Moraes decreta perda imediata do mandato de Carla Zambelli

Moraes decreta perda imediata do mandato de Carla Zambelli

Moraes decreta perda imediata do mandato de Carla Zambelli

Câmara dos Deputados decidiu manter o mandato de Zambelli, ignorando ordem do STF, após condenação da parlamentar a 10 anos de prisão por invasão hacker

 

Carla Zambelli está presa na Itália e aguarda processo de extradiçãoCarla Zambelli está presa na Itália e aguarda processo de extradiçãoFoto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados

PorAna Paula Ramos

BRASÍLIA - O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (11/12) a perda do mandato da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) e anulou decisão da Câmara dos Deputados que rejeitou a cassação dela.

"Na presente hipótese, em respeito à Constituição Federal, é o Poder Judiciário quem determina a perda do mandato parlamentar condenado criminalmente com trânsito em julgado, cabendo à Mesa da Câmara dos Deputados, nos termos do §3º do artigo 55 da Constituição Federal, tão somente DECLARAR A PERDA DO MANDATO, ou seja, editar ato administrativo vinculado", afirma o ministro.


"Nos termos decididos pela Primeira Turma desta Suprema Corte no julgamento de mérito da Ação Penal 2.428/DF, declaro nula a rejeição da representação nº 2/2025 da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados e decreto a perda imediata do mandato parlamentar de Carla Zambelli Salgado de Oliveira", diz a decisão de Moraes.

Alexandre de Moraes considerou que a votação na Casa foi uma "clara violação" à Constituição e também pediu ao ministro Flávio Dino, presidente da Primeira Turma, o agendamento de sessão virtual para julgar o caso.

O magistrado determinou ainda que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), efetive a posse do suplente em, no máximo, 48 horas. 

Entenda

O plenário da Câmara dos Deputados decidiu na quarta-feira (10/12) manter o mandato da parlamentar, ignorando a ordem do STF, que impôs a perda do mandato diante da condenação dela a dez anos de prisão por participar da invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Foram 227 votos a favor da perda do mandato, 170 contrários e 10 abstenções – eram necessários 257 votos favoráveis para a cassação. A deputada está presa na Itália, após fugir do Brasil para evitar a prisão, e aguarda processo de extradição.