Quarta-feira, 18 de outubro de 2017.

Nota: Ao Financial Times, “Se Temer entregar o país, nós o recuperaremos”

publicada em 19 de setembro de 2017
Ao Financial Times, “Se Temer entregar o país, nós o recuperaremos”
Nova Iorque, EUA

Prezados Senhores,

Chegou a nosso conhecimento que se prepara para o fim do mês, em Nova Iorque, sob os auspícios do “Financial Times”, um encontro com investidores internacionais no qual o atual ocupante da Presidência do Brasil, Michel Temer, pretende oferecer oportunidades de investimento oriundas de uma escalada de privatizações. É possível que Vv.Ss. só tenham informações parciais dos eventos políticos em curso entre nós , os quais se caracterizam por profunda divisão da sociedade em torno, justamente, da questão da privatização, da desnacionalização e da entrega ao setor privado de patrimônio público.

O ocupante da Presidência não tem legitimidade para por em andamento o programa de privatização mencionado, mesmo porque não foi eleito para isso. O programa que impôs ao país, sob o nome de “Ponte para o Futuro”, é produto de um grupo de arrivistas que, por sinal, está sendo acusado de corrupção pela Procuradoria Geral da República. A maioria parlamentar que, até o fim do próximo ano, deve dar suporte ao Governo não resistirá às eleições do próximo ano, já que se apóia exclusivamente nas manobras de cúpula, sem suporte do povo, que terá oportunidade de tomar a prestação de contas de seus traidores.

Esta carta é, pois, um meio público de advertir a todos os investidores que se reunirão com Michel Temer em Nova Iorque para evitarem, sob risco de perdas financeiras e patrimoniais, a compra dos ativos brasileiros que se prepara para serem levados a leilão. Como presidente e secretário executivo da Frente Parlamentar Mista pela Defesa da Soberania Nacional, com mais de 200 parlamentares integrantes, já anunciamos à Nação a proposta de convocação de um referendo revogatório de todas as medidas anti-povo e anti-nacionais do Governo ilegítimo, para anulá-las na primeira oportunidade. Este é um compromisso sagrado.

Não reconheceremos direito adquirido acima do interesse público. E se tivemos, no passado, a partir dos anos 30, governos progressistas que construíram as bases físicas da nacionalidade, reagiremos aos que, agora, num golpe oportunista, estão destruindo as próprias bases da Nação. Aos que acham que o governo golpista e antinacional é eterno, que se lembrem da história brasileira desde os anos 30: com curtos interregnos entreguistas, construímos o desenvolvimento com Vargas, Juscelino, Jango e os próprios militares, nesse caso a despeito do fator negativo do autoritarismo. Se Temer entregar o país, nós o recuperaremos.

Frente Parlamentar Mista pela Defesa da Soberania Nacional


Senador Roberto Requião
Presidente
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