que deverá ser rejeitada segundo integrantes da corte, for julgada, o que pela legislação deve ocorrer no máximo em 14 de setembro.
Pesquisa Datafolha nos estados
-
SP: Tarcísio lidera disputa com 45%, contra 27% de Haddad
-
SP: Marina e Tebet têm 12%, e André do Prado, 10%, na disputa pelo Senado
-
RJ: Eduardo Paes tem 41% no Rio, contra 19% de Douglas Ruas
-
RJ: Benedita lidera com 15% no Rio; 6 empatam na segunda vaga no Senado
-
DF: Celina Leão e José Roberto Arruda empatam na disputa
-
DF: Michelle Bolsonaro (19%) e Leila do Vôlei (16%) lideram disputa pelo Senado
-
MG: Cleitinho lidera com 32%; Patrus e Kalil têm 12% cada
-
MG: Marília Campos tem 11% na disputa pelo Senado; Viana marca 8%, e Domingos Sávio, 6%
-
PE: Raquel Lyra tem 47%, contra 40% de João Campos
-
PE: Disputa pelo Senado tem 4 candidatos empatados na liderança
Marçal chega ao pelotão inferior da disputa, com 2%, tirando um ponto de Flávio. O influencer estava trabalhando na campanha do senador, como consultor de estratégia digital, até se lançar.
Na pesquisa espontânea, na qual os entrevistados não recebem cartões com os nomes dos candidatos, o quadro também é similar à aferição de julho. Lula é o mais lembrado, com 32% (era 30%), enquanto Flávio marca 19% (era 17%).
A rejeição segue similar ao padrão até aqui, com Lula e Flávio literalmente dividindo opiniões. Dizem não votar de jeito nenhum no filho de Bolsonaro 46%, enquanto 45% afirmam o mesmo sobre o petista.
Do ponto de vista de perfil do eleitorado, uma mudança potencialmente importante ocorreu na intenção de voto no Sudeste no primeiro turno, ainda que tecnicamente empatada. Há um mês, Lula marcava 36% e Flávio, 33%, na região mais populosa do país, que responde por 42% da amostra do Datafolha. Agora, o placar se inverteu.
No mais, os padrões seguem inalterados em macrogrupos. O petista vai melhor entre dois grupos que representam metade da população: mulheres (41% a 29%) e os mais pobres (46% a 27%). Registra desempenho superior também entre mais velhos (45% a 32%), nordestinos (53% a 25%) e católicos (46% a 29%).
O senador, por sua vez, derrota o petista entre quem fez ensino médio (38% a 33%), quem tem diploma superior (37% a 33%), sulistas (38% a 33%) e entre evangélicos.
Por idade, Lula faz 37% entre jovens de 16 a 24 anos, ante 31% de Flávio, e 34% na faixa de 25 a 34 anos, ante 35% do senador. Eles empatam numericamente, com 35% cada, na faixa de 35 a 44 anos. Já 41% daqueles entre 45 e 59 anos votam no petitsta, ante 32% de Flávio. Quem tem acima de 60 anos fica mais com Lula (45%) do que com o adversário (32%).
CORRUPÇÃO FOI TEMA DA SEMANA
A corrupção foi o tema mais destacado nesta primeira semana. Vazamentos a partir da terça (18) mostram que a Polícia Federal identificou novos detalhes das operações de Roberta Luchsinger, lobista amiga de Lulinha e do ex-chefe de gabinete do presidente, Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola.
Ligando os personagens está Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, preso e indiciado na investigação sobre esquemas fraudulentos de descontos de aposentadorias. Segundo a PF, Lulinha e Roberta tinham uma "comunhão de interesses econômicos".
Lula buscou desvencilhar-se do filho, repetindo que, se ele dever algo, deve pagar. E afastou Marcola da sua campanha, onde estava alojado, após a revelação de que ele recebeu R$ 249 mil de Roberta. Todos negam irregularidades.
O tema já foi parar nas declarações de Flávio. O caso esvaziou a tática do PT de destacar as transações entre o senador e Daniel Vorcaro, o ex-dono do Banco Master envolvido em um escândalo financeiro.
Em um áudio, Flávio cobra Vorcaro pelo dinheiro prometido à produção do filme sobre a vida do pai, "Dark Horse" (azarão, em inglês), no qual o ex-banqueiro aportou ao fim R$ 61 milhões. É chamado de "meu irmão" e recebe juras de fidelidade.
Um evento com o senador em São Paulo nesta quinta (20) mostra que os casos seguirão a dar o tom, ainda que corrupção não figure em pesquisas mais como o principal problema do país, como foi nos anos da Operação Lava Jato.
Flávio falou do caso Lulinha, mas foi recebido com protestos e uma placa com referência a Vorcaro. Os temas têm tudo para protagonizar quadros no horário eleitoral gratuito de rádio e TV a partir de 28 de agosto.


