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Fala, Mourão, Fala!

publicada em 17 de maio de 2020
Fala, Mourão, Fala!

Por Antonio Moreira Maués 15/05/2020 15:11
(Paulo Whitaker/Reuters)



Créditos da foto: (Paulo Whitaker/Reuters)


Nos últimos anos, declarações públicas e entrevistas tornaram-se muito importantes na carreira de Hamilton Mourão. Em 2015, ele chamou a atenção da mídia ao fazer críticas à presidente Dilma Rousseff e ser afastado da chefia do Comando Militar do Sul. Em 2017, Mourão mencionou em uma palestra a possibilidade de intervenção militar no país. Após passar para a reserva e assumir a presidência do Clube Militar, ele acentuou suas críticas ao sistema político e estimulou a candidatura de militares, colocando a si próprio como exemplo.

Durante a campanha eleitoral, suas aparições públicas ficaram marcadas por declarações racistas, contra as famílias pobres e em defesa de uma nova constituinte, que seria composta apenas por “notáveis”. Nos primeiros meses do Governo Bolsonaro, Mourão tentou manter sua presença no debate público, mas as reações do entorno do presidente parecem tê-lo convencido das virtudes do silêncio.

Nas últimas semanas, Mourão voltou a se pronunciar com frequência, à medida que aumenta a temperatura das discussões sobre o afastamento de Bolsonaro.

Em artigo publicado n’O Estado de S. Paulo, no dia 14 de maio, Mourão apresenta uma análise da crise que submergiu o país. Nele, há uma vaga defesa das prerrogativas do executivo e sobram críticas à imprensa, aos governadores, aos membros do legislativo e do judiciário, e até mesmo a outras pessoas que fazem críticas. Para Mourão, o problema do país são as “estatísticas seletivas”, a “discórdia”, a “corrupção” e o “oportunismo”. Não se mencionou o presidente, nem suas negociações com o Centrão.

Diante da possibilidade de assumir a Presidência da República, é importante que, cada vez mais, Mourão se dirija à sociedade brasileira. Porém, são outras as questões que demandam respostas concretas e urgentes. Como combater uma pandemia ainda em franca expansão? Como lidar com a pior crise econômica das últimas décadas? Como melhorar a articulação entre os diferentes níveis de governo? Nenhum desses problemas pode ser enfrentado com apelos à cloroquina, reabertura de salões de beleza ou ameaças aos demais poderes.

A gravidade da crise que irá abalar o país por muitos meses torna indispensável reorganizar o governo de modo a que sejam pactuadas soluções que protejam os mais vulneráveis. A recuperação da capacidade governamental dependerá de um acordo político amplo, tarefa para a qual o atual presidente é moralmente e politicamente incapaz.

A sociedade brasileira espera conhecer as ideias de Mourão para enfrentar esses problemas. De outra forma, ele será apenas mais um companheiro de Bolsonaro em sua queda.

Antonio Moreira Maués é Professor Titular do Instituto de Ciências Jurídicas da Universidade Federal do Pará (UFPA)
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