A democracia resiste e continua viva

A democracia resiste e continua viva

A democracia resiste e continua viva

 

 João Cruz*

Domingo, dia 25 de outubro de 2026, o povo brasileiro disse “NÃO” a possibilidade da volta do autoritarismo e da ameaça à democracia se a eleição tivesse como vencedor o candidato Flavio Bolsonaro (PL-RJ), filho de Jair Bolsonaro (PL-RJ), representante da extrema direita na política brasileira.

Sobre esta ameaça gostaria de voltar no tempo, há oito anos, em 01/10/2018, quando identifiquei este risco já na campanha do então candidato Jair Bolsonaro (PL-RJ), alertando sobre a ameaça que ele representava a nossa democracia.

“Já são 54 anos desde o golpe militar que tirou do poder o presidente eleito João Goulart.  Este golpe, que os militares insistem em chamar de revolução, teve o apoio massivo da classe média, dos partidos de direita, da grande imprensa e de parte da igreja católica, e obviamente, dos militares que achavam que o governo de João Goulart seria um governo de comunista. Vinte anos depois os militares voltaram para os quarteis e, enfim, foi restabelecida a democracia com a volta das Diretas Já”.

Escrevi.

A seguir expus meus temores ante as declarações estapafúrdias de Jair Bolsonaro quando perguntado pelo apresentado Luiz Datena, apresentador do programa Brasil Urgente(BAND), quando ele estava internado no hospital Albert Einstein, se ele aceitaria os resultados das eleições caso não saísse vitorioso. Olha o que ele disse:

“No dia 28 de setembro durante o programa de televisão Brasil Urgente, da TV Bandeirantes, o apresentador Luiz Datena perguntou ao candidato Jair Bolsonaro(PSL-RJ), internado no hospital Albert Einstein, vítima de uma facada no dia 06 de setembro quando fazia uma caminhada na cidade de Juiz de Fora(MG),  que representa a direita reacionária, o segmento militar e a classe média insatisfeita com os desmandos dos governos petista, se ele aceitaria os resultados das eleições caso não fosse ele o eleito. Bolsonaro foi enfático: “não aceito o resultado que não seja a minha vitória” e disse mais, “que os militares não aceitariam tal resultado”. Indignado Datena falou pelos cotovelos: “isso é ente democrático”, questionamento que Bolsonaro fez de conta que não ouviu.”

Por falta de aviso não foi e em janeiro de 2023 deu no que deu: tentativa de golpe que foi rechaçada pelo STF, STE, STJ, Congresso Nacional, demais instituições públicas, inclusive religiosas, imprensa (que em 64 apoiou o golpe), alguns militares contrários a trama golpista e grande parte da sociedade democrática brasileira

Jair Bolsona perdeu a eleição, foi condenado por tentativa de golpe, junto com seus apoiadores, mas deixou um grupo de séquitos radicais, extremistas e filhos que impulsionaram o movimento bolsonarista através do discurso antinacionalista. Empolgados com a ascensão meteórica do movimento bolsonarista, Jair Bolsonaro, contrariando algumas lideranças bolsonaristas, sua mulher Michele Bolsonaro(PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos), que seria o candidato capaz de fazer frente a Lula,  lança o filho Flávio Bolsonaro como candidato a presidente e este lidera uma campanha insana, pautado no ódio e na ruptura institucional democrática, assim como seu pai o fez em 2022, fazendo aliança espúrias com o presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizando que, se eleito, o Brasil poderia se tornar uma república de bananas, colônia americana.

Flavio Bolsonaro, seu pai e políticos que abraçaram essa onda, não entenderam que o povo brasileiro não aceita mais ser tutelado por quem quer que seja, principalmente pelos EUA, governado por um homem avarento, corrupto, arrogante e com traços de psicopatia que acha que pode ser o Deus do mundo, principalmente da América Latina. Não será.

As eleições de ontem foi um recado claro que não aceitamos ser conduzidos por tirânicos, reacionários e que nossa democracia resiste e continua viva. Jair Bolsonaro, seus filhos, principalmente, Eduardo Bolsonaro, que está agarrado as saias de Trump nos EUA, tramando contra o Brasil, são os grandes perdedores destas eleições, juntos com seus principais seguidores. Depois dessa segunda derrota eleitoral, a primeira foi em 2022, terão que repensar a forma de fazer política sob o risco de ver o movimento bolsonarista sucumbir e voltar a sua insignificância no cenário nacional. Flavio Bolsonaro, como seu pai em 2022, não aceitou o resultado da eleição. O choro é livre.

Vale ressaltar que grandes investidores do mercado financeiro apostaram na vitória de Flavio e perderam, assim como Donald Trump e Javier Milei, da Argentina, que devem estar remoendo essa derrota até amanhã de hoje (26/10). Outro grande perdedor, foi o grupo político de oposição aos governos Federal e estadual da Bahia, liderado por ACM Neto (UNIÃO). Este senhor, que no primeiro turno não apoiou Flavio, resolveu apoiá-lo no segundo turno, por puro oportunismo político, tentando pegar carona na popularidade de Flavio e se deu mal. Perde mais uma vez (deve tá cansado de tanto perder) e sai das eleições como o grande perdedor, possivelmente tendo enterrado, definitivamente, seu pouco espolio político que ainda lhe restava em Salvador e na Bahia, ao apoiar um aventureiro, um azarão a presidente da República.

Lula (PT-SP), pela quarta vez, é o grande vitorioso e sai destas eleições como maior liderança política que este país já teve e quiçá do mundo ocidental, e será lembrado por gerações durante muitos e muitos anos. Só nos resta agora saber se ele será capaz de enterrar este câncer maligno intitulado “bolsonarismo” e extirpá-lo de uma vez por todas do nosso país ao longo dos próximos quatro anos. Esta será uma batalha difícil, más possível e necessária, sob o risco de vermos, outra vez, nossa tão jovem democracia ser atropelada por extremistas da direita ávidos para tomar o poder a qualquer custo, ainda que para isso tenham que abdicar ou entregar nossa soberania a algum país estrangeiro.    O povo brasileiro mostrou que está atento e não permitirá que isso aconteça

*Juarez Cruz