MANCHETES DOS JORNAIS DE SEGUNDA-FEIRA 05/10/2026
Edição de Chico Bruno
MANCHETES DOS JORNAIS DE SEGUNDA-FEIRA 05/10/2026
O GLOBO – Onda da direita domina Congresso e leva Flávio à frente de Lula ao 2º turno
O ESTADO DE S.PAULO – Bolsonarismo mostra força e Flávio fica à frente de Lula
FOLHA DE S.PAULO – Flávio Bolsonaro e Lula vão para o 2º turno em avalanche da direita
Correio Braziliense – Flávio x Lula, Celina x Grass: DF volta às urnas no 2º turno
Valor Econômico – Com onda de direita no país, Flávio lidera e enfrenta Lula no 2º turno
Destaques de primeiras páginas, fatos e bastidores mais importantes do dia
RESILIÊNCIA da direita - Pouco mais de um ano após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, o bolsonarismo mostrou resiliência e força eleitoral nas eleições. O fato mais significativo da votação de ontem foi o desempenho do senador Flávio Bolsonaro (PL), que obteve 2,5 milhões de votos a mais que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial. No dia 25, ambos disputarão o segundo turno, com Lula precisando reverter uma escrita: nunca um candidato que saiu em desvantagem conseguiu a virada. No Congresso, o PL viu sua bancada praticamente duplicar, de 15 para 28 representantes, levando 19 das cadeiras em disputa. O resultado deve ampliar a pressão pela instalação de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal. Nos Estados, o PL, o Republicanos e o PP elegeram 10 governadores em primeiro turno.
VOLTA às urnas no DF - Celina Leão e Leandro Grass retomam, hoje, a campanha pelo Governo do DF. Em busca da reeleição, a governadora disse ontem que vai procurar o apoio dos candidatos não eleitos. “Vai ficar uma eleição polarizada, como está a eleição do Brasil”, disse Celina, que esteve a 1,2 mil votos de vencer no primeiro turno. O petista aposta no convencimento dos indecisos. “Foram quase 500 mil pessoas que deixaram de votar, ou votaram branco e nulo (...). Agora eu vou me apresentar à população que ainda não me conhece”, afirmou.
DEU no mundo - O jornal argentino Clarin abriu sua cobertura destacando a “surpresa no Brasil”. O veículo classificou o resultado como “surpreendente, mas ainda imprevisível” e mencionou a possibilidade de um “voto de punição” contra o presidente Lula entre parcelas de seu eleitorado tradicional, sobretudo na base de renda mais baixa. A agência britânica Reuters citou analistas que interpretaram parte do desempenho de Flávio Bolsonaro como resultado de “votos de protesto” contra Lula, que se imaginava que apareceriam apenas em eventual segundo turno. Também destacou que uma vitória do senador ampliaria a sequência recente de triunfos de candidatos de direita alinhados ao presidente dos EUA, Donald Trump, na América Latina. O diário espanhol El País chamou atenção para o contraste no voto dos imigrantes. Com 62,9% das urnas fora do Brasil apuradas, Lula liderava em 59 países, contra 28 de Bolsonaro. O jornal descreveu o eleitorado no exterior como majoritariamente progressista. A agência norte-americana Bloomberg afirmou que Flávio Bolsonaro “avançou para uma liderança surpreendente”. Observou que o resultado deve fortalecer a percepção de que o senador entra competitivo.
FORÇA familiar - O sobrenome Bolsonaro garantiu vitória a diversos integrantes da família. A ex-primeira-dama Michelle elegeu-se senadora pelo Distrito Federal. Carlos, filho de Jair Bolsonaro, será senador por Santa Catarina. Jair Renan, o mais novo, deputado federal pelo mesmo estado. Renato, irmão do ex-presidente, venceu a disputa à Câmara dos Deputados por São Paulo.
RADIOGRAFIA de 4 de outubro - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) venceu, ontem, o primeiro turno das eleições presidenciais, ao somar 47,03% dos votos, contra 45,16% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — com 99,99% das urnas apuradas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até o fechamento desta edição. A diferença é de 2,23 milhões de eleitores. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro surpreendeu e foi impulsionado por uma nova onda bolsonarista nos estados: seu partido avançou sobre o Legislativo, elegendo 19 senadores (sendo três reeleitos) e 112 deputados federais. Ele também celebrou a vitória de aliados importantes nos governos estaduais, como Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo; Sergio Moro (PL), no Paraná; e Zucco (PL), no Rio Grande do Sul, já no primeiro turno. Para Lula, o cenário é sombrio. Desde a redemocratização, nenhum candidato conseguiu reverter a colocação da primeira etapa. Integrantes da campanha esperavam uma vitória apertada no primeiro turno, mas a derrota estava fora do radar. O petista viu ainda o revés de aliados importantes nas urnas, como o seu ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), que perdeu o governo paulista para Tarcísio. No mesmo estado, também saíram derrotadas as ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), apostas de Lula para o Senado. A ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) Gleisi Hoffmann (PT) perdeu a disputa ao Senado pelo Paraná. No Legislativo, o PT emplacou nove senadores e 88 deputados.
PRÊMIO de consolação - O atual presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), venceu na Itália, em Portugal e na China continental, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) venceu no Japão, neste domingo (4), no primeiro turno da eleição presidencial. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
BANHO de votos - Vinte estados elegeram seus governadores ontem, o maior número em primeiro turno na série histórica que começou em 1990 — o primeiro pleito para chefes de executivos estaduais após a redemocratização. Até então, o recorde era de 2010, que teve 18. No total, seis estados e o Distrito Federal definirão governadores somente em 25 de outubro. São eles: Acre, Amazonas e Tocantins, no Norte; Rio Grande do Norte, no Nordeste; Espírito Santo e Rio de Janeiro, no Sudeste. Já no Sul, o PL conseguiu eleger os governadores dos três estados no 1º turno. Destaque nesse pleito, também, para o Republicanos. O partido encerra o primeiro turno com vitória em dois dos maiores colégios eleitorais do país, impondo duas grandes derrotas para o PT. Em São Paulo, Tarcísio de Freitas foi reeleito com 62,65% dos votos, contra 36,42% de Fernando Haddad. Em Minas Gerais, o senador Cleitinho Azevedo venceu com 55,41% dos votos, contra 26,31% de Patrus Ananias. Dos 20 candidatos vencedores de ontem, 12 são ligados à direita ou centro-direita. Eles estão distribuídos por todas as regiões do país, principalmente Sul, Centro-Oeste e Norte. A esquerda lidera apenas no Nordeste, conquistando seis governadores aliados nos oito estados que definiram suas lideranças no primeiro turno. Em termos de reeleição, dos 19 governadores que buscaram a recondução, 11 foram bem-sucedidos. Três seguem para a disputa de segundo turno nos estados, e cinco perderam. Entre as mulheres que disputaram executivos estaduais, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), foi a única eleita ontem.
BOLSONARISMO domina Senado - Caso Flávio Bolsonaro torne-se presidente, o Senado eleito tem tudo para lhe ser favorável. Começando pela escolha do novo presidente da Casa — que também comandará o Congresso. As chances de Davi Alcolumbre (União-AP) ser reconduzido minguam e aumentam exponencialmente as de Rogério Marinho (PL-RN) ou Tereza Cristina (PP-MS) chegarem ao posto. Para se manter competitivo, Alcolumbre terá de ceder vários postos que controla na Casa e romper, logo, com o governo, num aceno que deixe clara a disposição de compor com a nova força que chega. Na relação dos eleitos, o PL reúne 20 nomes, o equivalente a mais de um terço dos 54 senadores listados para a próxima legislatura. A legenda terá representantes de praticamente todas as regiões do país e elegeu “bolsonaristas-raiz”. Entre eles estão Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, pelo Distrito Federal; Gustavo Gayer, por Goiás; Carlos Bolsonaro, por Santa Catarina, além de Carlos Portinho e Carlos Jordy, pelo Rio de Janeiro. O avanço do PL se une ao de alas de Republicanos, União Brasil, PP e PSD que reforçam ainda mais o poderio do bolsonarismo não apenas na Casa, mas no Congresso. A eles se somam outros direitistas ferozes, como Marcel van Hatten, eleito pelo Novo do Rio Grande do Sul, e Guilherme Derrite (PP), que levou uma das cadeiras de São Paulo.
SOBROU apenas - Entre os partidos de esquerda, o PT mantém presença relevante na próxima legislatura. A legenda aparece com seis nomes entre os eleitos listados: Rui Costa e Jaques Wagner, pela Bahia; Marília Campos, por Minas Gerais; Humberto Costa, por Pernambuco; Rogério Carvalho, por Sergipe; e Samanda de Lula, pelo Rio Grande do Norte. O desempenho mantém a legenda como uma das principais forças do campo governista, embora a capacidade de atuação dependa da formação de alianças com outras siglas.
CÂMARA gira mais à direita - A nova composição da Câmara dos Deputados é um dos principais indicadores para medir a relação entre o Congresso e o próximo governo. Com o resultado das urnas de ontem, a direita e o Centrão ampliaram a força na Casa, que já era grande. Atualmente, o PL conta com 98 deputados e a projeção é de que esse número chegue a 121 na próxima legislatura. Já a federação União Progressista — que junta Progressistas e União Brasil, e é uma das principais forças do Centrão — deve eleger 86 Na esquerda, também no maior colégio eleitoral do país, Erika Hil ton (PSol-SP) tornou-se a mulher mais votada da história para a separadas, fizeram 106 parlamentares. O que a federação, a princípio, perdeu, o PL ganhou. Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP) emergiram das urnas com as maiores votações da história para a Câmara dos Deputados. O deputado mineiro foi reeleito com mais de 3,1 milhões de votos, mais que o dobro da votação registrada há quatro anos, quando se tornou o deputado mais votado do país. Pavanato, por sua vez, foi eleito deputado federal por São Paulo com cerca de 3 milhões de votos. Em 2024, ele havia sido o vereador mais votado da história da cidade de São Paulo. Em comum, o histrionismo e uma atuação parlamentar voltada, sobretudo, para as redes sociais. Na esquerda, também no maior colégio eleitoral do país, Erika Hilton (PSol-SP) tornou-se a mulher mais votada da história para a Câmara dos Deputados, com aproximadamente 1,6 milhão de votos. A votação expressiva dos três candidatos reforçou a presença das redes sociais nas disputas eleitorais e o peso que a atuação no ambiente digital pode ter na formação da composição da Câmara.
CIRO que se prepare - Derrotado na eleição para o Senado, Ciro Nogueira está perto de perder a presidência do PP. É que já tem um grupo interessado em assumir o comando da legenda. Esse movimento começa assim que fecharem as urnas do segundo turno. O presidente do União Brasil, Antonio Rueda, teve melhor sorte. Eleito deputado federal no Rio de Janeiro, ele tem tudo para se manter na cúpula partidária.
INVERSÃO de papéis - Em 2022, Lula recebeu o apoio da senadora Simone Tebet, a terceira colocada na corrida presidencial daquele ano. Os votos de Tebet e o empenho dela na campanha fizeram a diferença para que o petista vencesse a eleição contra Jair Bolsonaro. Agora, quem tem apoios a receber nesta segunda rodada é Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
“O MAIOR partido do Brasil é o antipetismo” - O resultado da eleição em primeiro turno mostrou algo de que talvez nem os próprios petistas tenham se dado conta: O antipetismo é o maior partido do Brasil. A frase foi dita na live do Correio Braziliense, no Domingo, por Mariana Londres, analista da Fatto Inteligência Política, e indica o tamanho da dificuldade que o presidente Lula terá neste segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro.
TROCA de bastão - As dificuldades do PT na maioria dos estados não significa que a esquerda esteja toda em baixa nesta eleição. O Psol, partido fundado por um grupo que deixou a legenda de Lula por discordar de propostas, como a reforma da Previdência, vira uma promessa em várias localidades. No DF, teve em Fábio Felix o deputado mais votado. Em São Paulo, o Psol elegeu seis deputados, sendo Érika Hilton a segunda mais votada, perdendo apenas para Lucas Pavanato, do PL.
PESCARIA - O PT de Lula se dedicará a buscar separadamente o apoio dos diretórios estaduais do PSD, liberados por Gilberto Kassab.
NEM tudo está perdido I - Embora tenha ficado atrás do PL em total de deputados federais eleitos, a federação PT, PCdoB e PV ampliou de 72 para 88 suas cadeiras na Câmara dos Deputados, um número expressivo.
NEM tudo está perdido II - Derrotado para a reeleição ao Senado, Renan Calheiros (MDB-AL) (foto) terá o senador Renan Filho (MDB-AL) como representante do clã. Renanzinho perdeu o governo para o ex-prefeito de Maceió, JHC, mas tem mais quatro anos de mandato de senador e é visto como o nome a fazer o contraponto na Casa com Arthur Lira, o maior adversário dos Calheiros, eleito para o Senado.
POR falar em PL… - Em cinco estados, o partido de Flávio Bolsonaro elegeu os dois senadores: Distrito Federal, Rio de Janeiro, Rondônia, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina.
O SUPREMO que se cuide - O resultado das urnas em primeiro turno coloca os ministros do Supremo Tribunal Federal enroscados na crise de Daniel Vorcaro sob um risco real de abertura de processo de impeachment, em especial, Alexandre de Moraes. As contas preliminares indicam que, a partir de 2027, o número de senadores dispostos a apoiar investigação desse tipo sobre os togados está muito próxima dos 54 votos necessários para levar adiante um processo de impeachment. As contas preliminares do PL apontam, pelo menos, 50 senadores. Ou o STF resolve suas mazelas até o final deste ano, ou o Senado colocará parte dos ministros no cadafalso ano que vem.
NÃO é de hoje - Nos tempos em que ainda era presidente da República, Jair Bolsonaro havia colocado o Senado como prioridade absoluta para a eleição de 2022. Naquela ocasião, os próprios ministros do STF faziam cálculos, preocupados com o que poderia sair das urnas no futuro próximo, mas esperavam que fosse em 2030. O caso Daniel Vorcaro fez acelerar esse crescimento da oposição ao STF.
MAPA dos novos governadores - Cleitinho (Republicanos) é eleito governador de Minas Gerais. Eduardo Braide (PSD) é eleito governador do Maranhão. Lucas Ribeiro (PP) é reeleito governador da Paraíba. Marcos Rogério (PL) é eleito governador de Rondônia.
Otaviano Pivetta (Republicanos) é reeleito governador de Mato Grosso. Eduardo Riedel (PP) é reeleito governador de Mato Grosso do Sul. Fábio Mitidieri (PSD) é reeleito governador de Sergipe. Sem votos de Garotinho, Douglas Ruas (PL) já estaria eleito no RJ; Justiça vai definir se haverá 2º turno. Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT) vão disputar o 2º turno no DF. Jerônimo Rodrigues (PT) derrota ACM Neto (União) na Bahia e é reeleito governador. Daniel Vilela (MDB) é reeleito governador de Goiás. Zucco é governador mais votado do Rio Grande do Sul desde a redemocratização. Sergio Moro (PL) é eleito governador do Paraná. Jorginho Mello (PL) é reeleito governador de SC. Raquel Lyra (PSD) derrota João Campos (PSB) e é reeleita em Pernambuco. Elmano de Freitas (PT) vence Ciro Gomes (PSDB) e é reeleito no Ceará. No Amapá, com 92,79% das urnas apuradas, Dr. Furlan tinha 62,25%, ante 37,47% do governador Clécio Luís.
AVALIANDO apoio - A governadora reeleita de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), está reticente em declarar apoio ao presidente Lula (PT) no segundo turno das eleições. Isso porque durante a campanha ela pediu que o presidente adotasse neutralidade no estado, mas Lula não só manifestou apoio ao adversário dela, João Campos (PSB) como participou de um ato de campanha a uma semana do primeiro turno. No entorno da governadora, há ainda quem defenda que ela não tome uma decisão rápida e avalie com calma o que pode ser feito nos próximos dias. A falta de apoio de Raquel é ainda mais sensível para a campanha de Lula que nutre esperanças em conquistar o apoio do PSD, partido dela, comandado por Gilberto Kassab.
Presidente IPG-Instituto João Goulart


