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Com sua eleição, Bolsonaro trouxe trogloditas para o cenário político

publicada em 26 de novembro de 2019
Com sua eleição, Bolsonaro trouxe trogloditas para o cenário político

"Há um insuportável clima de intolerância na Câmara dos Deputados, onde os pesselistas se habituaram a agressões e intimidações como forma de se impor no Parlamento", descreve o jornalista Ribamar Fonseca. "Esse pessoal segue o mesmo comportamento do seu líder e ídolo, o presidente Bolsonaro", lembra ele




Alguém já disse que “a violência é o argumento dos ignorantes”. Os deputados cabo Daniel Silveira e o coronel Tadeu confirmam esse conceito quando quebram placas porque discordam do que está escrito nelas. O cabo quebrou a placa em homenagem à vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro, e o coronel um cartaz em exposição sobre o Dia da Consciência Negra na Câmara Federal, em Brasília. Os dois parlamentares, integrantes da bancada do PSL na Câmara Federal, foram eleitos na esteira da eleição de Bolsonaro que, com o seu discurso de ódio, arrastou, para o Congresso Nacional, alguns trogloditas que pensam com os músculos. O deputado-cabo, que está mais para leão de chácara do que parlamentar, é o mesmo que se infiltrou numa reunião do seu partido para espionar os seus colegas e, depois, dedurá-los para o capitão-presidente. Por conta disso chegaram a ameaçá-lo de expulsão¸mas ele, por sua vez, ameaçou quebrar o Parlamento se perdesse o mandato. Ao que parece conseguiu, com seus músculos, intimidar seus companheiros, pois até hoje não se tem conhecimento de alguma providência para puni-lo por quebrar a placa de Marielle e por ameaçar o Congresso. Já o coronel Tadeu, por iniciativa do PT, vai ter de explicar-se ao Conselho de Ética da Câmara por sua violência contra o cartaz desenhado por Latuff e corre o risco de ter o mandato cassado.


Na verdade, há um insuportável clima de intolerância na Câmara dos Deputados, onde os pesselistas se habituaram a agressões e intimidações como forma de se impor no Parlamento. O deputado David Miranda chegou a dizer que a política e o Congresso foram infiltrados por “facínoras”. Até uma blogueira ligada ao deputado-cabo Daniel Silveira se julgou no direito de hostilizar a deputada Maria do Socorro, uma das mais combativas do Parlamento, que defendeu uma punição para o deputado-coronel Tadeu por ter vandalizado a exposição sobre o Dia da Consciência Negra. Esse pessoal segue o mesmo comportamento do seu líder e ídolo, o presidente Bolsonaro, que, quando deputado, agrediu em plenário, verbalmente, a mesma deputada Maria do Rosário, dizendo que ela não merecia ser estuprada porque era muito feia. Ela o acionou na Justiça e foi indenizada por danos morais. O fato é que se o presidente da Casa, Rodrigo Maia, não tomar providências efetivas para conter a fúria dos brutamontes, punindo-os de acordo com o Regimento Interno, ninguém pode prever o que pode acontecer no plenário do Parlamento Nacional, onde hoje os ânimos se exaltam com muita facilidade por conta do radicalismo que tomou conta da política brasileira.

O PSL, até pouco tempo o partido do presidente Bolsonaro, tem se caracterizado como uma legenda que abrigou radicais de todo tipo, o que existia de pior na política nacional, gente perfeitamente identificada com o ódio que o capitão destilou na campanha. Volta e meia a agremiação partidária ocupa as manchetes por conta de ações nada civilizadas dos seus filiados. Além das acusações de corrupção, com o uso de candidatos laranjas nas últimas eleições e suspeitas de rachadinhas, o partido ficou marcado por brigas internas que culminaram com um racha que provocou um processo autofágico, resultando na desfiliação de Bolsonaro e no encolhimento da sua bancada na Câmara. Mesmo divididos, porém, seus integrantes estão sintonizados com o pensamento do capitão, que defende a ditadura e idolatra o coronel Brilhante Ustra, apontado como o chefe da tortura no regime militar. Prova disso é que o deputado Frederico Dávilla, do PSL paulista, conseguiu aprovar na Assembléia Legislativa de São Paulo uma homenagem daquela Casa ao ex-ditador Augusto Pinochet, do Chile, responsável por milhares de mortes naquele país. Foi esse tipo de gente, afinada com ele, que Bolsonaro levou para dentro das casas legislativas com seu discurso de ódio, que provocava – e provoca ainda hoje – aplausos entusiásticos quando prometia matar, o que explica a índole desse pessoal que quebra placas.

Constata-se, sem muita dificuldade, que muita gente desconhecida e sem nenhuma tradição política foi eleita com esse discurso de ódio, que encontrou fácil aceitação numa população decepcionada com a classe política, criminalizada por uma sistemática campanha da mídia tradicional. Um desconhecido Wilson Witzel, por exemplo, foi eleito governador do Rio de Janeiro com esse discurso, a exemplo de deputados e senadores do PSL. Observou-se, inclusive, um fato inédito: muitos militares, de cabo a coronel, passaram a integrar o Congresso Nacional, na esteira do capitão Bolsonaro. E o que parece pitoresco: todos conservando a patente atrelada ao nome, como se o Congresso fosse um quartel, inteiramente dispensável para suas novas atribuições no Legislativo. Então temos hoje, no Parlamento, deputado-cabo Daniel Silveira, deputado-coronel Tadeu, senador-major Olimpio, deputado-delegado Valdir, entre outros. E se Bolsonaro conseguir se reeleger, o que parece pouco provável, o número de militares nas casas legislativas deve aumentar, pois a política, embora execrada, é o sonho de muitos deles. Tomara que alguém não se lembre de apresentar uma proposta tornando obrigatória a ordem unida no Parlamento, mas seria interessante ver o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, marchando com aquela cabeça pendendo para um lado.

O fato é que parece que o capitão, fruto da campanha de ódio da chamada Grande imprensa, talvez a principal responsável por sua eleição para a Presidência da República, criou um clima de violência e intolerância no país ao empunhar armas imaginárias, liberar a posse de armas verdadeiras e pregar a matança de bandidos como solução para acabar com o problema da criminalidade no Brasil. Se matar fosse solução, os Estados Unidos, onde existe pena de morte, seria um paraíso, mas é lá onde acontecem os piores crimes, com frequentes massacres em escolas, supermercados, praças públicas, etc. Essa história de que “bandido bom é bandido morto” é o mesmo que dizer que “policial bom é policial que mata”. Aliás, não satisfeito em liberar a posse de armas, Bolsonaro mandou um projeto de lei para o Congresso reforçando o chamado “pacote anti-crime” de Moro com o dispositivo chamado “excludente de ilicitude” que, na prática, é uma licença para matar. Se essa proposta for aprovada o policial que matar sob “violenta emoção” será perdoado sem precisar responder a qualquer processo. Como a justificativa é subjetiva ninguém mais será responsabilizado por matar, mesmo inocentes, como tem acontecido com frequência no Rio. Resta saber se qualquer pessoa poderá usar essa desculpa para matar ou só o policial pode ter “violenta emoção”. Se o Congresso aprovar esse projeto ninguém mais terá nenhuma garantia neste país.

Observa-se, por outro lado, que parece que o crime passou a compensar, obviamente quando esse crime for praticado contra alguém de esquerda, simpatizante do PT ou mesmo quem, eventualmente, tenha em algum momento se posicionado à esquerda. Temos alguns exemplos de pessoas que deveriam ser punidas mas foram premiadas, como o delegado Gastão Schefer Neto, da Polícia Federal em Curitiba, que destruiu a aparelhagem de som da Vigília Lula Livre e foi nomeado assessor da ministra Damares Alves, da Mulher, Família e Direitos Humanos; a procuradora Thaméa, que conspirou para derrubar o ministro Gilmar Mendes e foi promovida a Procuradora Regional; e tudo indica que o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Lava-Jato, acusado da prática de vários crimes revelados pelo site The Intercept, também deverá ser promovido, com as bênçãos dos ministros Fux, Fachin e Barroso, do STF, a procurador regional, como prêmio por seu “trabalho” naquela operação. Dallagnol, aliás, conseguiu mais uma vez suspender, por determinação de uma juíza de Curitiba, o julgamento de um ato disciplinar contra ele no Conselho Nacional do Ministério Público. Ele deve estar com muito medo, pois tem recorrido a todo mundo, inclusive para o Supremo, a fim de não ser julgado. Mais cedo ou mais tarde, porém, ele terá de responder por seus atos.
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