Brasil não pode ser mero consumidor de tecnologia estrangeira, defende Luciana

Brasil não pode ser mero consumidor de tecnologia estrangeira, defende Luciana

Brasil não pode ser mero consumidor de tecnologia estrangeira, defende Luciana

Ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos (Foto: José Cruz - Agência Brasil)

Plano do governo Lula é “tratar a IA não apenas como impulso tecnológico, mas como um projeto nacional de desenvolvimento baseado na inclusão social e na soberania digital”, disse a ministra da Ciência e Tecnologia

O Brasil quer fazer parcerias com outros países em desenvolvimento e tornar a Inteligência Artificial, assim como a produção de semicondutores, parte de um projeto nacional de desenvolvimento “baseado na inclusão” e na soberania, afirmou a ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos.

“Os países em desenvolvimento não podem permanecer meros consumidores de tecnologia. Precisam construir suas próprias capacidades por meio de transferência de tecnologia, formação de talentos e infraestrutura soberana”, declarou, em entrevista ao jornal indiano CNN-News18.

 

De acordo com a ministra, as IAs trazem o risco de “aprofundar as desigualdades” já existentes no Brasil.

Por isso, o plano do governo Lula é “tratar a IA não apenas como impulso tecnológico, mas como um projeto nacional de desenvolvimento baseado na inclusão social e na soberania digital”, disse.

Ela citou como parte desse plano a “construção de infraestrutura de supercomputação de ponta movida a energia renovável ao desenvolvimento de modelos de IA em língua portuguesa treinados com dados diversos do próprio Brasil”, tendo como objetivo “reduzir a dependência externa e evitar vieses importados”.

“Igualmente central é a capacitação e requalificação em larga escala, além do uso estratégico da IA em serviços públicos para melhorar a prestação, especialmente nos setores sociais”, acrescentou.

Luciana Santos destacou na entrevista que a regulação das Big Techs e das Inteligências Artificiais também faz parte dessa ideia, buscando “regular de forma que permita uma inovação sustentável e confiável”.

Com o crescimento e a difusão das IAs, “regras claras são essenciais para orientar o desenvolvimento, a implementação e o uso da IA de maneira segura, ética e transparente, garantindo que seus benefícios realmente sirvam à sociedade”.

“Sem isso, riscos como discriminação algorítmica ou violações de direitos fundamentais podem corroer a confiança pública e, com o tempo, minar a própria inovação”, comentou.

Luciana disse, ainda, que a soberania e a autonomia tecnológica são centrais no projeto nacional de desenvolvimento. Para ela, “a soberania não se constrói pelo isolamento, mas por maior autonomia tecnológica obtida por meio de abertura, cooperação e fortalecimento de capacidades internas”.

“Nesse contexto, a Índia surge como parceira estratégica para o Brasil, ampliando oportunidades de intercâmbio tecnológico, inovação conjunta e soluções alinhadas às prioridades nacionais, especialmente em semicondutores, inteligência artificial, computação de alto desempenho, Internet das Coisas, blockchain e comunicações avançadas como 5G e 6G”, acrescentou.

“O Brasil também adota uma estratégia para fortalecer seu ecossistema de semicondutores, com foco no desenvolvimento científico, na formação de profissionais e na integração mais profunda às cadeias globais de valor, por meio de programas robustos de qualificação e incentivos à expansão da cadeia produtiva”, disse.

“Ao mesmo tempo, no âmbito do Plano Brasileiro de IA, o país está construindo uma infraestrutura nacional de dados para o setor público, incluindo sistemas de nuvem soberana desenvolvidos por meio de parcerias entre empresas públicas de dados e múltiplos provedores de nuvem. Esses arranjos buscam garantir soberania digital, transparência, controle, confiança e segurança cibernética”, continuou.

A ministra afirmou que “o Brasil vê claramente a Índia como parceira estratégica”.

“Como grandes democracias do Sul Global que enfrentam desafios estruturais semelhantes, ambos países compartilham a responsabilidade de orientar o progresso científico e tecnológico para o bem público”.

“Em vez de apenas se adaptar a regras definidas em outros países, Brasil e Índia estão bem posicionados para construir sua própria agenda, fundamentada na democracia, no desenvolvimento sustentável e na inclusão social”, explicou.

Ela citou como parcerias entre instituições brasileiras e indianas e o “projeto-piloto sobre colaboração transfronteiriça segura e com preservação de privacidade para IA médica”.

“O Sul Global não precisa ser reativo. Uma cooperação estratégica mais profunda fortalece nossa capacidade de propor, negociar e construir uma governança internacional de IA mais equilibrada e inclusiva”, concluiu.