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Jânio de Freitas: governo Bolsonaro não sabe sobre “os que têm morrido ou sofrido” sem médicos cubanos

publicada em 14 de abril de 2019
Jânio de Freitas: governo Bolsonaro não sabe sobre “os que têm morrido ou sofrido” sem médicos cubanos







Janio de Freitas no Roda Viva


A Coluna de Jânio de Freitas na Folha de S.Paulo aborda o desastre da retirada dos cubanos no Brasil. “Por motivos óbvios, o ato não teve a honra da inclusão, pela Presidência, no alegado cumprimento de promessas para os cem e os sem dias de governo Bolsonaro. Mas talvez nenhum ato represente Bolsonaro e seu governo tão bem quanto a devolução dos médicos cubanos. Não se sabe, nem o governo sabe, a quanto soma a grande multidão dos que têm morrido ou sofrido porque lhes retiraram os médicos. Sem qualquer medida preventiva, sem informação sobre as populações atingidas, sem se importar com as consequências”.

O jornalista desenvolve seu raciocínio: “A Folha já relatou o desamparo médico em que caíram municípios inteiros, mesmo no rico estado de São Paulo. O recente depoimento da médica Ananda Conde a Fabiano Maisonnave, também na Folha, é como um grito de desespero. Em 15 dias na Amazônia, região de Maturacá, fez 190 atendimentos clínicos, seis partos, exames de pré-natal, atendimentos de emergência por mordidas de animais, acidentes, violência, alcoolismo. Mas em dois meses no Mais Médicos, sua aspiração profissional, Ananda decidiu desligar-se, por falta de tudo, inclusive de recebimento do salário. Uma informação sua, como complemento: ‘Nos ianomâmi’, que ocupam extensa área, ‘todos os 16 médicos eram cubanos, e foram embora’. Retirados por decisão de Bolsonaro, pelo motivo só de serem cubanos. Desde o início do programa Mais Médicos viu-se o que se pressentia: médicos brasileiros, mesmo recém-formados, não se interessavam por trabalhar no interior, ainda que em cidades ou regiões aprazíveis. O programa jamais conseguiu preencher a quota de brasileiros. Dos inscritos para substituir, com melhores condições, os cubanos devolvidos, 15% nem se apresentaram nos postos designados. De lá para cá, a substituição nunca se completou e a constante é o abandono. Ao governo, ou não importa, ou quer que assim seja”.

E conclui, culpando também o governo anterior: “O ato irresponsável e perverso de Bolsonaro foi antecedido por medida equivalente de Michel Temer. Em seus dois últimos anos no Planalto, Temer cortou do programa Farmácia Popular, de remédios gratuitos e outros com desconto especial, o necessário para o atendimento a 7 milhões de usuários. Um quarto dos registrados como dependentes da ajuda para tratar-se. Quem faça contra uma só pessoa algo caracterizável como privação de socorro, está incurso no Código Penal e sujeito a pena de prisão. Governantes movidos pelos motivos mais idiotas e torpes fazem o mesmo contra milhões. Impunes, sob aplausos originários da imbecilidade e da baixeza. Primeira iniciativa verdadeira para difusão de assistência médica país afora, o Mais Médicos definha. E milhões são outra vez deixados ao padecimento físico e à morte evitável. A Michel Temer e Jair Bolsonaro não adianta que lavem as mãos”.
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