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A deprimente agonia crepuscular do "brizolismo de resultados"

21 de janeiro de 2010

A deprimente agonia crepuscular do "brizolismo de resultados"

O apoio precipitado do PDT a Dilma poderá levar o partido à bancarrota eleitoral


 

 

 

A Executiva adesista do PDT: a lamentar mudança de postura  de Alceu Collaes,  figura histórica, que ganhou uma diretoria na estatal Furnas.

"Capitular agora em relação a essa camarilha que vem sendo desmascarada diariamente, por todos os poros, é promover, de forma vergonhosa, o segundo enterro do Brizola. O velho não merecia isso".
Da minha coluna na TRIBUNA DA IMPRENSA, publicada em 14 de novembro de 2005.

 
 
Na mesma semana em que os brasileiros serão lembrados da passagem do 88º aniversário do nascimento de Leonel Brizola, a Executiva Nacional do PDT formalizou o que todo mundo já sabia: o partido do caudilho embarcará de mala e cuia na candidatura de Dilma Rousseff, a mesma que, há exatos dez a nos, trocou vinte de militância no brizolismo, onde sempre foi tratada com carinho e afeto, pela permanência na Secretaria de Minas e Energia do petista Olívio Dutra, no maior e mais contundente ato coletivo de traição no trabalhismo gaúcho.
Esse anúncio, que um deprimido senador Cristóvão Buarque limitou-se a ironizar ("nem mesmo o PT se definiu oficialmente") faz parte de uma grande farsa, em benefício tão somente do ministro Carlos Roberto Lupi e da meia dúzia de lupistas aquinhoados com periféricas prebendas  e alguns favores de um poder sem escrúpulos de espécie alguma.
Fosse só isso, eu diria com uma análise amarga de todo um processo de decadência partidária: bem, o Lupi, que os ladinos do arrivismo alçaram a um ministério da República, é o último subproduto do próprio caudilho, que fez dele ao mesmo tempo presidente e tesoureiro do partido, na hora em que se sentia abandonado por antigos parceiros e marginalizado com uma coleção de quatro derrotas sucessivas, das quais a mais humilhante foi ter menos votos para presidente em 1994 do que o folclórico Enéas.
Mas essa decisão impensada afigura-se como um embalado haraquiri, prenunciando uma derrota eleitoral letal, com os mesmos efeitos tóxicos do vexame de 1994.
Abrindo mão de outros caminhos mais consequentes, o que resta do brizolismo assume de vez o inexpressivo papel de linha auxiliar, sem nada a declarar, sem discurso próprio, sem bandeiras e sem dignidade, jogando na mesma vala a penca perdida de mandatários restantes, alguns, como o governador cassado do Maranhão, Jackson Lago, brizolista de primeira hora, mortalmente traído e entregue às feras.
Desde a morte de Brizola, que sempre se deixou contaminar pelo culto à sua personalidade, pelos bajuladores de ocasião, e nunca soube usar seu carisma para a construção de um partido de verdade, sabia-se que o PDT perdera seu cérebro, sua alma, seu norte, sua própria razão de ser, eis que a agremiação em si era um mero apêndice do líder messiânico e se bastava com a exploração de sua popularidade, outrora arrebatadora.
Um prontuário de fracassos eleitorais
Carlos Roberto Lupi surgiu do nada. Perdeu todas as eleições que disputou, de vereador a governador, com uma única exceção: em 1990, graças aos ingentes esforços do seu "padrinho", o então prefeito Marcello Alencar, conseguiu ser eleito deputado federal com pouco mais de 20 mil votos, ficando como o penúltimo da legenda, que também se beneficiou do retorno triunfal de Brizola ao governo do Estado do Rio.
Disputou a primeira eleição em 1982, ficando em vigésimo lugar na chapa de vereadores do PDT. Em 1986, teve uma votação pífia para deputado estadual. Em 1994, não conseguiu retornar à Câmara Federal. Em 1998, foi ser suplente do senador Saturnino Braga, com o compromisso, desconhecido pelos eleitores, de assumir na segunda parte do mandato, o que gerou um desconfortável bate-boca, porque o senador do PSB deixou de "honrar o acordo".
Já em 2002, com duas vagas para o Senado, ficou em nono lugar, com parcos 182.482 sufrágios, ou 1,2% dos votos válidos. Vexame semelhante passou em 2006, ao candidatar-se a governador: obteve 125.735 votos (1,52%).
Com esse prontuário eleitoral, mas no comando do partido do qual alijou figuras históricas, como o ex-deputado José Maurício, o primeiro com mandato a aliar-se a Brizola, foi feito ministro do Trabalho por Lula, numa jogada de mestre: o seu descredenciamento como expressão política e seu despreparo ostensivo para o cargo faria dele o mais subserviente dos ministros - alguns o chamam de bobo da Corte - operando sem pestanejar a liquidação do brizolismo como força autônoma e eliminando o  potencial competitivo no mesmo "campo popular" dominado pelo PT.
Para isso, instrumentalizou o preposto de meios para explorar a medula fisiológica dos correligionários, servindo-lhes os ingredientes da subalterna "bolsa-adesão" em convenientes doses balanceadas. 
Ajudando Lula e sacrificando os correligionários
A precipitação da declaração de apoio a Dilma Rousseff não se deu por acaso. É do interesse do presidente Luiz Inácio desarticular candidatos na "base de sustentação", como Ciro Gomes, do PSB, que poderiam se reanimar com três fatos recentes: 1. A vitória do candidato da direita no Chile, contra o situacionista que contava com a aceitação de 80% da presidente atual; 2. O fracasso de bilheteria do filme montado para ser a uma apaixonante peça de propaganda do "lulismo", o que mostra que a sua popularidade é relativa; 3. E a reaglutinação dos partidos oposicionistas no Estado do Rio, com a possibilidade da candidatura de Gabeira, que dará uma nova feição ao quadro no terceiro maior colégio eleitoral do Brasil, afetando, principalmente, o aliado Sérgio Cabral.
Como está absolutamente despersonalizado, o PDT cumpriu sua tarefa e o ministro pode manter seu sonho de, continuando no cargo até o fim do mandato de Lula, ser reaproveitado segundo a mesma equação de 2007 no caso de uma eventual vitória de Dilma Rousseff.
Com isso, será praticamente impossível que o PDT alcance os 5 milhões de votos que o preserva na desmoralizada cláusula de barreira. Uma análise preliminar mostra que sua bancada federal poderá "sumir na poeira": dos 6 senadores, restará João Durval, da Bahia, e Acir Gurgacz (que entrou no lugar do adversário cassado) já que Osmar Dias, do Paraná, quer disputar o governo do seu Estado; Cristovam Buarque levará uma boa rasteira em Brasília, Patrícia Saboya, do Ceará, nem sabe se disputará a reeleição, e Jefferson Praia, do Amazonas (suplente de Jefferson Perez), não tem condições de fazer uma "carreira solo".
Na Câmara Federal, o quadro é mais confuso. Mas no Estado do Rio é certo que tanto Miro Teixeira como Brizola Neto estão ameaçados de sobrarem pelos candidatos do interior: Arnaldo Viana, de Campos, o mais votado em 2006, Sérgio Zveiter, candidato pessoal do prefeito Jorge Roberto da Silveira, de Niterói, o irmão da prefeita de São Gonçalo e o irmão do prefeito de São João de Meriti. Não se sabe ainda se a família do bicheiro Anísio da Beijafor, que entrou para o PDT, terá federal, além de Simão Sessim, do PP.
No Rio, não será surpresa se o PDT se juntar a Sérgio Cabral, o preferido de Lula, desfigurando-se ainda mais. No Rio Grande do Sul, o presidente ocasional do partido, Vieira da Cunha, também não vai bem das pernas. Na Bahia, o partido perdeu seus deputados federais diante da imposição de coligação com o PT, situação parecida em Mato Grosso do Sul.
Em São Paulo e Minas Gerais a trapalhada é mais complexa porque o PDT está nas bases aliadas dos governadores tucanos. E o prefeito de Campinas, Doutor Hélio, não fala mais de sua pretensão de disputar o governo paulista.
Por toda uma variedade de dificuldades, o PDT não poderia dar passo mais infeliz do que declarar seu atrelamento à candidatura de Dilma Rousseff, limitando-se em sua opção, sem qualquer verniz ideológico, em termos de "compensação" ao sonho pessoal do ministro Carlos Lupi, que não pretende se candidatar a nada, para evitar uma exposição de sua absoluta falta de representatividade. Mas, sim, permanecer no cargo em que já ganhou 12 quilos.
E com isso, o brizolismo vive sua agonia crepuscular.
postado por Pedro Porfírio. às 12:41

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