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Cinema independente na Bahia

15 de maio de 2009
 

  Jornal A TARDE, Salvador-BA, 15 de maio /2009

 

Milton Santos, Silvio Tendler e Carlos Pronzato , o que há de comum entre eles?

Pertencem ao grupo de “todos os homens de boa vontade” em transformar o mundo. Para melhor, é claro!

Quando assisti ao filme de Tendler ”Encontro com Milton Santos ou o Mundo Global Visto do Lado de Cá”, não supus que surgiria um terceiro personagem nesta película, Carlos Pronzato.

Sob a câmara genial e sensível de Silvio, passa a figura do grande e hoje saudoso mestre dos mestres, o geógrafo baiano Milton Santos que nos deixa seu pensamento claro e límpido sobre a contemporaneidade, contrapondo ao que chamou de globalitarismo neoliberal, os movimentos que surgem com a força e determinação de uma semente germinando para garantia do que lhes é sagrado, a própria sobrevivência material, étnica e cultural.

Tendler  nos desvenda  uma série de manifestações , por vezes anônimas, mas pulsantes em sua determinação transformadora.

O terceiro “homem de boa vontade”no filme de Sílvio, o cineasta Carlos Pronzato, faz parte dessa resistência. Argentino residente em Salvador, documentarista, com sua câmara à tira-colo, sem financiamentos e parcos patrocínios, fará artesanalmente o que se chama cinema independente.

De agudeza política rara, uma câmara competente e um compromisso de estar sempre  ao lado  dos despossuídos, Pronzato vai fazendo os seus registros.

É desta forma que penetrando nas veias latinoamericanas chega nos rincões mais remotos de nosso Continente.

Dono de uma filmografia ampla e variada,  ouviu a voz do povo ribeirinho do  São Francisco e nos trouxe sua insatisfação com o abandono do rio em “Além do jejum, as verdades do Velho Chico”.

Já a “A Guerra da Água”,  mostra a organização popular impedindo a privatização da água por empresas estrangeiras  e em  ”Jallalla (que viva!) Bolívia, Evo Presidente”  nos comove com a posse do primeiro presidente boliviano indígena eleito pelo povo.

O Chile será focalizado por Pronzato quando, investigando a verdadeira cidade natal do Presidente Allende, se Valparaiso ou Santiago,  o cineasta nos traz as diversas versões sobre o golpe militar naquele País. Allende e o seu governo vão se agigantando aos olhos do espectador.

Uma nova Latino-América se desenha com Carlos Pronzato que  do “lado de cá”, revela as expressões e conquistas dos movimentos sociais sem espaço na grande mídia, movimentos estes que sem dúvida o cineasta também integra.

Os artistas, mesmo independentes, precisam de um suporte material. No momento em que estão repercutindo os efeitos da modificação da Lei Rouanet, é fundamental que pessoas  como Carlos Pronzato sejam contempladas e possam engrossar a fileira dos homens de boa vontade.

 

postado por Maísa Paranhos. às 23:23

1 Comentário

25/05/2009 às 17:50
Moara escreveu:
Muito bom atigo, Maísa!Além de bem escrito, o tema é de grande valor, pois o cinema (documentário) é um instrumento político-artístico capaz de tocar os corações, levando a tantas reflexões, formando opiniões! E diante disso, Pronzato, sem dúvida, merece nosso reconhecimento e consideração!

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