Santiago Peña tentou se blindar da Justiça com renúncia, diz Ariel Palácios
Santiago Peña tentou se blindar da Justiça com renúncia, diz Ariel Palácios
Constituição do Paraguai prevê que ex-presidentes tenham cargo de senador vitalício e, consequentemente, foro privilegiado até o fim da vida. Porém apenas para aqueles que não tenham sido considerados culpados em julgamentos políticos.
Por Redação g1

Presidente do Paraguai renuncia ao cargo em meio a crise política e econômica
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, tentou se blindar e manter seu foro privilegiado ao anunciar sua decisão de renunciar nesta quinta-feira (5), afirma Ariel Palácios.
De acordo com o comentarista da GloboNews, especialista em América Latina, o agora ex-presidente paraguaio decidiu pela renúncia para evitar enfrentar um processo na Justiça e ser investigado pelo escândalo financeiro ligado ao fechamento do banco digital ueno.
Isso porque, pela Constituição do país, ao deixar o cargo, os ex-presidentes da República viram senadores vitalícios e, consequentemente, foro privilegiado até o fim da vida. Podem participar das sessões e comissões, mas não votam e não contam para quórum.
No entanto, "se tiverem sido submetidos a julgamento político e considerados culpados", eles perdem esse privilégio. Peña corre esse risco, já que, mais cedo, o Congresso do país tomou os primeiros passos para votar um impeachment contra ele e seu vice.
"Com esta renúncia, Peña evita o impeachment e consegue foro privilegiado. Isso porque, no Paraguai - único caso em toda a América do Sul -, quando termina o mandato de um presidente - eles não podem ser reeleitos -, automaticamente eles recebem de presente o cargo de senador vitalício. A pessoa tem foro privilegiado até falecer. Então, Santiago Peña com isso se blindaria para evitar ter que ir à Justiça por conta desse escândalo financeiro", explica Ariel.
Pouco depois do anúncio, a tentativa de Peña foi frustrada. A Câmara de Deputados do Paraguai aprovou dar seguimento a seu processo de impeachment e rejeitou a carta de renúncia apresentada por ele.
Opositores advertiram que aceitar a renúncia permitiria a Peña ter uma blindagem parlamentar, impedindo que fosse julgado pela Justiça comum pelas suspeitas de crimes relacionados ao esquema do banco ueno.
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Santiago Peña, presidente do Paraguai desde 2023 que renunciou ao cargo em 5 de novembro de 2026. — Foto: REUTERS/Cesar Olmedo/File Photo
Saiba o que aconteceu
Peña renunciou à Presidência da República do Paraguai no começo da tarde desta quinta. Alvo de um processo de impeachment que havia angariado o apoio tanto da oposição quanto da base governista, ele anunciou sua decisão nas redes sociais.
No vídeo - veja a íntegra aqui -, ele se desculpou com a população afetada pela crise bancária e disse que decidiu renunciar "pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas".
"Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo. Se em algum momento falhei, nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim", disse.
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Pessoas fazem fila para tentar retirar dinheiro em banco em Assunção, no Paraguai, diante de temor gerado por crise bancária no país, em 3 de novembro de 2026. — Foto: Daniel Duarte/ AFP
Santiago Peña, era alvo de críticas por conta da crise bancária que começou após o banco digital Ueno fechar as portas e deixar milhares de clientes sem acesso ao próprio dinheiro. Ele foi acionista do grupo que controla a instituição, e a oposição acusa o Banco Central paraguaio de encobrir irregularidades (leia mais abaixo).
Nesta manhã, o Congresso do Paraguai iniciou uma sessão extraordinária para debater o pedido de impeachment, e todas as bancadas da Câmara dos Deputados anunciaram que votariam a favor do impeachment.
A sessão foi o primeiro passo do processo, que ganhou força após o Horário Cortes, atual presidente do Partido Colorado, sigla de Peña, retirar o apoio ao governo.
Economista conservador, Santiago Peña assumiu o governo do Paraguai em 2023 e seu mandato duraria até 2028. Seu vice, Pedro Alliana, assume o poder, mas ele também é alvo do processo de impeachment.


