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O Irã de Ajhmadinejad. Pedro Porfirio.

07 de maio de 2009

"O Irã é um grande país, que indiscutivelmente tem papel no Oriente Médio e é um parceiro. E, se com cada país com que discordamos de alguma coisa, não pudermos aceitar visitante aqui, vai ficar muito difícil, não vamos receber ninguém".
Celso Amorim, chanceler brasileiro.
Desde quando, quase menino, abri os olhos para o mundo, no meu pré-carcere - o ginásio salesiano de Baturité, certos fatos da história me pareciam mal contados.
Um deles foi a perseguição do regime nazista aos judeus, os campos de concentração que, apesar da brutalidade conhecida, não eram questionados pelo povo alemão. Antes, parecia-me, tal repressão contra aquele povo, que passou por outros sofrimentos na Europa, em épocas diferentes, parecia ser um trunfo político do ditador.
A imposição do Estado de Israel e o tratamento cruel infringido aos donos da terra ocupada serviram para me dissipar algumas dúvidas. De imediato, concluí que o confronto Hitler X Judeus era "briga de cachorro grande".
E não há nada que a história escrita pelos vencedores tenha atribuído ao chefe nazista que hoje não estejamos vendo ao vivo e a cores, em tempo real, no território em que os judeus montaram o seu estado racial. Dessa vez, os algozes são descendentes e patrícios das vítimas d'antão.
Mas ao abrir minha grande angular alcanço um conjunto de imagens que projetam as práticas desses algozes d'agora em posturas tão intransigentes e tão intolerantes que parecem explicar séculos de rejeição e confrontos pelo mundo.



O Irã tem uma representação de católicos e judeus em seu parlamento maior que a proporção desses grupos na população. Isso os sionistas escondem.




"O Irã tem o maior mercado consumidor do Oriente Médio, cerca de 70 milhões contra aproximadamente 30 milhões que correspondem aos vizinhos juntos. Trabalhamos, atualmente, para que ele aumente os investimentos no Brasil (em 2007, por exemplo, o Irã teria investido US$ 6 bilhões na Venezuela, um país com mais riscos e oportunidades menores que o Brasil) para que os brasileiros possam agir com reciprocidade, voltando mais suas atenções às relações econômicas bilaterais".
Farrokh Faradji Chadan, vice-presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil - Irã

"O Irã é um país de grande relevância na região, com crescimento constante de 5,5% em média nos últimos 20 anos, que vem fazendo grande esforço de industrialização".
Roberto Jaguaribe, subsecretário-geral de Política do Ministério das Relações Exteriores. Israel acima de tudo
O que aconteceu nessa pressão orquestrada contra a visita ao Brasil do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, foi uma demonstração de que certos líderes da colônia judaica não relutam em se posicionar como verdadeiros "quintas colunas" a serviço de Israel, sua verdadeira pátria, embora recebam de todos os brasileiros o mais fraternal dos tratamentos.
Embora muito bem posicionados na atividade empresarial brasileira, embora ninguém tenha questionado o envio para Israel de milhões de pepitas amealhadas em seus prósperos negócios entre nós, esses grupos influentes na colônia não abrem mão de importar para o nosso país o contencioso de ódio e intolerância brotados pelo Estado sionista, que perdeu a autoridade de falar em holocausto a partir do momento em que submete a extermínios programados - como o de Gaza - milhares de cidadãos castigados por serem palestinos e desejarem o respeito a seus direitos milenares.
Ao jogarem todas as suas cartas para impedir a presença de um chefe de Estado com o qual o Brasil mantém relações diplomáticas regulares, cujo país oferece boas alternativas para o incremento dos nossos interesses no Oriente Médio, os judeus sionistas extrapolaram e deixaram o próprio presidente Luiz Inácio numa desconfortável saia justa.
Seguindo a mesma estratégia dos tempos de Delfim Neto - exportar é o que importa - o presidente brasileiro tem baixado em países de todos os continentes, independente de suas situações internas, num pragmatismo hoje muito usual em todos o mundo.
É, portanto, natural que ele também receba aqui os representantes dos governos estrangeiros, mesmo que não motivado por expectativas de novos negócios.
Nenhum outro país tem direito de meter o bedelho nas relações do Brasil com o mundo, a menos que o governo tenha rabo preso e aceite reprimendas e boicotes em flagrante violação do direito internacional e da soberania nacional.
Uma proveitosa parceria
A prática de Israel se imiscuir nos nossos assuntos em relação ao Irã não começou com essa articulação que tornou desconfortável a visita do presidente do MAIOR PARCEIRO COMERCIAL DO BRASIL NO ORIENTE MÉDIO.
Em outubro do ano passado, quando o chanceler Celso Amorim fazia as malas para ir ao Irã, a embaixadora de Israel em Brasília, Tzipora Rimon, foi ao seu encontro para transmitir o repúdio do seu governo a essa visita. Desde então, como ficou acertada a vinda do presidente iraniano agora em maio, a central sionista armou uma teia internacional para impedir a visita, capitaneada pelos judeus dos Estados Unidos.
Em Washington, o lobby sionista teve seu maior expoente no deputado Eliot Engel, do Partido Democrata, presidente do subcomitê de Hemisfério Ocidental no Congresso americano, que qualificou "vergonhosa" a disposição do governo brasileiro de receber o presidente Mahmoud Ahmadinejad.
Agindo assim, os judeus sionistas fizeram um grande mal ao nosso país, numa hora em que o nosso maior problema é a queda das exportações. A bem da verdade, e isso a nossa imprensa não diz, é exatamente com o Irã que o Brasil tem as mais vantajosas relações comerciais no Oriente Médio - e não é de hoje.
Ademais das remessas dos dízimos pelos judeus da diáspora, temos um comércio extremamente desfavorável com os israelenses: Em 2008, as exportações do Brasil para Israel totalizaram US$ 398 milhões e as importações, US$ 1,221 bilhões. O saldo do intercâmbio comercial entre os dois países nesse ano foi de US$ 822 milhões em favor de Israel.
Já em relação ao Irã, a situação se inverte radicalmente: . Em 2007, o Irã absorveu 28,7% das exportações do país à região, o que equivaleu a US$ 2 bilhões, proporcionando-nos um superávit comercial de US$ 1, 1 bilhão.
Em 2007, foi o maior importador de milho brasileiro, o segundo de açúcares e produtos de confeitaria, o terceiro de óleo de soja, o quarto de carne e miúdos e o sexto de soja. Além disso, o Irã foi o principal mercado para o Brasil no Oriente Médio nos anos de 2006 e 2007, e o maior superávit comercial. No entanto, as vendas brasileiras para o Irã caíram em 2008, em parte pela valorização do real frente ao dólar, mas principalmente pela resistência dos bancos brasileiros a aceitarem cartas de crédito dos bancos iranianos.
Para torpedear esse proveitoso intercâmbio comercial, os judeus sionistas brandiram contra as declarações hostis a Israel de Ahmadinejad e recorreram até aos discursos dos direitos humanos, o que, aliás, também deveriam passar à distância.
Tais argumentos levaram à indignação o mineiro Idelber Avelar, titular de literatura latino-americana da Tulane Universy, com um cabedal de títulos em PHd em universidades dos EUA. Em artigo publicado em vários sites brasileiros, ele escreveu:
"A julgar pelos gritinhos da República Morumbi-Leblon, pareceria que o Brasil nunca recebeu a visita do chefe de um estado autoritário. A julgar pelos videozinhos, você imaginaria que somente líderes de democracias tolerantes e liberais têm permissão de visitar o Brasil. É curioso que pessoas que não deram um pio acerca do inominável massacre israelense em Gaza venham agora posar de defensores dos direitos das mulheres iranianas. Não me consta, aliás, que alguém nessa turma tenha dito nada quando o Brasil recebeu a visita de Bush, responsável por uma guerra baseada em mentiras, pela adoção da tortura como política de estado, pelo campo de concentração de Guantánamo, pela morte de centenas de milhares de iraquianos".
O que se configurou, portanto, nesse melancólico episódio foi um arrogante e imprudente comportamento de alguns líderes da diáspora em nosso país, preocupados em demonstrar que para ser cidadão israelense não precisa estar lá, como propugnava David Bem Gurion, o fundador do estado sionista.
Com essa articulação irracional, além de causar danos aos interesses do país que os acolhe, e em que a maioria deles nasceu, os sionistas empedernidos puseram mais lenha na fogueira dos que ainda hoje encaram os judeus com um atávico sentimento de desconfiança.
coluna@pedroporfirio.com




postado por Pedro Porfírio. às 14:20

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