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Valeu Ministra, moda não é “coisa” de perua!

29 de agosto de 2013
Valeu Ministra, moda não é “coisa” de perua!

A aqueles que nos consideram uma arte menor, coisa de mulherzinha desocupada, sinto muito, quero informar, mas a Moda não é “coisa” de perua. NÃO! Um retumbante NÃO.
A Moda não é “coisa” de perua vestida de oncinha! Exigimos respeito!

A aqueles que ainda desconhecem que, segundo a ABRAVEST (Associação Brasileira do Vestuário) representamos a maior força geradora de empregos da indústria de transformação nacional, que empregamos diretamente 1.183.490, pessoas, atingindo indiretamente um contingente de 4.600.000 cidadãos, que nossas indústrias em 2010 tiveram um faturamento anual equivalente a US$ 47.009.434 bilhões e que nos orgulhamos por representar e prestar serviços à indústria nacional do vestuário, segmento de importância estratégica para o desenvolvimento do nosso país. NÃO!Nossa Moda não é “coisa” de perua!

Mas para além de sermos uma forte indústria de geração de emprego e renda, a moda ainda é arte, é cultura. Não considerar a moda uma manifestação artística e cultural, vai da desinformação ao puro preconceito.

Quando um estilista desenha uma coleção, e traz para as passarelas, que serão fotografadas e vistas ao redor do mundo, um desfile inspirado nas curvas das obras do arquiteto Oscar Niemeyer,como a coleção de Pedro Lourenço de 2010,isso não é arte? Quando uma coleção é sentida, pesquisada e idealizada, levando ao público peças inspiradas no Rio São Francisco, o Velho Chico, como a coleção de Reinaldo Fraga desfilada no São Paulo Fashion Week, na temporada primavera/verão 2008/2009 ,isso não é arte?Quando a marca Forum coloca referências nacionais em suas coleções e campanhas e faz um desfile chamado Carnaval, com cenografia de Joãzinho Trinta, em 2002, isso não é arte, não é cultura, a NOSSA cultura? O que é então?

Um quadro comprado após um vernissage?
Uma escultura adquirida após uma exposição?
Um CD de uma banda escutado após um show?
Um DVD assistido após a estreia de uma produção cinematográfica?
Por que então não é arte uma peça comprada após um desfile?
Onde está a diferença?
Por que a moda é uma arte menor?
Por que a moda continua sendo coisa de perua vestida de oncinha?

Mais do que expressar a nossa arte, mais do que expressar a nossa cultura, a moda gera empregos diretos, acima citados pelos dados da ABRAVEST, e os indiretos, os invisíveis, das artesãs, das bordadeiras, das costureiras escondidas nas comunidades carentes desse país afora, sem reconhecimento público, sem garantias de trabalho e de emprego , artistas sem rosto que contribuem para o sucesso da nossa indústria criativa , que sustentam suas famílias com o resultado desse trabalho suado e ainda pouco reconhecido. Será que isso também é coisa de perua? Acho que não.

A Ministra Marta Suplicy, marcou um golaço! Demonstrando ter visão e sensibilidade concedeu a captação através da Lei Rouanet de incentivo fiscal, de cerca de R$ 7 milhões para três dos nossos melhores representantes da moda brasileira, a fim de realizarem desfiles dentro e fora do nosso país. É bom lembrar que a Lei Rouanet, não é sinal de que esses estilistas terão acesso a esse valor diretamente, a Lei simplesmente os credencia para buscar patrocinadores que queiram investir o valor que pagariam em impostos, em projetos apresentados por esses profissionais. E acreditem, existe aí um longo caminho, mas é um primeiro passo, um primeiro passo para o reconhecimento do mercado da moda brasileira como “coisa” séria, artisticamente, culturamente e economicamente em nosso país.

Enquanto na França, o governo investe e apoia a criação do Centro Europeu de Têxteis Inovadores, um espaço de 15 mil m² inaugurado em outubro passado, com investimento de 40 milhões de euros, estrategicamente situado no norte da França, onde funciona um polo têxtil desde a Revolução Industrial, aquí se faz um carnaval porque um Ministério credencia para captação , através de renúncia fiscal de cerca de R$ 7 milhões para colocarmos a nossa indústria da Moda em centros de referência da indústria como Paris e Nova York.

Vamos pensar a moda com a seriedade que ela merece, como arte, como cultura , como demostração da nossa brasilidade, como a capacidade que temos como criadores e geradores de trabalho, emprego e renda.

Meus cumprimentos a Ministra Marta, que a despeito da visão retrógrada e preconceituosa de parte da nossa sociedade, deu um corajoso passo no reconhecimento do papel da Moda em nosso país.

Verônica Fialho.
Estilista e diretora do Instituto João Goulart
postado por Veronica às 16:46

1 Comentário

22/11/2014 às 11:35
Alberto freitas escreveu:
realmente coisa de perua Um Post que complementa http://www.conceitom.com.br/moda-inspirada-passado/#more-793

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