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Mito da Mídia Alternativa no Brasil: O Que É e O Que Não É

publicada em 28 de novembro de 2017

Mito da Mídia Alternativa no Brasil: O Que É e O Que Não É

"Do entusiasmo à impostura, o passo é perigoso e escorregadio; Sócrates oferece memorável exemplo de como um sábio pode enganar a si mesmo, um homem bom pode enganar os outros, a consciência pode dormir em estado misto e médio entre auto-ilusão, e fraude voluntária"

Edward Gibbon, no livro The Decline and Fall of the Roman Empire


 Publicado em Pravda Brasil e em Global Research (Canadá)


O que anda se considerando mídia alternativa no Brasil acompanha a baixíssima estatura intelectual e a politicagem mais descarada que marcam este país. Aproveitando-se dessa atmosfera insuportável - aí está a trágica realidade para, mais que nunca, não nos deixar mentir -, os barões de saitecos, jornalecos e revistecas travestidos de alternativos, vendem implicitamente em sua prática do antijornalismo a paupérrima ideia de que o são por noticiar, sistematicamente, apenas um lado da questão e por serem tendenciosos, pendendo abertamente para este lado diverso da tão combatida grande mídia podre.

Apesar do verniz livre e independente, em nada se diferenciam dos que com tanta fúria combatem - e cerceiam a liberdade de expressão de jornalistas decentes tanto quanto a grande mídia, apenas por contrariar os interesses político-partidários que os sustentam. E creia-se: nas editorias de grande parte da mídia "alternativa" o que há de indivíduos recebendo o famoso jabá do Partido dos Trabalhadores, em outras palavras esfregando na cara de seus colegas menos favorecidos o socialismo enquanto gozam do capitalismo mais podre, é uma enormidade nojenta!

O que caracteriza mídia alternativa NÃO é o fato de noticiar as últimas tendências, por exemplo, do PT, PSTU, PSoL e por aí vai, nem sem mais simpático à causa a ou b e nem, necessariamente, acionar constantemente o trombone contra a grande mídia, mas sim a práticajornalística baseada nas palavras de Michel Foucault, "não é através da ideologia que se molda o social, mas através da verdade": simples assim! Tais palavras resumem perfeitamente os quatro princípios básicos do oficio: objetividade, transparência, ética e imparcialidade.

Para ficar ainda mais fácil aos leitores identificar o que é e o que não é mídia alternativa: dos que babam ovo para declarações e promessas de políticos, no mínimo comece a desconfiar considerando seriamente a possibilidade de se tratar de panfletagem política, travestida de jornalismo alternativo.

Isso porque o jornalismo de verdade discute ampla e profundamente, policia, fiscaliza, investiga, critica, causa temor na classe política do Brasil, antro de politiqueiros demagogos em todos os espectros fazendo reinar o típico e gritante vira-latismo tupiniquim, baseado no profundamente irritante, indignante "todo mundo faz", ou ainda "é asim mesmo", pois, afinal de contas, "não há outro jeito" no Brasil.

Como disse Thomas Jefferson: "Se me deixassem decidir se devemos ter um governo sem jornais ou jornais sem governo, eu não hesitaria, por algum momento, em preferir o último". E aqui vai outra dica: existe mais semelhança da mídia "alternativa" brasileira com essas observações de Jefferson, feitas no início do século XIX, ou ela está mais para o aspecto de porta-voz de "algum" grande partido de "esquerda", hein?! Pois é. E isso não é, em si, nada alternativo! Ser tendencioso alternativamente não é nem pode se tornar sinônimo de jornalismo alternativo, Brasil! Basta de cinismo neste país!!

Exemplo de tendencionismo alternativo: noticiar campanhas presidenciais de Luiz Inácio' 2018 Brasil afora, inclusive, no Nordeste do país, portando alegremente chapeuzinho de nordestino, porém "pular", isto é, omitir a informação do público quando o ex-presidente da República divide dias depois, na mesma região brasileira, palanque com figuras tétricas como o senador quadrilheiro Renan Calheiros, valendo, por parte de Luiz Inácio ao cacique alagoano, pai do golpe contra Dilma Rousseff e um dos políticos mais corruptos do País, o título de admirável, independente e corajoso (!).

O que há, caro leitor, de alternativo nesta prática do antijornalismo em relação ao que faz diariamente a grande mídia, apenas com o diferencial de pender a balança hipócrita para outro lado? Nada! (Sobre o encontro fraternal de Luiz Inácio com Calheiros em setembro de 2017, leia Clamor do General Mourão por Ditadura e Eterno Abraço de Luiz Inácio no Capeta).

Tomemos como exemplo, outrossim, a mídia alternativa norte-americana, em geral não tão alternativa quanto se proclama, especialmente Truth Out que além de se recusar a abordar as contradições e mentiras do 11/9, os crimes dos Estados Unidos no Oriente Médio mais a fundo e possuir um forte aspecto de Hillary Clinton, por outro lado possui cara politico-partidária e personalista bem menor que a brasileira, esta enormemente escancarada, tão sofrível.

Em geral, a prática da mídia alternativa global é bem diferente da praticada na autodenominada mídia "alternativa" do Brasil, aquela voltada muito mais a ideias, projetos e à apuração da verdade dos fatos que a "determinado" partido e personagem político como no caso brasileiro, de maneira marcante.

Portanto, noticiar sistematicamente promessas de campanha de um candidato que se identifica mais com as causas sociais, tampouco caracteriza mídia alternativa por si só, mas o quanto se dá voz a todos os outros mostrando todos os seus lados, discutindo-se a questão em seu contexto mais amplo e de maneira crítica como manda o jornalismo, em nada identificado com partido político nem muito menos com personalismo quando praticado de maneira genuína, honesta, alternativa de verdade em relação ao "jornalismo" da mídia tradicional.

Qualquer outra coisa que fuja disso é panfletagem disfarçada de mídia "livre" e "independente" (que cada vez menos enganam o público) ou, no português mais claro, falta de vergonha na cara, a outra face de uma mesma moeda politiqueiro-midiática. E repita-se: há jornalistas "socialistas" desta estirpe, posando como paladinos da verdade, justiceiros jornalísticos empesteando aos montes as Redações da tal mídia "alternativa" tupiniquim de péssimo gosto, e pouqíssimo eficaz: aí está a realidade.

Edu Montesanti
www.edumontesanti.skyrock.com +55 47 98862-3679
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