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Jango, um incômodo

03 de junho de 2009

                                           

Há 45 anos o Presidente João Goulart foi deposto pelos grandes incômodos que causava. Às elites brasileiras, pela defesa da justiça social; aos latifundiários  por defender a Reforma Agrária; aos  representantes do capital estrangeiro, por defender o desenvolvimentismo nacionalista e a Lei da Remessas de Lucros; aos militares,  por  colocar a esquerda em  seu governo; incomodou também um grupo de arcaicos burocratas  pelo seu jeito despojado e inovador de governar; um incômodo, sem dúvida, para os empresários desejosos de congelamento salarial e de créditos bancários; parte da esquerda foi incomodada também porque ele propunha um projeto de nação e  não a insubsistência de um projeto revolucionário .

As nações ricas do mundo, incomodou muito, pois propunha a união dos países dos três continentes : América ( Latina ), África e Ásia e em plena Guerra Fria defendia a soberania dos povos , contra a expulsão de Cuba da OEA ; incomodou alguns sindicalistas desavisados que não viam o que se prenunciava: o Golpe. Jango incomodou alguns parlamentares de seu próprio Partido , o PTB, que lhe negaram apoio numa emergência em que fora solicitado pelo Presidente o Estado de Sítio, pouco falado, pouco conhecido. Tabu.

João Goulart ficou isolado. Entregou-se de peito aberto ao povo que o entendia e nele confiava. Mergulhou de  corpo e alma na empreitada em defesa do que acreditava ser o melhor para o Brasil.

As tentativas de soluções políticas eram quase impossíveis. As oposições agigantavam-se. Lançou-se como um herói trágico em defesa das Reformas de Base, pois quanto mais lutava ferrenhamente, mais se avolumavam os obstáculos. As forças da reação ganhavam  vultos descomunais, tecidas havia longo tempo pela propaganda financiada por institutos pagos por escusos dólares americanos.
Após o Golpe, foi para  o exílio e lá continuou incomodando a ditadura temerosa de sua penetração popular e de sua capacidade de negociar, pois a Frente Ampla, composta por ele, JK e Lacerda  , foi proibida , ocorrendo um endurecimento ainda maior da ditadura. Tentou ainda alinhavar as esquerdas exiladas e aí a ditadura, parece, foi implacável.

Para a reação o incômodo não tinha fim. Não bastou a deposição, a ameaça de morte, o exílio. Não bastou a proibição da Frente Ampla como alternativa de resistência. Não bastaram os fios de cabelos brancos e a tristeza do apátrida. A distância sem promessa de retorno. O incômodo persistia. Era preciso aniquilá-lo.

Era preciso bani-lo não mais do País, mas da vida . E assim, supostamente, o  fizeram. Insaciáveis, quiseram-no em morte, no ostracismo, e aí , parece que a vida, coisa estranha, lhes deu o doce, deixou que saboreassem sua ausência nas ruas, nas bocas, nos jornais, nos livros e quase na Memória.

Mas quase  é mais um detalhe, e Jango começa a ressurgir para as novas gerações. Surge do pranto que não pudemos à época chorar.

Surge de suas propostas tão atuais, e do legado de  amor à sua Terra. Ressurge para ficar em seu devido lugar na História e continuar a incomodar.

postado por Maísa Paranhos. às 15:18

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