Viúva de Jango exige restauração de estátua vandalizada por bolsonaristas em Porto Alegre
Viúva de Jango exige restauração de estátua vandalizada por bolsonaristas em Porto Alegre
Família do ex-presidente cobra também investigação após pichações na Orla do Guaíba. Material de campanha de Flávio Bolsonaro apareceu no entorno da homenagem.

Da Redação*
A viúva de João Goulart, Maria Thereza Goulart, de 90 anos, acionou o Ministério Público do Rio Grande do Sul e o IPHAE após a depredação do monumento dedicado ao ex-presidente. A estátua de Jango, instalada na Orla do Guaíba, em Porto Alegre, sofreu pichações em pleno período eleitoral. Além disso, bandeiras e cartazes de propaganda de Flávio Bolsonaro ocuparam o entorno do monumento, conforme imagens divulgadas pela família.
A ex-primeira-dama exige providências para restaurar a escultura e responsabilizar os autores. Seu neto, o advogado Christopher Goulart, também procurou a polícia e solicitou acesso às imagens das câmeras de segurança.
Propaganda eleitoral e investigação
A depredação foi constatada em 20 de outubro. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Bela Goulart, neta do ex-presidente, mostrou a presença de material de campanha de Flávio Bolsonaro nas proximidades da homenagem ao avô. Provocativamente, a pichação foi feita com tinta vermelha.
A Polícia Civil abriu inquérito no dia 22 – coincidência numérica –, sob responsabilidade da 2ª Delegacia de Porto Alegre. Os investigadores apuram o crime de dano qualificado, enquanto familiares apontam possível motivação política.
Segundo a família, trata-se do segundo ataque à estátua durante a campanha eleitoral. A prefeitura anunciou providências para limpar a escultura e melhorar a vigilância do local.
Um presidente deposto pela ditadura
João Goulart governou o Brasil entre 1961 e 1964. Herdeiro político do trabalhismo de Getúlio Vargas, defendia as Reformas de Base, incluindo mudanças agrárias, educacionais, tributárias e eleitorais.
Seu programa buscava ampliar direitos sociais e enfrentar desigualdades históricas. Entretanto, enfrentou forte oposição de setores empresariais, latifundiários e militares, culminando no golpe de 1964.
Jango deixou o Brasil para evitar um confronto armado e morreu no exílio argentino, em 6 de dezembro de 1976. Seu corpo retornou ao país para o sepultamento em São Borja, no Rio Grande do Sul.
Monumento preserva memória democrática
Criada pelo escultor Otto Dumovich, a estátua em tamanho natural fica no Trecho 1 da Orla do Guaíba, próximo à Rótula das Cuias. A Fundação Caminho da Soberania mobilizou recursos para sua instalação e agora busca garantir sua preservação.
O vandalismo ocorre às vésperas dos 50 anos da morte do ex-presidente. Para seus familiares, a agressão ultrapassa os danos materiais e atinge a memória de um governante constitucional derrubado pela ditadura.
* Redator: Solon Saldanha
Fotomontagem feita pela RED, com uso de IA. Crédito das imagens: O Globo e Zero Hora


