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João Goulart Filho: “Temer desnacionalizou nossa economia”

publicada em 27 de junho de 2018

Atualidades

João Goulart Filho: “Temer desnacionalizou nossa economia”

Filho do ex-presidente do Brasil, em entrevista exclusiva, faz uma análise do governo brasileiro


Conversamos com o filho de uma das maiores personalidades políticas do Brasil, o ex-presidente João Goulart. O escritor, pessoa que pelo sobrenome carrega uma história que com certeza vai despertar o interesse de todos, falamos de João Goulart Filho. Para os mais antigos quando se fala em João Goulart, automaticamente lembramos de “Jango”, que a partir de agora os mais novos passarão a conhecer um pouco mais.

João Goulart Filho, que é do PPL (Partido da Pátria Livre) esteve em Santarém para lançar sua pré-candidatura para Presidência da República e de outros filiados do Partido a outros cargos políticos: “Nós estamos fazendo essa peregrinação pelo Pará e no Brasil inteiro, com esse grande desafio que o Partido da Pátria Livre nos honra de representarmos as lutas políticas do passado, as lutas do nacionalismo brasileiro, as lutas políticas do nosso trabalhismo e nessa oportunidade viajando pelo interior do Brasil, estamos aqui em Santarém”, declarou.

João Goulart Filho disse que depois de Santarém vai visitar outros municípios do Pará: “Nós ficaremos em Santarém, realizaremos uma reunião com o partido local, para discutirmos candidaturas proporcionais do Pátria Livre, depois vamos a outras localidades que temos interesse de conhecermos um pouco mais da realidade brasileira, nosso País é continental e estamos aí nessa pré-campanha visitando todos os estados para ver se a gente pode levar essa mensagem trabalhista, mensagem de um Brasil nacionalista, que lá atrás ficou no passado. Aqueles que conhecem a história brasileira saberão identificar essas lutas nacionalistas, que foi a luta de 1964 quando nós aqui no Brasil tivemos um golpe de Estado que impediu o prosseguimento de um projeto de nação que estava em andamento. Era o projeto das reformas de base do presidente João Goulart e que foi impedido naquele momento e hoje nós vivemos uma situação muito semelhante daquele momento de 1964, apesar da temporalidade muito grande que existe entre ambas as épocas, mas nós estamos presenciando aí um processo de desnacionalização da nossa economia muito aprofundado e o Pátria Livre traz nos seus estatutos e em seus programas o resgate das lutas trabalhistas, dos direitos dos trabalhadores que são nossos, de Getúlio, de Jango. A CLT, a Lei de Oito Horas, o Décimo Terceiro Salário que todos os trabalhadores ganham, é do presidente João Goulart de 1962. Foi muito difícil de implantar o Décimo Terceiro Salário no Brasil, porque as elites econômicas, tais quais nós presenciamos hoje, naquela época também não queriam o avanço dos direitos dos trabalhadores, e nós estamos aqui levando essa mensagem, é um prazer enorme estar aqui hoje”, disse João Goulart Filho.

Gostaríamos de mostrar o seu currículo. Assim como é a primeira vez que o Partido está lançando um pré-candidato à Presidência, também é a primeira vez que nós estamos tendo a oportunidade de lhe conhecer: “Sem dúvidas, o nosso currículo é de resistência. Eu fui exilado, sai muito cedo do País, com meu pai, aos sete anos, vivemos no exílio durante muito tempo, 15 anos. Eu comecei a estudar ainda em espanhol no Uruguai. Nós presenciamos no Brasil um golpe efeito dominó, então, nós estudamos no Uruguai, estivemos no Paraguai, Argentina, acabamos na Inglaterra. E por que isso? Eu acabei fazendo filosofia em Porto Alegre, hoje sou escritor, estou lançando meu segundo livro, fui Deputado, fui Secretário de Estado no Rio de Janeiro com meu tio governador Leonel Brizola, que foi casado com a irmã do meu pai, que também esteve no exílio no Uruguai conosco. Eu fui presidente de autarquia do Instituto de Terras do Rio de Janeiro, onde titulamos o primeiro quilombo titulado no Brasil chamado “Campinho da Independência” no município de Parati. Enfim, hoje nos dedicamos mais a presidir o Instituto Presidente João Goulart, que nós fundamos em 2004, onde eu sou presidente, exatamente para resgatar as lutas e resgatar os acervos daquela memória das lutas emancipatórias de nosso País em 1964. Já produzimos dois filmes, dois livros; produzimos um documentário chamado “Jango em Três Atos” com a TV Senado, está à disposição no Youtube, para aqueles que queiram vê-lo, está disponível gratuitamente e produzimos outro dirigido por Paulo Fontenelle que é da equipe, inclusive falecido nosso querido Roberto, que faleceu recentemente, foi quem escreveu o roteiro, que chama-se “Dossiê Jango”, essa produção conta para aqueles que acompanham a história, a história da Operação Condor na América Latina, foi uma operação que perseguia, ela foi formada no Chile, na ditadura do Pinochet com o general Contreras, que cria esta cooperativa do terror que primeiro trocava informações entre as ditaduras militares que havia na América Latina, depois começaram a trocar prisioneiros e os exterminavam. Isto levou a esta tragédia que se abateu sobre a América Latina nos anos 60, 70 e 80. Foram épocas difíceis, tanto é que em 1964 quando caiu o Brasil, todos pensaram que seria mais uma das tantas quarteladas que o Brasil já tinha, só que não, nós vimos que o golpe de 64, trouxe o golpe da Argentina, Peru, Bolívia, Chile e do Equador, ao ponto de que em 1976 nós tínhamos na América Latina, toda ela governada por ditaduras militares. Isto não era um processo latino americano e sim um processo do departamento de estado americano, capitaneado pelo Henry Kissinger que fez na América Latina esse quintal do terror do governo americano para implantar a sua ideologia e seu sistema econômico que tanto prejudicou e sangrou, drenando as riquezas, não só as nossas como também no Chile, Uruguai, enfim, que nos trouxe vinte e um anos de ditadura, ou seja, nós tivemos o golpe de 64, e nós só voltamos ao Brasil em 1979. Com a com anistia, veio a abertura e nós só tivemos a primeira eleição presidencial livre em nosso País em 1989. Então, a democracia é um modelo de governo que nós devemos preservar, ela tem seus defeitos, mas não existe melhor modelo do que a democracia para se viver. Nós temos que aperfeiçoar esse modelo, e essas eleições que nós vamos presenciar em 2018, são sem dúvidas daquelas que podem dar ao Brasil um fôlego para respirar um novo modelo de participação democrática, um novo modelo de concórdia de união dos brasileiros e acreditar no desenvolvimento social do nosso País”, explanou.

Recentemente nós tivemos primeiro o período em que o Brasil foi governado ao comando de Lula por dois mandatos, seguido por Dilma, ambos do PT, sendo que Dilma não concluiu o segundo mandato. Hoje nós temos dois anos de governo Temer. Qual a avaliação em forma de comparativo com a situação de hoje? Perguntamos.

“Eu, particularmente, que estive no exílio lutando pela liberdade e pela democracia, lutando pela nacionalização de nossas riquezas que foi um projeto de nação daquele governo de João Goulart, que tentava realizar no Brasil as verdadeiras reformas populares, para trazer o desenvolvimento do mercado interno, redistribuir não somente a renda, mas as riquezas, em comparativo ao que nós estamos vendo hoje, nesses dois últimos anos do governo Temer, é realmente uma coisa absurda a desnacionalização da nossa economia. Quanto ao governo do PT, que esteve anteriormente, nós avaliamos que ele obteve avanços sociais, mas queria construir um projeto de poder para muito tempo e lamentavelmente errou na curva e nós presenciamos tudo. Agora, sem dúvidas, pior que esse governo Temer com desnacionalização da nossa economia, não foi”, analisou João Goulart Filho.

Em termos de programa partidário, mesmo ainda sendo um pré-candidato, PPL ainda deve erguer seus pilares para se sustentar, quais os principais que você poderia citar? Voltamos a pergunta. “O PPL deve ser hoje um dos poucos partidos, talvez o único que prega o enfreamento com o sistema financeiro. Nós no Brasil, não temos outra solução econômica. Se nós não mudarmos o modelo econômico brasileiro e digo isso porque não é mais possível um País como o nosso dispor de 52% de seu orçamento para pagar juro bancário, R$ 400 bilhões é o custo da dívida pública que nós temos hoje, ou o País rompe com isto, reescalonar, repactuar ou nós não teremos solução para investir em educação, segurança pública, saúde, porque é uma drenagem que o Brasil está fazendo para um setor que nada produz, está vivendo de especulação e os trabalhadores brasileiros pagando impostos para essa drenagem. Eu diria mais, nós temos que olhar que esse modelo financeiro não são só os R$ 400 bilhões, nós temos algo que era uma das medidas do presidente João Goulart que era a lei de remessa de lucros. Não é possível que além do serviço da dívida, as empresas multinacionais que aqui se encontram estejam remetendo lucros para suas matrizes e não reinvestindo em tecnologia como as nossas teles. Nós tínhamos a Embratel que era uma empresa do governo João Goulart, foi vendida no governo Fernando Henrique. Hoje nós temos quatro teles poderosas, todas multinacionais, uma mexicana, outra italiana, espanhola e francesa. Pois bem, elas deixaram de pagar 20 bilhões de reais de multas ao povo brasileiro por irregularidades praticadas no seu trabalho dentro do Brasil e em três anos remeteram quase R$ 4 bilhões para suas matrizes, então, nós temos que ver essa drenagem e essa fuga que era o que Jango queria em 1964, a regulamentação desses ingressos. Nós temos que regulamentar os ganhos de capital, as empresas que distribuem através de suas ações, não pagam imposto de renda para as pessoas físicas; nós temos uma série de enfrentamentos, que eu acho que só o PPL está propondo isso. Você vai me dizer o seguinte: mas qual é a força para enfrentarmos o sistema financeiro desse? Eu digo o seguinte: nós sabemos das grandes dificuldades que iremos ter como partido novo, mas nós somos um partido gigante em suas propostas.

Por: Jefferson Miranda
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