Domingo, 13 de outubro de 2019.
Notícias ››   Imprensa on-line ››  

JANGO, VARGAS E BRIZOLA ERAM MARXISTAS? ENTENDA A DIFERENÇA ENTRE O TRABALHISMO E O COMUNISMO, SEGUNDO LEONEL BRIZOLA

publicada em 24 de setembro de 2019
JANGO, VARGAS E BRIZOLA ERAM MARXISTAS? ENTENDA A DIFERENÇA ENTRE O TRABALHISMO E O COMUNISMO, SEGUNDO LEONEL BRIZOLA
Entendendo, a partir dos projetos econômicos, a distinção entre o PCB e o PTB, é possível compreender que não havia ameaça comunista em 1964

ANDRÉ NOGUEIRA PUBLICADO EM 23/09/2019, ÀS 11H10





Nos dias atuais, os brasileiros ainda confundem o trabalhismo, que é uma das vertentes mais importantes da política, tendo como desenvolvedores Getúlio Vargas, João Goulart e Leonel Brizola, com o comunismo, associado a nomes como Luís Carlos Prestes e Carlos Marighella.

Por esse motivo, é importante compreender as profundas diferenças entre o projeto social e econômico do trabalhismo com o objetivo revolucionário comunista. Essa distinção já foi plenamente estabelecida em texto desde 1958.


O trabalhismo está diretamente ligado ao legado de Vargas, padrinho do casamento de Brizola com Neuza Goulart / Crédito: Reprodução



Isso porque em 1958, Leonel Brizola, jovem político do PTB, concorreu ao governo do estado do Rio Grande do Sul e lançou um manifesto em que repudiava o apoio dos comunistas e definia a distinção entre as correntes de pensamento político.

Brizola determinou aspectos das correntes que são diametralmente opostas. O comunismo, por exemplo, é uma doutrina essencialmente internacionalista, pois o critério da classe é transcendente às fronteiras nacionais. Ao contrário do trabalhismo, que é fortemente nacionalista. O mesmo pode-se dizer em relação à base das ideias: o comunismo é materialista, baseado em Marx. Segundo Brizola, o trabalhismo “se inspira na doutrina social cristã”.

A pauta comunista principal é a abolição da propriedade privada e a coletivização planificada da economia, o que não coincide com a posição dos trabalhistas em relação ao estatuto da propriedade: ela é defensível dentro de um fim social e uma proposição consonante às demandas do povo. Por isso, o projeto de Reforma Agrária da Bandeira Unificadora (Jango) era baseada na propriedade individual.


Assim, em seu manifesto, Brizola declarou: “o comunismo escraviza o homem ao Estado e prescreve o regime de garantia do trabalho, o trabalhismo é a dignificação do trabalho e não tolera a exploração do homem pelo Estado nem do homem pelo homem”.




O governo trabalhista de Brizola foi um dos mais progressistas e vitoriosos sa época / Crédito: Reprodução

Brizola defendia um projeto socioeconômico para o país que fosse, acima de tudo, nacionalista e, portanto, acima da intriga EUA-URSS. Ele permitia que fosse banalmente associado ao comunismo: “contra nós, Sr. Presidente, que defendemos os interesses nacionais, chamando-nos de comunistas, procurando excluir-nos da vida pública, quando nos chamam de comunistas. Eu tenho vontade, Senhor Presidente, de dizer o que penso dessa gente, o que eu penso que é o comunismo para essa canalha. Mas, esses, sim, são termos antirregimentais, não poderei pronunciá-los aqui”, afirmou em discurso na Câmara dos Deputados em 1963.


Em 1961: “Ontem à noite, o senhor ministro da Guerra, marechal Odílio Denys soldado no fim da sua carreira, [...] declarou que não concorda com a posse do senhor João Goulart porque, numa argumentação pueril e inaceitável, isso significa uma opção entre o comunismo ou não. Isso é pueril meus conterrâneos! Isto é pueril meus patrícios! Não nos encontramos nesse dilema. Que vão essas ou aquelas doutrinas para onde quiserem. Não nos encontramos entre uma submissão à União Soviética ou aos Estados Unidos [...].”

Brizola, assim como seus associados, não era adepto ao anticomunismo da direita conservadora. Sabendo dialogar com grupos diferentes, o governador (e depois deputado) soube articular com o grupo diversas vezes, seja durante o auge da crise do governo Goulart, ou mesmo após seu retorno do exílio, durante as articulações da Frente Democrática e na criação do PDT.





O governo Jango teve como força defensiva forte o nacionalismo de Brizola / Crédito: Reprodução


Ao mesmo tempo, ele via na melhoria econômica nacional uma forma de combate ao comunismo: “A grande diferença entre nós e os que nos acusam está em que eles querem combater o comunismo com a polícia, com a violência, com a ilegalidade, com o desrespeito à Constituição e, portanto, com o terrorismo e com a mentira", declarou Brizola num discurso proferido em 20 de outubro de 1961, durante uma conferência no Colégio Júlio de Castilhos, em Porto Alegre.

"Querem a implantação do atestado ideológico e querem, principalmente, através destas campanhas odientas, envolver e inutilizar todos os que apontam seus privilégios e querem um Brasil novo e livre. E nós entendemos que a melhor maneira de combater o comunismo está em resolver os problemas que nos afligem”, finalizou.
Versão para impressão Envie para um amigo Deixe seu comentário
Aventuras na Historia

Envie esta notícia para seus amigos

Seu nome:
Seu e-mail:
Enviar para:
envie para vários e-mails separando-os com vírgula

Deixe seu comentário sobre esta notícia

Seu nome:
Seu e-mail:
Escreva seu comentário:
0 caracteres utilizados. Máximo 100 caracteres.

Digite o código contido na imagem ao lado:
Caso não consiga ler o texto da imagem, clique aqui.

Comentários

Nenhum comentário ainda foi registrado.
Seja o primeiro a comentar! Clique aqui ››

Contato

Telefone
(61) 35418388
(61) 93094422