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A caminho do terceiro mandato.

18 de maio de 2009
A caminho do terceiro mandato, porque ele é o Cara

Veja também o comentário em vídeo sobre a perseguição ao juiz Fausto De Sanctis


 

Para ele, três não é demais

 
"O grande líder da esquerda brasileira costuma se esquecer, por exemplo, de que esteve recebendo lições de sindicalismo da Johns Hopkins University, nos Estados Unidos, ali por 1972, 1973, como vim a saber lá, um dia. Na universidade americana, até hoje, todos se lembram de um certo Lula com enorme carinho".
Mário Garnero - "Jogo Sujo", página 130.

Quando Leonel Brizola morreu, naquela tarde fria de junho de 2004, o príncipe operário teve uma certa sensação de alívio. O velho caudilho está no seu pé e podia ser uma a alternativa contra seus planos continuístas.
Hoje, na antevéspera da sucessão e na plenitude dos seus 64 anos, Luiz Inácio bem que pode se postar diante do espelho, com a madame ao lado, e perguntar:
- Dizei espelho meu, haverá alguém para presidente que não seja eu?
Treinando nas melhores escolas políticas do sistema internacional - inclusive na Johns Hopkings University - Lula não tem similares, nem genéricos. No sindicalismo e no seu alcunhado Partido dos Trabalhadores, costurou tudo conforme o figurino para não ter sombra. E não tem mesmo. É ele ou ele.
Gaiola de deslumbrados
Seu primeiro escalão é formado por uma gaiola de deslumbrados medíocres e desconhecidos, que ou não têm voto, ou não têm preparo, ou não têm caráter,ou não têm as três coisas somadas.
Seus parlamentares são tão fracos que são os arrivistas do PMDB - e até o demonizado senador Fernando Collor - quem livra a sua cara naquele valhacouto desmoralizado que o vulgo denomina Congresso.
Bucha de canhão
Não foi difícil jogar a dona Dilma Vana Rousseff Linhares como balão de ensaio. Nela, como em outros de sua casta, do tipo Carlos Minc Baumfeld, o venezuelano Teodoro Petkoff e o peruano Hugo Blanco, falou mais alto o sangue azul.
O estigma de sua ficha juvenil e sua antipatia atávica estão na fórmula de uma alquimia manipulada. A ministra tem até a simpatia do sistema, conquistada desde quando assimilou os tais leilões de nossas jazidas petrolíferas, cristalizados pela intocável Lei 9478/97, com a qual FHC liquidou com os parâmetros de soberania sobre o subsolo, garantida até então pela revogada Lei 2004/53, um dos ingredientes que levaram à nossa pujança energética e ao suicídio do presidente Getúlio Vargas.
Brizola para atrás
Para as pessoas de memória ela também padece da síndrome da traição. Saiu do anonimato pelas mãos de Brizola e Alceu Collares, quando ainda era casada com Carlos Araújo, parceiro na "luta armada" e ex-deputado estadual pelo PDT.
Quando o caudilho cansou das rasteiras do Olívio Durtra e saiu fora do seu governo, no Rio Grande do Sul, ela não quis largar a Secretaria de Minas e Energia, da qual era titular, como foi também no governo de Collares.
E entrou no bloco dos traidores de Brizola, juntamente com o próprio filho do homem, o trêfego José Vicente Brizola, o velho trabalhista Sereno Chaise, a bela ex-senadora Emília Fernandes e Milton Zuanazzi, amigão e ex-protegido da ministra.
Dilma é, portanto, uma bucha de pelúcia. Enquanto o país inteiro oferece sua ternura na luta contra o câncer linfático, o mesmo que matou o ex-ministro Dilson Funaro, as peças do "terceiro mandato" vão sendo meticulosamente montadas com a ajuda de caras de pau do tipo Fernando Collor de Mello.
Sem adversários
A seu favor conta ainda o desgaste dos cabeças oposicionistas, que não têm mais gás nem para decolar e, como a raposada do PMDB e a rapaziada da esquerda nanica, vão tentar manter ou ganhar as boas prebendas nos governos estaduais e nisso que chamam de Poder Legislativo.
Ou você acha que José Serra teria alguma chance de derrotar o príncipe operário, caso ele arranque uma emenda "salvadora", sem plebiscito (como o Chávez) e, naturalmente, segundo os mesmos métodos do FHC, quando arrancou sua reeleição na euforia do "Plano Real".
A tropa de choque
Para ganhar os três quintos do Congresso na hora em que botar as manguinhas de fora, Lula disporá  da fina flor do Congresso como tropa de choque prá lá de escolada: José Sarney, Renan Calheiros, Romero Jucá, Michel Temer, Henrique Alves, sem esquecer a bancada ruralista, o quindim do agronegócio com tratamento vip do palácio; a evangélica, os nanicos da esquerda e o populoso "baixo clero".
Provavelmente, não terá dificuldade com a grande mídia, que anda mal das pernas, mas se tiver não haverá problema: a massa do bolsa-família, os abnegados pelegos sindicais e os "aparelhos estudantis" ajudarão. Quem não tiver gente para pôr na rua, falará pela mídia ou poderá dedicar-se ao obsequioso silêncio dos cínicos de barriga cheia.
Simpatia é quase amor
O mais importante, o príncipe operário já conquistou: Barack Obama, o presidente da irmã-tutora, já deu a senha: "Lula é o cara, o político mais popular do mundo". Por lá, eles sabem que ninguém faz melhor o meio de campo nesse prado "ameaçado" pela praga do Chávez, Evo Morales, Rafael Caldera e Daniel Ortega.
Para os patrões do mundo, se Lula desse a terceira, estaria facilitando o lado do aliado de todas as horas, Álvaro Uribe Velez, que já está mexendo seus pauzinhos na Colômbia.
A lógica do direito
Dito isso, devo lhe confessar que sou inteiramente a favor do fim das restrições à reeleição. Não nas bases em que montaram no Brasil, com o chefe do Executivo disputando no cargo, tendo a seu dispor máquina azeitada e visibilidade privilegiada.
Mas, por mais que o estômago grite, não vejo essa questão em função do deserto de homens e idéias reinante, graças ao qual quem tem um olho é rei. Vejo pela lógica do direito: ou não tem reeleição, ou não tem limite.
O fantasma Roosevelt
Lá, nos Estados Unidos, cuja democracia é matriz para o mundo ocidental e cristão, tal como escreveu, em 1835, o visconde Alexis de Tocqueville, a limitação a uma única reeleição só aconteceu depois que Franklin Roosevelt foi eleito quatro vezes e não ficou mais porque morreu no cargo.
Na França, cujo presidente já tem um mandato de 7 anos, também não há limites. Na Inglaterra, como nos regimes parlamentares, o premier pode ficar por tempo indeterminado.
Como você vê, embora considere esse modelo brasileiro de reeleição um grande eufemismo comprometido ainda mais por essas urnas "secretas" e inauditáveis, não acho que o chefe do Poder Executivo seja diferente do chefe do Poder Judiciário e dos eleitos para o Congresso.
Ou  todos ou  ninguém
Do ponto de vista da lógica do direito, repito, não podemos aceeitar três pesos e três medidas: ou ninguém pode ser reeleito (nem os deputados, como no Senado do México, onde um parlamentar não pode ser reeleito no período seguinte), ou os ministros e desembargadores do Poder Judiciário ganham limites em seus seus mandatos eternos( Em 41 Estados norte-americanos e em países como a Suiça os juizes são eleitos por um determinado período), ou então libere-se desses limites o presidente, governadores e prefeitos.
O direito à reeleição, em condições decentes não representa necessariamente a reeleição automática. Até pelo que vige hoje tem havido surpresas. O melhor governador do Ceará nos últimos anos, Lúcio Alcântara, levou uma pernada do Tasso Jereissati, oligarca moderno, e não foi além do primeiro mandato, perdendo para alguém que era apenas o irmão do mais famoso da família Gomes.
Bem, vou ficando por aqui. A essa altura, vou terminar esse escrito almaldiçoado por gregos e troianos. Mas esta é minah sina, pela coerência jurássica, da qual não abro mão, nem que macacos me mordam.

( Clique aqui e saiba mais sobre as peripécias de Lula como "líder" treinado pelo sistema)

postado por Pedro Porfírio. às 09:52

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