Sábado, 06 de junho de 2020.
Notícias ››   Imprensa on-line ››  

OS MAUS MILITARES E OS PÉSSIMOS CIVIS

publicada em 19 de maio de 2020
OS MAUS MILITARES E OS PÉSSIMOS CIVIS

Mantida a situação atual, por quanto tempo mais as instituições ainda funcionarão?

ARTIGO

Ângela Carrato, jornalista e professora do Departamento de Comunicação Social da UFMG

Sob olhares complacentes de muitos civis, o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) vai assumindo, cada dia mais, a sua face militarizada. Como se não bastassem o presidente e seu vice serem militares, são militares também os integrantes da “cozinha” do Palácio do Planalto – Augusto Heleno, Walter Braga Netto e Luiz Eduardo Ramos. Além disso, 2.500 outros ocupantes de cargos no atual governo são militares ou seus parentes.

Com o pedido de demissão do ministro da Saúde, Nelson Teich, até esse cargo, em plena pandemia de coronavírus, passa a ser exercido, interinamente, por um general, Eduardo Pazuello. Sua missão, ao que parece, será autorizar o uso da controvertida substância cloroquina no tratamento de pacientes com o covid-19, na contramão do que recomendam as autoridades da área de saúde de quase todos os países e a própria Organização Mundial da Saúde (OMS).

Oficialmente, o Brasil é uma democracia, com as “instituições funcionando”, como fazem questão de dizer civis e militares que apoiam o governo. Em que pese isso não ser a expressão da verdade, pois as instituições não funcionam para todos (o ex-presidente Lula que o diga) a pergunta que deve ser feita é: mantida a situação atual, por quanto tempo mais as instituições ainda funcionarão?

Apesar de todos os problemas que tem criado para o Brasil e para os brasileiros, Bolsonaro continua contando com o apoio do que se pode definir como “maus militares” e “péssimos civis”, pessoas que não levam em conta os interesses da maioria da população e nem mesmo os chamados interesses nacionais. Vale dizer: os interesses efetivamente brasileiros num mundo em rápida e profunda transformação.
“Mau militar” era como Ernesto Geisel, penúltimo general a ocupar a presidência da República
após o golpe de 1964, definia o capitão reformado Bolsonaro. Já “péssimos civis” ou
“vivandeiras de quartel” foram termos cunhados pela imprensa na década de 1950, para se
referir aos políticos que viviam pedindo a intervenção militar contra governos legitimamente
eleitos como os de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. Em meados de 1960, a mesma
denominação foi utilizada para os civis que “clamavam” para que os militares impedissem “a
comunização do Brasil”, diante das Reformas de Base propostas pelo presidente João Goulart.

Devidamente repaginadas “as vivandeiras” reapareceram em 2016 e se mantém em plena
atividade nos dias atuais.
Versão para impressão Envie para um amigo Deixe seu comentário
Jornalistas Livres

Envie esta notícia para seus amigos

Seu nome:
Seu e-mail:
Enviar para:
envie para vários e-mails separando-os com vírgula

Deixe seu comentário sobre esta notícia

Seu nome:
Seu e-mail:
Escreva seu comentário:
0 caracteres utilizados. Máximo 100 caracteres.

Digite o código contido na imagem ao lado:
Caso não consiga ler o texto da imagem, clique aqui.

Comentários

Nenhum comentário ainda foi registrado.
Seja o primeiro a comentar! Clique aqui ››

Contato

Telefone
(61) 35418388
(61) 93094422