No Dia do Psicólogo, dados expõem desafios da saúde mental em Petrópolis

No Dia do Psicólogo, dados expõem desafios da saúde mental em Petrópolis

No Dia do Psicólogo, dados expõem desafios da saúde mental em Petrópolis

Foto: Istockphoto
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Darques Júnior - Estagiário

Instituído pela Lei Federal n°4.119, em 1962, pelo então presidente João Goulart, o Dia do Psicólogo, celebrado na última quinta-feira (27), faz referência à regulamentação da profissão de psicólogo no Brasil a mesma lei que criou os cursos de formação em Psicologia no país.

O Conselho Federal de Psicologia (CFP), órgão responsável por regulamentar e fiscalizar o exercício da profissão, só seria criado quase dez anos depois, em 1971.

O dia é usado todos os anos para debater o papel da psicologia na sociedade e o acesso da população ao cuidado com a saúde mental, um debate que, em Petrópolis, ganha contornos particulares.

Pelo Índice de Promoção da Saúde Mental Infantojuvenil (Vital Strategies), que compara Brasil, estado do Rio de Janeiro e Petrópolis em cinco domínios, o município fica atrás da média nacional e estadual em "relações sociais positivas" (51,1 contra 58,7 do Brasil e 54,8 do estado) e no domínio "sociodemográfico" (50,5). O índice consolida dados de 2019 a 2022 e tem atualização prevista anual, o que significa que o retrato traçado reflete esse período mais recente disponível, e não necessariamente o cenário atual.

Já os dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (SCNES/Datasus), extraídos do painel da Sala de Situação de Saúde da Universidade de Brasília (UnB), mostram uma expansão expressiva no número de equipes especializadas em saúde mental registradas no município: de 2, em 2018, para 705, em 2023. A maior parte desse crescimento está concentrada nas Equipes Multiprofissionais de Atenção Especializada em Saúde Mental (EMAESM), que passaram a ser cadastradas com força a partir de 2020.

Para a psicóloga Keila Braga, o resultado reflete uma realidade que ela observa na prática. "O SUS como sistema de saúde na nossa cidade é muito precário para todas as áreas, mas para a área de psicologia é pior", diz. Segundo ela, a cidade não sofre por falta de estrutura, mas por falta de visibilidade. "Nós temos os dispositivos na cidade: o CAPS, o CAPS-AD, o CAPS-I, as faculdades com seus serviços, como o SPA. Mas a publicação não chega à população", afirma.

Keila também relaciona a fragilidade da rede aos eventos climáticos recorrentes na cidade. "A cidade passa por múltiplos eventos traumáticos, como enchente e ventania, e o medo constante de uma nova tragédia. Essa angústia é tratada? Não. A gente só vê os programas de saúde mental quando acontece uma tragédia", afirma.

Keila Braga aponta a pandemia de Covid-19 como um marco, uma vez que os atendimentos de telemedicina já existiam, mas os atendimentos psicológicos online ainda tinham algumas regras mais profundas a serem seguidas. "Essa regulamentação do atendimento online veio através de uma resolução do próprio CRP. E com isso as distâncias se diminuíram mais ainda", explica.

Um dos maiores equívocos sobre a psicologia, segundo Keila, é a ideia de que o profissional atende exclusivamente pessoas com transtornos mentais. "Psicólogo não trata pessoas só em sofrimento mental ou com algum tipo de transtorno e desordem. Psicólogo é o responsável por cuidar da sua mente", afirma.

Ela também cita a expectativa de que o trabalho do psicólogo deveria ser barato ou gratuito por natureza. "O psicólogo precisa receber o salário dele. Por que um advogado, um esteticista, um dentista é tratado de uma maneira melhor do que o psicólogo? Nós também precisamos fazer o nosso preço. Nós também pagamos conta", diz.

Por fim, a psicóloga desmente a ideia de que profissionais da área precisam manter uma postura séria e contida também fora do consultório. "Não é porque eu sou psicóloga que eu não vou ir a um show, que eu não vou me divertir, porém, dentro do setting terapêutico, nós somos profissionais, qualificados, com escuta, com análise. Fora do consultório é outra coisa."

O diagnóstico da psicóloga é reforçado por outro dado do mesmo índice: Petrópolis tem o maior índice de "eventos estressantes" entre os três recortes comparados (72,0), sinalizando maior exposição da população a fatores de risco, alinhado à sua fala sobre o impacto psicológico das enchentes e ventanias na cidade.

Para quem pensa em começar terapia, o conselho da psicóloga é não desistir na primeira tentativa. "Você precisa encontrar um psicólogo que você esteja à vontade e sinta que aquele momento é todo seu, você é o protagonista da terapia." Se você está passando por sofrimento emocional, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, disponível 24 horas.