Fim da escala 6 x 1 causa pânico na Casa-Grande

Fim da escala 6 x 1 causa pânico na Casa-Grande

Fim da escala 6 x 1 causa pânico na Casa-Grande

Como em outras vitórias da classe trabalhadora, o fim da escala 6 x 1 causa ranger de dentes dos patrões

Por: Menon

Erika Hilton Erika Hilton, autora da PEC do fim da escala 6 x1 - Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Ofim da escala 6×1 é a quarta grande vitória da classe trabalhadora. A primeira, o fim da escravidão, tem mais a ver com um resgate humanitário do que laboral. A segunda, a criação da Consolidação da Lei de Trabalho, foi criada em 1943 e bombardeada com gosto pelo golpista Michel Temer em 2016/18… A terceira, a criação do 13º salário, criado em 1962, pelo presidente João Goulart.  E agora, tanto o 13º como a própria PEC do fim da 6 x 1 correrão riscos em caso da vitória de Flávio Bolsonaro.

A ideia dele, da extrema-direita a que pertence, dos poderosos da Faria Lima é a implantação de um desumano projeto que poderíamos chamar de “hora trabalhada, hora paga”. Sem salário mínimo, sem 13º, sem nenhum direito, tudo sob o cínico argumento de que o trabalhador poderá negociar livremente com o patrão. Sim, como um incauto que cair na jaula dos leões poderá negociar com a fera.

Nem Davi, aquele da Bíblia, conseguiu negociar com o gigante Golias. Meteu-lhe logo uma pedrada na testa. Não havia condição de conversar.

O fim da escala 6 x 1 começou com uma movimentação de Rick Azevedo, auxiliar de farmácia no Rio. Ele lançou o projeto VAT – Vida Além do Trabalho – pedindo que o trabalhador pudesse ter dois dias de descanso, junto à família. A deputada Erika Hilton levou o projeto ao Congresso. Lula se interessou, abraçou a ideia, houve mobilização popular e o projeto foi aprovado. Flávio Bolsonaro não teve coragem, como o General Hamilton Mourão, de comparecer e votar contra.

A reação dos ricos foi a mesma de todas as outras vezes em que os trabalhadores conquistaram alguns direitos. Com o fim da escravidão, os fazendeiros argumentaram que não teriam condições financeiras de manter suas propriedades. Enquanto muitos escravizados foram dispensados, eles receberam indenização do governo. Ao contrário dos EUA, que, com o final da escravidão, deram a cada homem novamente livre uma mula e 40 acres. Não por acaso é o nome da produtora de filmes de Spike Lee: 40 acres e uma mula.

“Considerado Desastroso Para o Pais um 13º Mês de Salário”. Foi esta a manchete  de O Globo no dia 26 de abril de 1962. Considerado desastroso, por quem, cara pálida? Com certeza a matéria do matutino carioca era embasada por opiniões de patrões e não de empregados. Não adiantou. Houve mobilização popular e a lei do 13º salário foi assinada em 13 de julho daquele ano, em que o Brasil conquistou o seu segundo título mundial. Hoje, ambos correm perigo, tanto o 13º como o futebol brasileiro.

Não havia redes sociais, mas não é difícil saber como os poderosos e os que sonhavam ser poderosos reagiram. Basta fazer um paralelo agora, antes da votação 6 x 1. É a mesma oratória pobre de sempre. Vai ser difícil manter empregos. Em 2018, o ex-presidente, que agora está preso dizia que: 1) é preciso escolher entre ter direitos ou ter empregos e 2) é preciso proteger o empresário, para que ele possa investir.

Depois que Michel Temer tesourou a CLT, disseram que haveria geração de empregos. Mentira. Os patrões, livres de encargos sociais, encheram mais os bolsos.

Os comentários em redes sociais são terríveis. Tem um que é bem desumano: “Para que o pobre precisa descansar mais? As mulheres em vez de ficar com os filhos, vão fazer bico de faxineira”. Na mesma frase, questionam o direito do pobre ter descanso. Lógico, para quê? Não nasceram para isso. E, depois questionam o que a pessoa vai fazer com seu dia de descanso? Ora, não é da sua conta. Pode ver televisão, pode ir pescar, pode ajudar a filha a estudar e pode, por que não? fazer faxina para ajudar no orçamento familiar.

Outros dizem que os patrões vão demitir e depois contratar novamente, com salário mais baixo. Os que dizem isso são os arautos da livre negociação.

E, por aí, vai. Acostumados à exploração e ao farto lucro, sentem-se desrespeitados ao sofrerem uma derrota. Como se fossem os donos da Pátria, não podem ser contrariados.

De vez em quando, podem. Quando a roda da História gira. Não adianta reclamar. Não têm motivos para reclamar. Vão continuar ricos e exploradores.