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'O Freixo ainda não pôs um programa para o Rio', diz neto de Brizola sobre eleição

publicada em 30 de outubro de 2019
'O Freixo ainda não pôs um programa para o Rio', diz neto de Brizola sobre eleição
Ex-ministro do Trabalho de Dilma é pré-candidato a prefeito do Rio pelo PCdoB
Por CÁSSIO BRUNO





Brizola Neto, ex-ministro do Trabalho e pré-candidato a prefeito do Rio pelo PCdoB

RIO - Carlos Daudt Brizola, o Brizola Neto, de 41 anos, diz não abrir mão de sua candidatura a prefeito do Rio pelo PCdoB. O ex-ministro do Trabalho do governo Dilma Rousseff afirma que os partidos de esquerda devem se unir, sim, mas para criar um programa para a cidade, com geração de emprego e renda. Em entrevista à coluna, ele critica a postura do deputado federal Marcelo Freixo, um postulantes ao cargo pelo PSOL. “Eles estão em torno de um nome e de circunstâncias que não são relevantes”, alfineta referindo-se ao partido que, atualmente, abriga o próprio irmão, o vereador Leonel Brizola. Neto explica ainda o motivo de sua saída do PDT e da relação com a sigla fundada há 40 anos por seu avô.

O DIA: O senhor é pré-candidato a prefeito do Rio pelo PCdoB. A esquerda não deveria estar unida para não dividir os votos?

BRIZOLA NETO: Bolsonaro e Crivella representam um perigo para o Rio. E essa unidade da esquerda tem que cuidar de um programa para a população com emprego e geração de renda. São questões fundamentais: levar o desenvolvimento social.

Tem esperança de união?

A gente não vai abrir mão de dialogar na expectativa de criar uma unidade. Mas tem que ser construída em cima de um programa. Até então nós não identificamos, dentro das candidaturas de esquerda, um programa que atenda as reais necessidades da população carioca.

Mas os partidos de esquerda já deram o primeiro passo para formalizar um programa?

Acabei de fechar um seminário em novembro com o PDT e o PSB, com a (deputada estadual) Martha Rocha (pré-candidata à Prefeitura pelo PDT) e o (deputado federal) Alessandro Molon (pré-candidato do PSB), para falarmos sobre o desenvolvimento econômico do Rio e melhorar os indicadores de saúde, de educação.

Por que o PSOL não foi convidado para o evento?

Porque eles estão em torno de um nome (o do deputado federal Marcelo Freixo) e de circunstâncias que não são relevantes para o Rio. Se não for em torno de um programa, não dá para se reunir.

O Freixo tem tentado unir a esquerda e argumenta estar na frente nas pesquisas. Como avalia?

O Freixo ainda não pôs um programa para a cidade do Rio. Estamos, claramente, colocando um programa que dialogue com os problemas que nosso município enfrenta. Fiz um diagnóstico sobre a saúde no Brasil. O Rio de Janeiro é o maior indicador de mortalidade infantil do país. São indicadores negativos que nenhuma candidatura progressista falou. O PCdoB está construindo um programa baseado no que o povo carioca vive no seu dia a dia.

O senhor manterá a pré-candidatura até o fim? Ou abrirá mão se houver um programa com PDT e PSB?

O PCdoB assumirá a candidatura até o fi nal porque o partido está com muita clareza de que é o momento de afirmar a identidade com candidaturas próprias. O Rio está oportuno para isso.

Não é contradição? Há um impasse porque ninguém abrirá mão, então.

Não acho. Para mim, é natural. A unidade está na construção de um programa. Estamos nos posicionando e, em determinado momento, se identificarmos a necessidade de uma unidade para vencer as eleições, vamos nos reunir. O partido não lança uma candidatura para ela não ir até o final. É assim com todos os partidos, inclusive com o PSOL, do Freixo.

Por que o senhor deixou o PDT do seu avô?

O PDT cumpriu um grande papel em âmbito da política nacional. Mas tive algumas divergências em relação ao Rio. Na última eleição, o candidato a governador do PDT é, hoje, o secretário (de Educação) do Witzel: o Pedro Fernandes. É uma contradição ao legado do brizolismo.

A família Brizola continua brigada com o presidente Carlos Lupi?

Não. Estamos trabalhando juntos. A minha irmã, Juliana, é pré-candidata a prefeita em Porto Alegre pelo PDT. Conseguimos manter um PDT vivo depois da morte do Brizola. Com a vinda do Ciro Gomes, o partido manteve-se em nível nacional.

O senhor está no PCdoB.

Foi pela questão regional.

Tem vontade de voltar?

Não. Estou no PCdoB e acho que ele tem cumprido um grande papel. Tem colocado com clareza para o país a necessidade de um programa para o retomada do desenvolvimento, que dialogue com a agenda do Rio.

Quando o senhor era ministro, tentou tirar do Lupi o controle do PDT. Por que não conseguiu?

Houve incompreensão no processo. Mas são águas passadas. O momento, agora, é outro. Existe uma identidade entre o PCdoB e o PDT nacionalmente e no Rio.

O seu irmão, vereador Leonel Brizola, é do PSOL. Ele terá de subir no palanque do Freixo ou do Renato Cinco, que também lançou a pré-candidatura pela mesma legenda.

E ainda temos este detalhe: o PSOL não está unificado. Mas é uma questão interna do PSOL. Só o Leonel pode responder a essas questões. Ele está há mais de quatro anos lá, onde foi eleito.
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